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Direita 10/Abr/2013 às 14:04 COMENTÁRIOS
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Skinheads repudiam imagem polêmica divulgada por neonazista

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Publicado em 10 Abr, 2013 às 14h04

Repercussão de imagem postada por neonazista nas redes sociais revolta skinheads. Integrantes do movimento skinhead afirmam que Di Mauro não faz parte da causa. Jovem já foi preso por espancar gays e skatistas

“Ele não é skinhead, é apenas neonazista”, diz T.A, 26, sobre Antônio Donato Baudson Peret, o Donato di Mauro, que divulgou uma foto em suas redes sociais enforcando um morador de rua com uma corrente na praça da Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Após a repercussão da reportagem sobre o ocorrido, diversas declarações como esta começaram a aparecer.

T.A. ainda conta que um amigo dele também foi espancado por Di Mauro e outro homem, também neonazista assumido, e teve três dentes arrancados. Na ocasião, o amigo de T.A, que não será identificado, usava uma jaqueta com diversos adornos referentes ao anarquismo e ao movimento punk, do qual faz parte. “Estes caras propagam o ódio por aí, e ficam impunes. Os próprios skinheads abominam este tipo de comportamento”, conta T.A.

Porém, o que mais espanta T.A. é a impunidade e um possível acobertamento da polícia em relação a estes crimes, segundo ele. “Como que eu vou ficar tranquilo e ir almoçar domingo no Shopping com a minha família sabendo que estes criminosos estão à solta por aí?”, questiona.

skinhead morador rua

Na imagem responsável pela polêmica, Donato aparece enforcando um morador de rua (Reprodução)

Di Mauro também é suspeito de integrar um grupo de neonazistas que agrediram skatistas na avenida Paulista, em São Paulo, também em outubro do ano passado. Neste caso, os envolvidos foram liberados pela polícia por falta de provas.

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Assim como T.A, outro internauta, que será identificado como Batista se indignou com o fato e procurou a reportagem para dizer que Di Mauro, conhecido por “Tim”, não representa os skinheads. “O Tim já é um velho conhecido dos anti-fascistas de Belo Horizonte, mas não é skinhead. Eu sou skinhead há seis anos e gostaria de dizer que ele nem nenhum outro neonazista representa o movimento, que já dura há 45 anos”, explica.

skinhead di mauro

Uma das diversas imagens postadas por Donato Di Mauro em que ele faz o símbolo de exaltação nazista (Foto: Reprodução)

Procurado pela reportagem para falar sobre a repercussão do caso, Donato não se manifestou, mas postou a seguinte mensagem na rede social: “Não tenho NADA a dizer a vocês da mídia, aonde claro, sempre vão distorcer tudo. Não me procurem mais, não terão a entrevista para vender suas mentiras com seus jornaizinhos baratos cheios de sangue.”

Entenda as diferenças – Movimento Skinhead

O movimento skinhead teve início no Reino Unido na década de 60 e nasceu sob forte influência jamaicana. O movimento tinha motes musicais e comportamentais, mas nenhuma relação com política ou questões raciais. Isso até a década de 70, quando outros elementos foram sendo acrescidos à ideia original e foram se subdividindo em outros segmentos, entre eles, os skinheads neonazistas. Porém, o movimento original ainda tem um grande número de adeptos no mundo e também no Brasil, que fazem um apelo para que os dois segmentos culturais sejam devidamente separados também na cabeça das pessoas.

“Como que um movimento que começou também na Jamaica pode ter conotação racial? Skinheads e neonazistas são coisas completamente distintas entre si, a única semelhança é que, alguns neonazistas também usam as cabeças raspadas, assim como os skinheads, mas as ideologias são completamente diferente”, conta T.A.

Já o neonazismo, como o próprio nome dá a entender, é uma espécie de ressurgimento do nazismo na contemporaneidade, quando vários preconceitos raciais, sociais e de orientação sexual já foram e continuam a ser combatidos. Os seguidores deste movimento pregam a “superioridade da raça branca” e promovem a discriminação contra minorias e grupos específicos. Nele, as diferenças entre as “raças” são bem claras, mesmo no século XXI, onde o termo “raça” já foi cunhado como politicamente incorreto, já que a raça, no caso, seria a qual pertencem todos os seres humanos: a dos seres humanos.

Jornal O Tempo Edição: Pragmatismo Politico

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