Redação Pragmatismo
Compartilhar
Cinema 11/Sep/2015 às 17:17
46
Comentários

A celeuma em torno do sotaque de Wagner Moura e o viralatismo crescente

Narcos Wagner Moura Netflix sotaque
Wagner Moura interpreta Pablo Escobar em ‘Narcos’, nova série do Netflix (divulgação)

por Lelê Teles, fatosenefatos

Na semana passada, fiquei passado com a quantidade de citações ao sotaque que Wagner Moura impôs ao seu personagem, Pablo Escobar, na série Narcos, do Netflix.

Branquim achou que Moura se entregou, todo mundo percebeu, pelo sotaque, que ele era brasileiro.

Um jornalista progressista chegou a perguntar, por quê não chamaram um ator hispano hablante para fazer o papel.

Pergunta bisonha essa, o espanhol é idioma oficial em 21 países, ele tem uma gama enorme de variações e sotaques.

Bobagem, portanto.

E mais, copiar o idioleto, que é a marca individual de fala, é um recurso de imitadores e não de atores.

Para mim, essa celeumazinha é apenas mais uma manifestação do Viralatismo, um movimento que cresce a cada dia no Brasil.

É bom saber, o Viralatismo se opõe ao Modernismo e seu expoente símbolo é o cantor Ed Motta, aquele que não aceita ser reconhecido como um artista latino e prefere definir a si mesmo como um artista latindo.

O Viralatismo, antípoda do Modernismo, tem como conceito e meta síntese “só a autofagia nos desune”.

O negócio é meter o pau em qualquer traço de excesso brasilidade de patrícios com sucesso no exterior.

Só deglutimos bem, nas estranjas, o sucesso de brasucas loiras de olhos claros como Gisele Bundchen.

Padilha, Moura, Coelho e Britto não nos representam, latem os vira-latas.

Se antes, no Modernismo, a proposta era deglutir o legado cultural europeu e regurgitá-lo como uma arte tipicamente brasileira; hoje, no Viralatismo, queremos nos deglutir a nós mesmos para ver se extraímos daí novamente a arte europeia pura, sem resquícios de brasilidade.

Absurdo, paradoxal e oximórico, o Brasil é capaz de produzir vira-latas com pedigree.

Espécimes endêmicos destas terras tropicais e exclusivos destas paragens, o viala-lata com pedigree tem como marca o rabo fino e sua meta síntese é tentar morder o próprio rabo.

Paulo Coelho é um escritor aclamado no mundo inteiro, mais de 130 milhões de livros vendidos em mais de 160 países. por isso mesmo, no Brasil, ele é odiado por uma multidão que nunca leu um único livro dele.

O odeiam simplesmente por ele ser brasileiro e ter feito sucesso como escritor. imagina, um ex-parceiro de Raul Seixas, um ex-tomador de chás de cogumelo!

Romero Britto é igualmente odiado pelo viralatismo. o pernambucano, com cara de trabalhador, faz uma pop art – mais pop do que art – alegre, vibrante, colorida e que encanta uma multidão; palmas pra ele.

Só que não.

Há algo no sotaque de Coelho, Britto e Moura, que incomoda os vira-latas.

quando ouço o ladrar dos cães de rua contra Wagner Moura pelo sucesso que faz no papel de Pablo Escobar, lembro que nunca os ouvi ladrar contra o sotaque do Olivier Anquier.

Aliás, todo vira-lata acha lindo um francês falando português com aquele sotaque engraçado do Grilo Falante.

Por isso os franceses fazem sucesso nos programas de gastronomia, é mais pelo sotaque que pela comida que fazem.

Todos querem ouvi-los dizer alhô, cebolá, macarrón…

É por isso que gênios do marketing pessoal como Inri Cristo, Padre Quevedo e o ex-rabino Henri Sobel carregam no sotaque.

É como jogar um osso para um vira-lata.

No mais, o cinema americano está repleto de atores alemães, belgas, italianos, espanhóis, ingleses… todos com o seu sotaque.

Aliás, o sotaque do austríaco Arnold Schwarzenegger não lhe atrapalhou em nada, tanto é que ele se tornou governador da Califórnia.

Só atrapalha o sotaque de Moura.

Lanço essa crônica como o manifesto autofágico não oficial; carece ainda de uma marca, uma logomarca: um cão vila-lata a morder o próprio rabo.

Algum artista se habilita?

Palavra da salvação.

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários

  1. Gabriel Salvatore Postado em 11/Sep/2015 às 17:29

    Puta texto! Digno de uma salva de palmas.

    • EDUARDO Postado em 11/Sep/2015 às 23:23

      Sabe o que estragou esse texto? O ponto final. Sem palavras 2.

  2. Peterson Postado em 11/Sep/2015 às 18:07

    Muito bom. Muito embora Paulo Coelho é detestado também por muita gente que leu seus livros. Justamente porque os leu.

    • Luiz Mello Postado em 11/Sep/2015 às 18:11

      Cuidado, Peterson. Não gostar de Paulo Coelho pode ser considerado "Viralatismo". O texto é tão simplista e preconceituoso quanto o preconceito (real) que denuncia.

      • Peterson Postado em 11/Sep/2015 às 19:24

        Pois é. Até que achei Verônica quer morrer (ou algo assim) legalzinho e bacana, mas aquele Alquimista é ó, uma bosta...

      • Trajano Postado em 12/Sep/2015 às 11:22

        Ué? Que indignação é essa? Não gostar de Paulo Coelho pode ser coisa de vira-lata mesmo, oras. O preconceito está na sua cabeça, Luiz Mello, não no texto. Uma coisa é você não gostar do que o Paulo Coelho escreve ou não ter interesse no que ele vende ou até mesmo discordar ou questionar seus trabalhos. Agora coisa completamente diferente é alguém não gostar de uma pessoa notória que sequer conhece! “Não gosto de Paulo Coelho”... Dã! Eu ein. Só falta dar “boa noite” pro Wilian Boner também. Tô nem ai pra Paulo Coelho, mas querer rebaixar os feitos dele sem sequer conhecer o seu trabalho ou não gostar de quem nunca viu mais gordo é viralatismo ou maluquice mesmo.

      • Luiz Mello Postado em 13/Sep/2015 às 00:24

        Trajano, você disse tudo quando escreveu que não gostar de Paulo Coelho **pode** ser coisa de vira-latas. A palavra-chave é "pode". Se você considera que é possível criticar Britto, Coelho ou Moura por genuinamente não gostar dos respectivos trabalhos, então estamos plenamente de acordo.

      • Daniel Santana Postado em 14/Sep/2015 às 12:49

        Concordo com o texto, pois nunca vi uma pessoa falar que não gosta de Paulo Coelho, elas sempre falam que é um lixo, uma bosta, entre outros adjetivos pouco elogiosos. Inclusive já escutei isso de professores de faculdade.

    • Sergio S. Postado em 14/Sep/2015 às 17:09

      Eu não chego a detestar o PC, embora realmente o considere um escritor muito fraco, considerando todo o sucesso que alcaçou.

  3. Eduardo Ribeiro Postado em 11/Sep/2015 às 18:10

    Belo texto, mas pra mim peca nos exemplos de Paulo Coelho e Romero Britto.

  4. Denisbaldo Postado em 11/Sep/2015 às 18:57

    por enquanto não, fica aí esperando...

  5. João Paulo Postado em 11/Sep/2015 às 20:11

    A "maria" mudou o nome para "julio"?

    • Thiago Teixeira Postado em 14/Sep/2015 às 16:16

      Antes de maria era Cesar Souza.

  6. Guilhermo Postado em 11/Sep/2015 às 22:25

    Assisti o primeiro ep. de Narcos. Achei bastante interessante e a atuação do Wagner Moura bastante convincente. O que eu mais gostei é que a série se passa na Colômbia (óbvio) porque já estava cansado de apenas ver séries que se passam nos States.

    • Trajano Postado em 12/Sep/2015 às 11:40

      Né? Série bem feita, atores excelentes e o Wagner Moura brilhante, como sempre. Tem ator que interpreta um papel só na vida, mas o Pablo Escobar do Moura não tem nada de Capitão Nascimento. E outro feito: um ator e um diretor do Brasil participando diretamente de uma produção na Colômbia para um amplo público internacional. Parece surreal isso, mas é coisa fina mesmo. Quem viu, encontrou semelhanças com o narcotráfico no Rio de Janeiro? Recomendadíssimo. Enfim, deixa os vira-latas latirem por aí, fodam-se.

  7. Felipe Postado em 11/Sep/2015 às 23:05

    Júlio não é importante veja a quantidade de matérias que saíram e nada fala sobre isso, no dia que publicaram uma matéria falando mau do governo os petistas sumiram se esconderam e só voltaram a aparecer quando veio outra matéria falando sobre racismo, polícia, mulher etc.... Debater o péssimo momento que o país está passando, ver o 7 de setembro com muros separando o povo não é importante.

    • Denisbaldo Postado em 12/Sep/2015 às 21:25

      Péssimo momento ainda está por vir. Derrubem a presidente e verão, vocês talvez sejam novos demais para saber o quão ruim este país já foi ou velhos demais que já esqueceram ou tornaram-se senhores hipócritas e egoístas. Em dezembro de 1998, logo depois depois da reeleição do "mestre" FHC o dólar disparou de R$1,10 para R$1,95 em apenas 2 dias. E é claro que todos os amiguinhos dele e de seus ministros (o ministro da economia era o Serra) já sabiam isso de antemão e aproveitaram para dobrar suas fortunas em um momento propicio. Isso foi só uma das barbaridades que aconteceu naquele período. Serra, FHC, Alckmin, Aécio estão todos vibrantes em tomar novamente o poder através de sua revolta sem causa. Fique sossegado, mais alguns anos e sentirá saudades da Dilma e do Lula, a história do Brasil já se repetiu tantas vezes que fica até sem graça falar isso. Hoje o dólar está no mesmo valor que o FHC deixou, isso depois de 13 anos de inflação. A inflação de agosto foi de 0,22% e o desemprego está em 9%, metade da era FHC. Acredite, você não sabe o que é péssimo momento ou já esqueceu mesmo ou é um hipócrita. Não pense que defendo este governo por interesse próprio não, é porque sei do passado destes "moços" que aí estão a criticá-lo. O presente do próprio Alckmin fala por si. Portanto amigo, prepare seus lenços, suas lágrimas nem ainda começaram a cair.

    • Denisbaldo Postado em 12/Sep/2015 às 21:30

      Desculpe-me, Pedro Malan era o Ministro da "Fazenda" e não o Serra da Economia como dito acima. Serra era o Ministro da Saúde.

  8. Fernando Postado em 12/Sep/2015 às 01:56

    Vc quer falar sobre a agência Standard & Poor's, aquela agência capacho dos sionistas ladrões de Wall Street, que tomou uma multa de um bilhão e 700 milhões de dólares da justiça americana por ter mentido e fraudado suas avaliações em 2008 levando milhares de pessoas a perderem suas economias? Vc quer falar desta espelunca travestida de alta tecnologia que foi rebaixada em todos os países sérios por se prestar a cometer fraudes em favor dos mega investidores judaico-sionistas que se alimentam da economia de países mundo afora? Vc quer falar da espelunca que foi a causadora da criação de uma lei federal nos EUA que, para evitar que outras espeluncas como ela roubem e enganem os investidores, criou uma agência estatal totalmente isenta de influências do mercado - ou máfia - do sistema financeiro para proteger os cidadãos daquele país? Vc quer falar de uma birosca cujos diretores estão sendo presos e processados por inúmeras e sucessivas fraudes e mau uso de suas atribuições técnicas e manipulação de dados baseados em técnicas de avaliação altamente suspeitas por carecerem de sustentação científica? Se for sobre essa avaliação que quer saber podemos começar...

    • enganado Postado em 13/Sep/2015 às 21:10

      Caro Fernando. A agência Standard & Poor's=leia rede gRoubo foi quem pagou a estes escroques para esta ordinária nota contra o nosso BRASIL. Pergunto: Qdo foi que o BRASIL deu calote em qq um=vagabundo internecional que nos devessemos um centavo de dólar? NUNCA! Acho até que os calhordas da gRoubo, Miriam Leitoa=Sardenberg (judeu)=Waack (judeu)=Monfort=Camarotti=Alexandre Garcia= ... devem ter contribuindo para pagar essa vagabunda Standard para dar notinha contra nossa Pátria. Pior disto tudo, é que não passa de uma mentira ""orquestrada"" e aí, não aparece um puto de um general, esses que pregam dar golpe na Presidenta DILMA, para defender a Pátria. E mais, são convencidos pelos coleguinhas do USArmy que isto tudo é verdade, porque o governo é do PT e que são COMUNISTAS=BOLIVARIANOS= ... que estão destruindo o BRASIL. A lógica é simples, entregam o governo a gangue do PSDB/DEM/Colônia Judaica, já muito bem comprada por nós=EUA/iSSraHell, que nós entregarão a PETROBRAS e o resto BRASIL e aí, VCS voltarão a crescer. NÃO SE ENGANE QUE ESTA É A LÓGICA! Vai ser assim até conseguirem acabar com o BRASIL ((vão conseguir-espero não estar vivo)), como nação. Pois aí entro EU, vamos transformar o BRASIL em uma GUERRA CIVIL para que a entrega da Pátria não seja uma ação de COVARDES do PSDB/DEM e meia dúzia de FHC's/Boçalnaros como fizeram/fazem na UScrânia, hoje. A UScrânia está 2/3 entregue nas mãos de Banca Internacional ANGLO_SEMITA, instalada nos EUA. Aqui sem reação com certeza seremos 3/3. Pobre BRASIL país, que o seu povo "" não gosta de VC "" começando pelas forças armadas, e ainda aplaudem aqueles que tiraram os sapatos (Chanceler=Lampreia,fdp) para os meganhas dos EUA, em N.Y. Caríssimos Gustavo Barroso e General Ladário, orai por nós!

  9. Fernando Postado em 12/Sep/2015 às 02:12

    Perfeito. Eu só discordaria de algumas coisas tais como considerar Ed Motta um artista - seja latino ou latindo - e tomar Romero Britto e Paulo Coelho como exemplos. Ambos são de uma pobreza franciscana embora sejam sucesso de vendas. O que falta para o Brasil é estudo sério, universal, humanista, só assim, conhecendo mais a fundo História, Filosofia, Artes e Política é que o Brasileiro saberia dar o devido valor ao seu papel na humanidade. Enquanto isto não acontece fica o ressentimento pelo sentimento de auto-inferiorização e de inveja daqueles a quem considera como superiores e modelos inatingíveis. Já dizia o saudoso Tom Jobim, ainda na década de 60 quando se mudou para os EUA: "Sucesso alheio é pior que tapa na cara do Brasileiro. É ofensa pessoal". E nada mudou de lá para cá, só piorou. Quando se tem uma massa ignara com diploma universitário e semi-analfabetos ostentando títulos de pós-graduação a coisa fica fora de controle. É o caos completo, a inversão total de paradigmas.

  10. julio cesar montenegro Postado em 13/Sep/2015 às 08:20

    O chato é que prestam mais atenção aos EXIBIDOS / DESTACADOS viralatas do que a nós... CÃES COMUNS... sem coleiras!

  11. Rodrigo Postado em 13/Sep/2015 às 23:22

    (Outro Rodrigo) Quando ele se apresentou à frente da Legião Urbana, muitos criticaram (com certa razão) a qualidade musical do mesmo - apesar de ser o vocalista da banda "Sua Mãe", a capacidade vocal do mesmo está em patamar inferior à de outros cantores. Assim, a participação do mesmo tanto poderia ser vista como a homenagem a um fã (famoso), ele representando a todos os demais fãs, quanto, também, ser vista como participação de qualidade vocal, musical, menor que a de outros possíveis cantores. Enquanto uns veem como normal a diversidade de opiniões acerca de tanto, outros vão patrulhar a crítica, não aceitar a divergência e passar a impor todas as pechas possíveis e imagináveis a quem exercer o direito de pensar diferente. É a nova vertente do "politicamente correto", com a diferença da ostensiva patrulha.

    • Trajano Postado em 14/Sep/2015 às 20:57

      Rodrigo, não, vou ter que discordar de você. Está muito fora de contexto a atuação do Moura cantando músicas do Legião Urbana e a atuação do Moura atuando como Pablo Escobar. A comparação não bate com o tipo de trabalho, o envolvimento de empresas internacionais e a hipervalorização de sotaque que está em jogo em Narcos. Ainda que no caso do Legião Urbana exista muito de orgulho de fã e decadência da crítica musical que por vezes só diz o que vende – nunca foi a intenção do Moura ser substituto do Renato Russo ou algo que o valha - são realidades muito diferentes, elementos bastante específicos em cada caso. Ao menos eu não consegui contextualizar as duas realidades que você apresentou na discussão daqui.

      • Rodrigo Postado em 15/Sep/2015 às 00:20

        (Outro Rodrigo) Discordar é um direito seu, tal qual o de quem critica um ponto da atuação em discussão de Wagner Moura. Como qualquer ser humano, pois, passível de falhas que é, pode ser criticado pelas mesmas ao mesmo tempo em que elogiado pela alta qualidade dramática - se assim não fosse, seria uma divindade, infalível, detentor de todas as competências. Como disseram abaixo, posso criticar qualquer ator que tente emular um sotaque, por exemplo, da Bahia (dois raros exemplos que fugiram do falso clichê do "arretado" foram Fábio Lago e Suzana Pires, na novela "Caras e Bocas"). Então, quem conhece a sonoridade da língua espanhola, pode ver divergências na interpretação do ator e promover crítica em função de tanto , o que não significa negar a qualidade do ator como um todo. Exemplificando mais, achei muito ruim a atuação do mesmo em "Elysium", inferior à usual qualidade de quem bem alterna entre personagens tão diferentes como "Capitão Nascimento", "Naldinho" (Cidade Baixa) e "Boca" (Ó Paí, Ó). Apenas, pois, o exercício da liberdade de criticar um ponto deficiente, sem que signifique, por isso, "odiar" o Brasil e seus respectivos.

      • Rodrigo Postado em 15/Sep/2015 às 00:41

        (Outro Rodrigo) Fui assistir a um episódio e, realmente, o sotaque dele destoa acentuadamente da fala dos demais personagens "nativos". Um ponto, pois, que infezlimente diminui a qualidade da interpretação de um bom ator, em alguns momentos assemelhando-se mesmo a uma caricatura. Quiçá tenha faltado melhor preparação com um professor de espanhol ou ainda com fonoaudiólogo, cuidado este que poderia ter levado a atuação a ser quase impecável.

      • Trajano Postado em 15/Sep/2015 às 11:00

        De uma hora para outra muitos brasileiros automaticamente passaram a conhecer profundamente o espanhol e suas variações ao ponto de ficarem incomodados com o sotaque de um ator brasileiro fazendo o papel de um colombiano. Tá certo. É claro que o sotaque obviamente estará presente, mas muito me admira que isso passe a ser uma crítica à atuação do Moura, uma limitação, uma deficiência (uau!), como se o ator não pudesse sequer ter tempo suficiente para aperfeiçoar sua expressão e, ainda que a aperfeiçoasse – coisa fácil de perceber ao longo da produção –, pena, o tribunal da hipervigilância e da crítica pela crítica já bateu o martelo no trailer do Youtube. Além disso, Rodrigo, você sabe melhor do que ninguém o que é dialogar sobre um assunto com alguém que só questiona pelo prazer quase que obrigatório de simplesmente discordar, mesmo que não tenha o mínimo de familiaridade com o assunto ou pior, o mínimo de interesse. Não sei porque você está colocando a mão no fogo por quem quer mais é que você se queime. É isto que está sendo tratado: quem nem viu a série, se embasa nos comentários de outros e sai por ai com aquele texto padrão do “é um lixo”, “ficou ridículo”, enfim. É dessa vulgarização que o texto acima trata ao tentar explorar de onde vem este comportamento disseminado e que fica evidente quando um brasileiro ganha certa notoriedade em veículos nacionais e internacionais e é rebaixado por uma “multidão” da forma mais agressiva possível a um viralatismo à céu aberto que não precisa nem de denúncia para ser percebido. Sustento minha posição de que Moura apresenta um excelente trabalho, é interessantíssimo ver brasileiros participando diretamente de uma produção internacional com boa repercussão (o que é um feito por si só) e o sotaque é um detalhe óbvio que chamará atenção, mas que não destitui o esforço do ator em apresentar um trabalho muito rico e que só melhora com o passar do tempo, de um brilhantismo ímpar que, sim, deve ser valorizado. Concordo com o texto: uma celeuma ao estilo “zueira sem limites”. Para quem a carapuça de vira-latas serviu, que faça bom uso dela.

      • Rodrigo Postado em 15/Sep/2015 às 12:03

        (Outro Rodrigo) A todo trabalho artístico cabe uma crítica (mesmo a popular, dos telespectadores), que há de ser livre - no caso um grande ator apresentou deficiência em um determinado ponto para a caracterização de sua personagem, sendo justamente na língua pátria da figura "biografada" (qual grande ator nunca teve uma atuação menor?). Por isso, em meio aos diálogos com atores de língua espanhola, a estranheza soa clara aos ouvidos, sequer sendo necessário ser grande conhecedor da mesma. Em minha livre análise, pois, um um grande ator acabou acentuando algo em sua interpretação que chama a atenção, de modo algum implicando em negar o "conjunto da obra", em afirmar que o mesmo não pode prestar-se à interpretação de qualquer outra figura de país outro - "faltou a cereja do bolo", não implicando em o "bolo" ter de ser jogado fora. Diariamente em nossos ofícios recebemos críticas e, quanto às construtivas, basta que as entendamos como a visão externa sobre algo que talvez tenha nos passado despercebido e apenas nos auxiliará em nossa contínua evolução - é importantíssimo termos sempre em mente nossa falibilidade humana e possibilidade de contínua melhoria. P.S.: enquanto eu e todos nós ficamos a analisar a atuação, se cabe ou não crítica, interessante refletir que o próprio ator aparentemente sequer foi ouvido, sequer tendo sido buscada a opinião pessoal do mesmo, o que ele alega, as dificuldades que encontrou na construção da personagem.

      • Rodrigo Postado em 15/Sep/2015 às 12:12

        (Outro Rodrigo) Já se alguém, como costumo dizer, "não viu e não gostou", a crítica mostrar-se-á completamente destituída de sentido, mas sempre cabendo a diferenciação, a fim de que não se tome o todo pela parte, não haja generalização e desqualificação do crítico, em vez da crítica - quanto a mim, assisti para ter a minha opinião, acima exposta.

  12. Juniperos Postado em 14/Sep/2015 às 08:08

    "Paulo Coelho é um escritor aclamado no mundo inteiro, mais de 130 milhões de livros vendidos em mais de 160 países.POR ISSO MESMO, no Brasil, ele é odiado por uma multidão que nunca leu um único livro dele." Pessoalmente, não gosto de nada aguado, nem mesmo das filosofias e contos mal lapidados e clichês de Coelho. Não sou um cara chique, me considero até rustico. Mas procuro coisas boas. O que põe na minha bandeja Romero Brito e Gilvan Samico. Quanto ao sotaque no cinema, há um problema que não foi levado em consideração: o brasileiro anda cada vez mais exigente quanto a filmes. Sempre quer um pouco mais de realismo. Wagner Moura é bom ator, mas acho que apenas está longe do estereotipo do espanhol/colombiano que esperavam ver no personagem. Ele é “brasileiríssimo”! Acho que Lelê foi redundante e voraz de mais abocanhando um pedaço muito grande da população, não discernindo por completo os sabores do povo, ao colocar todo mundo numa frase. As pessoas estão se tornando exigentes com reproduções da realidade. Não é como um filme de ficção fantástica... Tenho visto até mesmo crianças rirem de chroma keys mal feitos e elogiarem os bem feitos... acho que isso vale por que conseguiram imitar algo de forma convincente. Filmes biográficos costumem ter esse problema geralmente. Já que Lelê anda com uns rótulos a mais não mão, podia acrescentar entre cães de raça e vira-lata uma boa medida de Lobos também

  13. Pedro Kobielski Postado em 14/Sep/2015 às 09:31

    Que texto infeliz, companheiro. Infeliz pois repete uma série de lugares-comum vomitados pela esquerda peleguista brasileira. Infeliz por ser pedante e duvidar que os brasileiros leram Paulo Coelho, o duvidoso e controverso Paulo Coelho. Infeliz por se preocupar mais em adjetivar canhestramente do que em argumentar racionalmente. Infeliz por comparar o competentíssimo Wagner Moura com Arnold Schwarzenegger: Wagner interpreta um personagem marcante e da cultura colombiana, Arnold sempre interpretou personagens inexistentes no mundo real (o que acaba com a discussão da representatividade, o grande "quê" por aqui). Infeliz por deixar repetir, e mais do que isso, legitimar, o imperialismo à brasileira praticado na América do Sul. Infeliz, companheiro, muito infeliz.

    • Trajano Postado em 14/Sep/2015 às 11:19

      E O SUCESSO DOS DISCURSOS ENLATADOS NÃO TEM LIMITES!!! O discurso aí de cima é ótimo por seu teor autoexplicativo, quase pedagógico! Não é magia, é tecnologia! Vamos acompanhar? Para entrar no ritmo brega do discurso enlatado do Kobielski, vamos ouvir uma música do Waldick Soriano ao fundo: ♪ ♫ ♩ ♬ Pan-ran-ran-ran-ran-rãããn-rã-rãm... Peeeerfume de gardênia, teeem sua bôôôôca...♪ ♫ ♩ ♬* Que texto infeliz, companheiro. Isso! Tem começar já demonstrando um “Rá-Rá, te peguei!” logo de cara. Tem que ser diva. Na ausência de recursos audiovisuais para chamar a atenção, utilize expressões de efeito do tipo “Que texto infeliz!” e PÁ! Mostre porque veio logo de cara. Infeliz pois repete uma série de lugares-comum vomitados pela esquerda peleguista brasileira. PÁ! Continue com palavras de efeito até cansar, mas agora insira expressões batidas e replicadas em outros discursos enlatados mais profissionais para favorecer a dicotomia, fundamental em um enlatado, e radicalismos sem limites, já que ser radical é a nova medição de QI da atualidade. Infeliz por ser pedante e duvidar que os brasileiros leram Paulo Coelho, o duvidoso e controverso Paulo Coelho. Aqui ele foi valente: colocou a mão no fogo para defender os brasileiros! É bom porque assim você ofusca a generalização cafona do discurso enlatado e dá um ar de ousadia. E não explique o porquê da ousadia não, jamais explique nada, isso vai contra o conceito de enlatado: por que Paulo Coelho e duvidoso e controverso, isso fica na conta do papa. Não esqueça que o importante são as frases de efeito! Infeliz por se preocupar mais em adjetivar canhestramente do que em argumentar racionalmente. Aprendam A-M-A-D-O-R-E-S: Tem que usar frases que não fazem sentido algum, desde que ataquem alguém ou alguma coisa. Quanto mais a frase for sem sentido e agressiva, maior grandeza é atribuída ao enlatado por poder ser utilizada por qualquer um, em qualquer situação. Infeliz por comparar o competentíssimo Wagner Moura com Arnold Schwarzenegger: Wagner interpreta um personagem marcante e da cultura colombiana, Arnold sempre interpretou personagens inexistentes no mundo real (o que acaba com a discussão da representatividade, o grande "quê" por aqui). DISCURSO ENLATADO NINJA! Não entendeu o texto? Entendeu mas não quer entender? Entendeu mas tá cansado? SEUS PROBLEMAS ACABARAM! Subverta o assunto, subverta o contexto, crie alguma coisa na sua cabeça (sempre existe espaço sobrando aí dentro) e PÁ! ESCREVA, ESCREVA, ESCREVA ao passo de não dizer porra nenhuma e lembre-se: você é uma diva! Pode definir à vontade o grande “quê” que os outros pensam, só você existe, só o seu “quê” importa, e se alguém perguntar “ein? O quê?” volte para as instruções iniciais e diga palavras de efeito, quem se importa, né? Infeliz por deixar repetir, e mais do que isso, legitimar, o imperialismo à brasileira praticado na América do Sul. Acuse sempre! Lembre-se da dicotomia que é fundamental! Copie e cole alguma expressão forte e a use sem pudores, sem contexto, o céu é o limite!! Infeliz, companheiro, muito infeliz. Termine repetindo o que disse no início com todas as letras para hipnotizar seus leitores!! INFELIZ, INFELIZ, INFELIZ, NOSSA, QUE DISCURSO ENLATADO MAIS DEPRESSIVO!! Favor, sempre lembrar das regras de outro do discurso enlatado: dicotomia, expressões de efeito, generalização e repetição SEMPRE! O bom discurso enlatado é aquele que se assemelha à esteira de fábrica! É fordista e cafona! E a prova do enlatado é quando basta inverter a dicotomia para ser usado livremente em qualquer ocasião! Vamos usar o mesmo discurso enlatado do Kobielski para criticar os vira-latas ao invés da esquerda peleguista? ESTE É TÃO ENLATADO QUE É SÓ MUDAR TRÊS PALAVRAS!!! ------------- Que texto infeliz, companheiro. Infeliz pois repete uma série de lugares-comum vomitados pela direita reacionária brasileira. Infeliz por ser pedante e duvidar que os brasileiros leram Paulo Coelho, o duvidoso e controverso Paulo Coelho. Infeliz por se preocupar mais em adjetivar canhestramente do que em argumentar racionalmente. Infeliz por comparar o competentíssimo Wagner Moura com Arnold Schwarzenegger: Wagner interpreta um personagem marcante e da cultura colombiana, Arnold sempre interpretou personagens inexistentes no mundo real (o que acaba com a discussão da representatividade, o grande "quê" por aqui). Infeliz por deixar repetir, e mais do que isso, legitimar, o viralatismo à brasileira praticado na América do Sul. Infeliz, companheiro, muito infeliz. VIRAM?? ENLATADO SENSACIONAL! BASTA MUDAR A DICOTOMIA E AS PALAVRAS DE EFEITO E PRONTO! USE QUANDO QUISER, PRA QUEM QUISER E POSE COMO INTELECTUAL POR AÍ. Parabéns por sua contribuição enlatada, Kobielski. Um ninja na arte de escrever sem dizer coisa alguma! *♪ ♫ ♩ ♬ Pan-ran-ran-ran-ran-rãããn-rã-rãm... ♪ ♫ ♩ ♬*

    • Rodrigão Postado em 23/Sep/2015 às 06:14

      Se eu fosse ator e me comparassem com o Arnold eu ficaria feliz.. Ficção é du caralho ! Exterminador do futuro é uma puta trilogia. Viva os anos 90, o grunje, o skate, o mountain bike, etc.

  14. Juniperos Postado em 14/Sep/2015 às 09:39

    E outra: quer uma logomarca para vira latismo brasileiro? já existe: é só ligar a TV... as emissoras usam como logos...

  15. Andre Postado em 14/Sep/2015 às 09:42

    O personagem feito por Wagner Moura só tem um único defeito: Não tem 1% do carisma de Pablo Escobar! E isso talvez nem seja culpa dele... Acredito ser da direção da Netflix que não admitiria ver o público torcendo mais ainda pelo traficante do que pelo alucinado policial!

  16. Leonardo Postado em 14/Sep/2015 às 09:45

    Discordo bastante. A caracterização do personagem também passa pelo sotaque/língua. Ele é um ótimo ator, a série é ótima, mas isso não significa que não haja pontos fracos. O sotaque dele e a maquiagem laranja na cara de (quase) todos os atores são pontos fracos. Críticas nem sempre são sinal de ódio ou de um movimento "hatter", menos ainda sinal de "viralatismo". É só uma crítica. Não há porque ficarmos tão dodóis com tudo que se critica...

    • Rodrigo Postado em 15/Sep/2015 às 00:46

      (Outro Rodrigo) Pois é, apenas isso. A perfeição não é atributo de nenhum ser humano, de modo que um ponto deficiente de uma interpretação comporta crítica - acabei de assistir a um episódio e lamentei o sotaque, pois há momentos em que mais remete a uma caricatura que a um papel dramático, o que poderia ter sido evitado em grande parte com melhor trabalho com professor de espanhol e/ou fonoaudiólogo. Um grande ator como o mesmo deveria ter buscado evitar algo que comprometesse a interpretação de tal forma.

  17. Luciana Postado em 14/Sep/2015 às 09:59

    De sotaque de nordestino completamente inverossímil nas novelas da Globo, ninguém reclama.

    • Ana Maria Postado em 14/Sep/2015 às 12:40

      E quando tentam imitar a gauchada?? Barbaridade!

    • Rodrigo Postado em 15/Sep/2015 às 00:49

      (Outro Rodrigo) Eu reclamo, Luciana, mesmo porque não conheço nenhum conterrâneo que diga "arretado", uma interpretação mais próxima da realidade tendo sido a de Fábio Lago e Suzana Pires em "Caras e Bocas". O erro, pois, na dosagem, pode comprometer a ponto de a interpretação estar mais próxima de uma caricatura, ainda que não seja esse o desejo do intérprete.

  18. Rosa Postado em 14/Sep/2015 às 10:22

    Crônica fantástica.

  19. Xico Postado em 14/Sep/2015 às 11:36

    Um pergunta: Se fizessem um filme sobre um personagem brasileiro, por exemplo Getulio Vargas, filmassem no Brasil, todos atores de suporte e coadjuvantes fossem brasileiros e o "ator principal" interprete do ditador, fosse de outro país. Nos sentiriamos vira latas?

    • Trajano Postado em 14/Sep/2015 às 20:37

      Achei lúcido o comentário, ainda que não acredito que uma indústria internacional gastaria tanto em uma produção se o mercado consumidor se restringisse a um único país dada a barreira da língua. Mas o comentário do Xico faz pensar sim: e se uma produtora internacional investisse milhões em uma série aqui no Brasil retratando o período da ditadura militar, na visão também estadunidense dos soldados que vieram para cá na época do golpe, o envolvimento da CIA, de patrocínios de empresas estrangeiras (o que tornaria a série atrativa para um mercado internacional pela possibilidade de narrativa em outras línguas), maioria dos personagens falando em português, mas o personagem brasileiro principal tivesse sotaque portunhol? Afinal, para um mercado consumidor amplo, internacional, não faria tanta diferença o sotaque. Seria uma situação interessantíssima. Seria um disse-me-disse disseminado proporcional ao sucesso da produção. Sim, consideraria viralatismo também aqui e me parece que o orgulho e o ranço de vira-lata provém das mesmas causas, lados de uma mesma moeda. Enfim, interessante o comentário aí de cima.

  20. bibi Postado em 14/Sep/2015 às 13:44

    Eu queria saber baseado em que esse zé povinho está falando do sotaque do Wagner Moura. A maioria dos brasileiros que dizem falar espanhol passam vergonha quando saem do país. Além disso, o espanhol colombiano é muito diferente do espanhol argentino, que por sua vez é diferente do chileno, e por aí vai. Eu vivi algum tempo na Argentina morando com colombianos e posso dizer que fiquei surpresa com a competência com que Wagner Moura abraçou esse papel. Se eu não soubesse que é um ator brasileiro, jamais o imaginaria. No mais, o bom ator não tem nacionalidade. Meus parabéns ao Wagner, seguramente um dos melhores atores que esse país já teve.

  21. Thiago Teixeira Postado em 15/Sep/2015 às 12:06

    Comentei esse assunto fim de semana com minha esposa. Somos fans de brasileiros que fazem sucesso no exterior, e nos sentimos orgulhosos ao ver um BRASILEIRO fazendo um papel marcante e de uma personalidade colombiana. E comentamos exatamente isso, que haveria coxinhas que certamente iriam criticar o sotaque (que para mim está perfeito).

  22. André Feitosa Postado em 15/Sep/2015 às 12:47

    Pode vender do jeito que for, pode chamar de viralatismo, mas Paulo Coelho é uma porcaria como escritor, e já li boa parte do que produziu.