Redação Pragmatismo
Corrupção 31/Mar/2015 às 16:39 COMENTÁRIOS
Corrupção

Ex-delegado brasileiro teve mais de R$ 600 milhões em conta do HSBC

Publicado em 31 Mar, 2015 às 16h39

Saldo das contas de um ex-delegado brasileiro da Polícia Civil de São Paulo envolvido no escândalo do HSBC-Swissleaks é de R$ 600 milhões. Miguel Gonçalves Pacheco e Oliveira é um dos dez com mais dinheiro em Genebra

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Ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo é um dos brasileiros que teve mais recursos no HSBC de Genebra

O delegado aposentado da Polícia Civil de São Paulo e empresário do ramo de segurança Miguel Gonçalves Pacheco e Oliveira manteve US$ 194 milhões (equivalente a mais de R$ 600 milhões) em uma conta do HSBC na Suíça entre 2006 e 2007. As informações são do portal UOL e do jornal O Globo, únicos veículos de comunicação do Brasil com acesso aos envolvidos brasileiros no escândalo do HSBC-Swissleaks.

Levantamento apontou que Oliveira, que recebe ainda mensalmente R$ 10 mil líquidos pelos serviços prestados à Polícia Civil, está relacionado a duas contas sigilosas, identificadas por um número e que entre 2006 e 2007, estavam ligadas a três empresas que não apareciam associadas a mais ninguém dentro do banco: a Hollowed Turf, a Hallowed Ground Foundation e a Springside Corporation.

Miguel Oliveira tem hoje duas empresas privadas de segurança, a Vanguarda Segurança e Vigilância e a Nacional, mas já foi delegado-assistente do Departamento de Polícia Judiciária – responsável pelas 93 delegacias da capital paulista – e dono de incorporadoras. Entre 1994 e 2003 ele teve ao menos três: MGPO, que fazia “locação, arrendamento, loteamento e incorporação de imóveis”, Ibiúna Marina Golf Club, que construiu condomínios de luxo em Ibiúna, e Esplanada Pinheiros Empreendimentos Imobiliários. Em 2001, ele migrou para o setor de limpeza e fundou a empresa Interativa Service.

Oliveira é proprietário de vários imóveis, cinco deles em São Paulo (incluindo um no bairro do Jardins e que lhe custou R$ 1,1 milhão). Entre 2010 e 2012, ele viveu em uma propriedade na vila suíça de Montagnola, perto da fronteira com a Itália.

O levantamento encontrou ainda um inspetor da Polícia Civil do Rio, um engenheiro da Secretaria Municipal de Obras carioca, um conselheiro da concessionária do Aeroporto do Cabo Frio e um ex-diretor da antiga concessionária do metrô do Rio, Opportrans, na lista de correntistas do banco no país europeu.

O inspetor da Polícia Civil do Rio apontado na planilha do HSBC é Fernando Henrique Boueri Cavalcante, que se aposentou em 2013 como inspetor de quarta classe (antes conhecido como detetive). Um agente como Cavalcante recebe em torno de R$ 5 mil por mês ao fim de sua carreita, mas a conta relacionada a ele em Genebra tinha um saldo em 2006/2007 de US$ 697 mil (mais de R$ 3 milhões).

Mauro Chagas é servidor da Secretaria de Obras do Rio, tendo participado da construção da Linha Amarela e do Parque da Madureira, exercido o cargo de coordenador geral de obras da cidade entre 1997 e 2000 e atuado na reurbanização no entorno do Maracanã. Ele está relacionado a uma conta numerada que em 2006/2007 tinha US$105 mil.

Ex-presidente da Flumitrens, presidente do conselho e presidente executivo da operadora Costa do Sol e hoje conselheiro da empresa, que administra o aeroporto de Cabo Frio, Murilo Siqueira Junqueira aparece associado a duas contas numeradas. A primeira ficou ativa até 22 de dezembro de 2003. A segunda tinha em 2006/2007 US$ 895 mil.

Terra Magazine

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