Redação Pragmatismo
Mulheres violadas 29/Oct/2013 às 12:03 COMENTÁRIOS

"Ônibus rosa" é descartado após pressão das mulheres

Pressionado por feministas, vereador retira proposta de 'ônibus rosa' em São Paulo. Veículos exclusivos para mulheres não resolvem problema da violência e ainda provocam segregação, dizem movimentos

ônibus rosa mulheres são paulo
Vereador retira proposta de ônibus exclusivo para mulheres (arquivo)

Depois de muita pressão do movimento feminista, o vereador paulistano Alfredinho (PT) retirou na última semana o projeto de lei que propunha a criação de ônibus e vagões de trens exclusivos para o transporte de mulheres, em pelo menos metade da frota, nos horários de pico dos dias úteis. A ideia, segundo o vereador, era proteger o público feminino do assédio sexual no transporte público.

Os movimentos organizados de mulheres, no entanto, consideraram o projeto segregacionista e superficial, uma vez que não apresentava proposta educativa ou de punição aos homens pela prática do assédio.

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No lugar do projeto, batizado de “ônibus rosa”, será criada uma comissão para discutir políticas públicas contra o assédio sexual e a violência sofridos no transporte público. Entre os integrantes dessa comissão estão a CUT São Paulo, a Marcha Mundial de Mulheres e a Marcha das Vadias, entre outras organizações. Também participarão as secretarias municipais de Transportes e de Políticas para Mulheres.

“A mulher, que tem dupla jornada e volta tarde para casa, não pode ficar nas ruas esperando por um ônibus rosa”, criticou Sonia Auxiliadora, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT/SP, durante a sessão da Câmara de ontem.

Representando a Marcha das Vadias de São Paulo, Gabriela Alves disse que o PL reforça a cultura de responsabilização das vítimas.

“A liberdade de ir e vir deveria ser comum a todos e todas, sem jamais pensar que é preciso segregar mulheres, gays ou lésbicas. O transporte que se diz público tem que ter, sim, aparato de segurança para evitar esse e outros tipos de violência”.

O vereador Alfredinho reconheceu que faltou diálogo antes da elaboração do projeto. “Precisamos construir coletivamente outro PL que venha a apontar um caminho eficiente e urgente”, disse.

RBA e CUT-SP

Comentários

  1. Alexandre Lopes Postado em 29/Oct/2013 às 14:43

    Eu costumo ser contra todos os " atalhos fáceis " quando se trata de questões complexas , como essa . É evidente que, em razão de nossa cultura arcaica e tosca, as mulheres encontram-se bastante vulneráveis ; portanto , não é através da colocação cabal dessa vulnerabilidade em evidência que se educará sujeitos que se comportam paleoliticamente . Mudanças profundas como essa , infelizmente, demandam tempo e pesado investimento em políticas públicas de cunho educativo . Logo, transportar mulheres em veículos individualizados pela cor ( que coisa bizonha ) só irá recrudescer o desejo de dominação em face delas . Dessa forma, acho horrível essa medida, pois , a meu sentir , " o tiro sairia pela culatra " .

  2. Márcia Postado em 29/Oct/2013 às 15:04

    Que proposta ridícula e infeliz.... Indubitavelmente com a criação de uma monstruosidade dessas algumas pessoas chegariam à velha lógica de que se uma mulher não estivesse no maldito "ônibus rosa" estaria apta a qualquer coisa no ônibus "normal".... É o fim dos tempos viu....

  3. Thiago Teixeira Postado em 30/Oct/2013 às 12:04

    Já teve o vagão feminino na década de 90 e os vacilões não respeitavam. Muito pelo contrário, ocorria mais abusos neste vagões, lembro um cara que foi preso e este estava se shorts de nylon e sem cueca no meio da mulherada.