Redação Pragmatismo
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Geral 04/Dec/2015 às 18:35
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Náufrago é encontrado com vida após 54 dias no mar

Após 54 dias perdido no mar, náufrago de Cabo Verde chega a Santos. Juvenal Ferreira Mendes, de 52 anos, sobreviveu comendo peixes e bebendo água da chuva

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Juvenal Ferreira Mendes (camisa preta) posa ao lado da tripulação que o salvou

Surpreendido por uma tempestade quando pescava no litoral de Cabo Verde, país de língua portuguesa na costa da África, o pescador Juvenal Ferreira Mendes, de 52 anos, ficou 54 dias à deriva no mar.

As correntes e marés o empurraram por quase três mil quilômetros até próximo da foz do Rio Amazonas, na costa brasileira, onde foi resgatado por um navio de bandeira libanesa. Na quarta-feira, 2, Mendes desembarcou em Santos, desnutrido, com 18 quilos a menos, mas vivo.

Durante as quase 1.300 horas passadas a bordo de um barco a vela com 7 metros de comprimento por 3 de largura, ele tomou água da chuva e se alimentou exclusivamente de peixes. O cabo-verdiano enfrentou sol ardente, noites geladas e várias tempestades sem poder se abrigar.

Ele contou que saiu de casa para pescar na Boa Vista, uma das ilhas do arquipélago e, no dia 2 de outubro, navegava havia cinco horas de volta para casa, quando a tempestade rasgou a vela do barco e o tirou da rota. A embarcação tinha um motor, mas logo o combustível acabou e ele ficou à deriva.

Conforme seu relato, vários navios de grande porte passaram por perto, mas não o resgataram, apesar dos gritos por socorro. No dia 25 de novembro, quase sem esperança, Mendes viu um navio se aproximar e acenou com um pedaço da vela. Era o Ouro do Brasil, de bandeira libanesa, que seguia da Flórida (EUA) para carregar com suco de laranja no Porto de Santos. O capitão Uwe Hansen, de nacionalidade alemã, mandou descer um barco para resgatar o africano.

Mendes foi hidratado e alimentado. Em Santos, ele prestou depoimento na Capitania dos Portos e foi ouvido também pela Polícia Federal, num inquérito que apura acidentes e fatos da navegação.

O pescador trazia consigo a cédula de identidade e objetos pessoais. Mendes, agora, aguarda autorização para retornar ao seu país. As autoridades brasileiras informaram o caso à embaixada de Cabo Verde no Brasil e aguardam providências para a repatriação do náufrago. Ele disse que só quer voltar para casa para rever os filhos e a esposa.

Agência Estado

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Comentários

  1. Tuvia Bielski Postado em 05/Dec/2015 às 01:17

    Racismo e xenofobia hoje numa antiga passagem marítima para o comércio de escravos. É a história, desgraçadamente, se repetindo como farsa...

    • paulo Postado em 05/Dec/2015 às 10:00

      caralho, o cara se perdeu e filho da puta fala em racismo

      • Fernando Postado em 05/Dec/2015 às 11:55

        E não foi? Por que deixaram-no à deriva apesar dele pedir socorro e de terem-no avistado? Se foi por racismo, não sei, mas que é uma baita de uma filha-da-putice não resgatar um náufrago num barquinho perdido no meio do oceano, isto é. Ou vc acha que os capitães dos navios que poderiam tê-lo resgatado e não o fizeram agiram corretamente? Em bom Português, tanto de cá quanto de Cabo Verde isto se chama assassinato.

      • Gabriel Costa Postado em 05/Dec/2015 às 16:56

        Se não ajudaram ele foi por racismo sim. Pessoal maluco de hoje em dia que vive em uma bolha onde mundo é doce e o Brasil não é racista.

      • Tuvia Bielski Postado em 05/Dec/2015 às 16:57

        Sério? Reconheço que presumir racismo e/ou xenofobia no comportamento dos capitães dos navios anteriores possa ser um tanto conjectural, até pela exiguidade de informações disponíveis no texto sobre isso. Proponho, assim, aos colegas, como forma de desagravo e para acabar de vez com a polêmica, uma enquete sobre o tema: “Por que os primeiros capitães não socorreram o náufrago Juvenal Ferreira Mendes?”. As respostas estarão em aberto; mas, desde já, avento algumas que poderiam ser, em meu alvitre, as mais aceitáveis: a) racismo (simplesmente por ele ser negro); b) xenofobia (“não queremos mais ‘escórias’ em nossas terras”; c) filha-da-putice (“se f...., se f....; antes ele do que eu”); d) assassinato (“menos um desgraçado neste mundo”); e) pressa (“não poderíamos parar nem para o Obama!”); f) preguiça (“vocês não imaginam o trabalho que é içar uma barcaça daquela”); g) apatia (“tanto faz; todos morreremos um dia”); ou h) medo (“poderia se tratar de um jihadista do Boko Haram, ou mesmo de um pirata somali; jamais arriscaríamos”). Agradeço as participações.

      • Luís Guilherme Postado em 05/Dec/2015 às 21:19

        Pelo que entendi da matéria, não é que os capitães dos navios se recusaram a ajudá-lo, eles simplesmente não o viram.

      • poliana Postado em 05/Dec/2015 às 22:45

        ou vc é cego, ou é mal intencionado mesmo: "Conforme seu relato, vários navios de grande porte passaram por perto, mas não o resgataram, apesar dos gritos por socorro".

  2. Jonas Schlesinger Postado em 05/Dec/2015 às 01:31

    Notícia interessante. Sempre me lembra o filme do Tom Hanks...

  3. Phelipe Postado em 05/Dec/2015 às 12:28

    É bom ler com cuidado, Paulo, antes de sair xingando os outros gratuitamente....não sei se foi racismo ou xenofobia, mas o fato é que vários navios passaram por ele e não fizeram nada!!

  4. Luís Guilherme Postado em 05/Dec/2015 às 21:19

    Imagina se quando ele estivesse voltando pra casa, o navio naufragasse de novo...