André Falcão
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Corrupção 02/Dec/2015 às 13:22
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Quatro em uma

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André Falcão*

Não nasci para surfar nas ondas do senso comum, onde desprezado o desgastante exercício da reflexão, ou para gado dócil, que segue o vaqueiro pela só manipulação do aboio ou do som do berrante.

Inicialmente, fiquei estupefato. A voz indecorosa do ex-tucano e novel petista, com aquela cara de homem público correto, adornada pela cabeleira grisalha cuidadosamente penteada, deve ter surpreendido até os mais incorrigíveis caras de pau da política e de fora dela.

Rapidamente, porém, me recobrei do estupor, afinal não é novidade que nosso país, na esfera pública e privada, é prenhe de picaretas, ladrões, corruptos, sonegadores e adeptos do jeitinho ao arrepio da lei. Não raro, hipócritas de mancheia. A novidade é que alguns desses ratos da política e da esfera privada, ainda que seletivamente, estejam sendo pinçados de seus esgotos de luxo, nas altas rodas da sociedade, para o conhecimento dos mortais que vivem honestamente.

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Aí atentei para três outros fatos: o primeiro, a prisão do falador – Senador da República, em exercício –, determinada pelo Supremo; o segundo, a alusão a benefícios que ele poderia obter junto a alguns ministros (do Supremo), em favor do tal do Cerveró, desde que este não o citasse na cabuetagem premiada que viesse a realizar; o terceiro, o panfleto político realizado por uma das ministras.

Ora, por mais que se possa regozijar-se com o encarceramento do gatuno da cabeleira brilhante, um juiz deve estar imune aos reclamos populares e flashes midiáticos, para decidir com equilíbrio, sobriedade e obediência à lei. Decisões com o fígado são inadmissíveis; não é justiça, é justiçamento. E não preciso ser criminalista para não ter dúvidas de que a prisão fora ao arrepio da lei. Mais: apostaria que o cabra não estaria preso se não houvesse citado Suas Excelências no célebre diálogo.

O segundo é a afirmação de que favores ilícitos poderiam ser obtidos junto aos ministros que discriminou. Por mais que se possa considerar obra de um falastrão, trata-se de fato extremamente grave, tanto considerada a autoridade que a realizou, quanto aquelas contra quem foi realizada. Gravíssimo.

Finalmente, o terceiro traduziu-se na deplorável, inadequada e chocante panfletagem política produzida por uma de suas ministras, de quem se esperaria o imprescindível equilíbrio, serenidade e distanciamento das emoções, preferências e compreensões político-partidárias que possa ter. Juiz não joga. Não faz falta, não faz gol, muito menos firulas para a torcida.

*André Falcão é advogado e autor do Blog do André Falcão. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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