Redação Pragmatismo
Racismo não 02/Set/2013 às 15:19 COMENTÁRIOS
Racismo não

Estudante é criticada após comentários racistas

Publicado em 02 Set, 2013 às 15h19

Universitária gera revolta nas redes sociais após comentário racista. Estudante de Publicidade e Propaganda desabafou porque quase foi atropelada por "um casal de negros"

Os comentários de uma aluna do curso de Publicidade e Propaganda da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) no Twitter revoltou internautas e gerou repercussão nas redes sociais na noite desta sexta-feira. Chamada de racista, Marina Ceresa chegou a ser repreendida pelo Centro Acadêmico da universidade e teve que se explicar em outra publicação.

Os comentários de uma aluna do curso de Publicidade e Propaganda da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) no Twitter revoltou internautas e gerou repercussão nas redes sociais na noite desta sexta-feira. Chamada de racista, Marina Ceresa chegou a ser repreendida pelo Centro Acadêmico da universidade e teve que se explicar em outra publicação.

jovem estudante racista facebook
Estudante fez comentário com teor racista em seu perfil no Twitter. Mais tarde, jovem tentou se desculpar (Imagem – Reprodução)

Tudo aconteceu quando a jovem estava a caminho da universidade quando, segundo ela, um carro com um casal negro quase a atropelou. “Acabei de quase ser atropelada por um casal de negros. Depois vocês falam que é racismo né, mas TINHA QUE SER, né?”, disse a estudante, que completou em outra mensagem: “E estavam num carro importado, certo que é roubado”.

Dois minutos após a publicação, Marina fez outro comentário, tentado se defender de eventuais acusações de racismo. “Eu não sou racista, aliás, eu não tenho preconceitos. Mas, cada vez que aprontam uma dessas comigo, nasce 1% de barreira contra PRETOS em mim”, disse.

Não demorou muito para que as publicações fossem replicadas não só no Twitter como em perfis do Facebook. Ainda na noite de ontem, o perfil do O Centro Acadêmico Arlindo Pasqualini (CAAP) da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS divulgou nota lamentando o caso. “Nós, estudantes de comunicação social da PUCRS, não nos calaremos diante do racismo praticado por colegas da nossa faculdade. Práticas como essa devem ser combatidas em toda a sociedade. Atuaremos de forma ainda mais incisiva em casos presentes em nossa universidade”, dizia a nota.

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Por conta da repercussão instantânea, a universitária resolveu deletar sua conta no Twitter, mas decidiu manter ativo seu perfil no Facebook, pelo qual divulgou uma nota se desculpando pelo ocorrido. Na publicação, Marina explicou o ocorrido e reconheceu ter errado no teor do comentário. “Estou postando essa nota de esclarecimento porque eu olhei para o que eu escrevi e percebi que eu fui muito errada em colocar aquelas palavras de efeito”, disse.

Veja a nota de repúdio publicada pelo (CAAP):

“Racismo não é brincadeira

Na noite de hoje, uma estudante da Famecos escreveu comentários racistas em seu Twitter. Nós, estudantes de comunicação social da PUCRS, não nos calaremos diante do racismo praticado por colegas da nossa faculdade. Práticas como essa devem ser combatidas em toda a sociedade. Atuaremos de forma ainda mais incisiva em casos presentes em nossa universidade.

A sociedade precisa avançar no debate sobre o racismo. Os negros travam uma longa batalha contra a discriminação pela cor e suas conseqüências. Podemos observar isso pela baixa inserção de negros e negras em nossa universidade. Nos altos índices de violência contra o negro também notamos o quão sofrida ainda é a sua história. Sabemos que a exclusão social, cultural e intelectual é uma triste realidade para o povo negro.

O CAAP divulga esta nota para que casos como esse não se repitam. Devemos denunciar e nos posicionar em situações como esta. O nosso papel enquanto centro acadêmico é repudiar veemente esta atitude e não permitir que o racismo esteja presente na Famecos. Lutamos por uma Famecos sem preconceito e, por isso, deixar de expor este acontecimento seria legitimar o racismo presente em nossa faculdade.

O CAAP valoriza a cultura Afro. Acreditamos que a igualdade não tenha cor e seremos incansáveis na defesa de uma faculdade sem racismo e preconceito.

A partir desse acontecimento, vamos debater e refletir formas de combate ao racismo e a todos os outros tipos preconceitos. Na Famecos não há espaço para o preconceito.”

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