Redação Pragmatismo
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Política 13/May/2015 às 10:38
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Deputado Cabo Daciolo poderá ser expulso do PSOL

PSOL encaminha expulsão de deputado evangélico. Parlamentar quer alterar a Constituição para determinar que todo poder emana de Deus, e não do povo. Comissão de Ética do partido deve apontar incompatibilidade dogmática, mas Cabo Daciolo diz que vai resistir

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O deputado Cabo Daciolo (PSOL-RJ)

O deputado Cabo Daciolo (RJ), que pretende trocar o termo “povo” por “Deus” na Constituição Federal, deve ser expulso do Psol no próximo fim de semana, em deliberação a ser realizada pela executiva nacional do partido. Com comportamento e ideologia considerados incompatíveis com o dogma partidário, ele já estava suspenso desde 26 de março.

Dizendo querer permanecer no partido, Daciolo já fez sua defesa junto à Comissão de Ética do Psol, que elaborou um parecer a ser submetido à cúpula partidária com encaminhamento que tende a ser pela expulsão. “A tendência é a Comissão de Ética recomendar a expulsão”, resumiu Luiz Araújo, presidente do PSOL, ao portal Congresso em Foco.

Ao ser informado sobre a provável expulsão da sigla à qual se filiou para disputar as eleições de 2014, Daciolo demonstrou decepção. E, ato contínuo, recorreu à pregação religiosa que tanto lhe indispôs com a militância do Psol. “É mesmo, é? Só Deus mesmo, meu amigo… Só Deus no controle”, resignou-se o deputado, com ar de desalento.

Daciolo garantiu que não vai desistir de “crescer” no Psol. “Eu quero continuar no Psol, crescer no Psol. Vou continuar na luta para permanecer. Quero ver quais são os recursos a que tenho direito para reverter isso aí. Só falei de Deus e me expressei sobre os militares. Eles [da cúpula do Psol] sempre souberam a minha posição”, lamentou o deputado.

Bombeiro militar e evangélico, ele costuma citar o conjunto normativo do próprio Estatuto do Psol para defender sua permanência. Ele garante que o artigo 5º, dispositivo inscrito no capítulo II (“Dos objetivos”), título I (“Do partido, sede, emblema, objetivos e filiação”), ampara sua atuação parlamentar.

“O Partido Socialismo e Liberdade desenvolverá ações com o objetivo de organizar e construir, […], a clareza acerca da necessidade histórica da construção de uma sociedade socialista, com ampla democracia para os trabalhadores, que assegure a liberdade de expressão política, cultural, artística, racial, sexual e religiosa, tal como está expressado no programa partidário”, diz o artigo 5º.

Tendência é a expulsão

O deputado Ivan Valente (Psol-SP) explica que o problema de Daciolo é mesmo a “incompatibilidade” dogmática. O Psol defende o Estado laico e a liberdade de crença.

“Está parecendo que há uma proposta [de expulsão]. O problema dele é a questão política, de incompatibilidade. Ele mexeu com cláusulas importantes, caras ao Psol”, disse Ivan, para quem temas como a laicidade do Estado e a ação da Polícia Militar do Rio de Janeiro pesaram na provável expulsão de Daciolo. Ele citou a defesa feita por Daciolo dos policiais militares presos pelo desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza em 2013. Daciolo chegou a ir à tribuna da Câmara para dizer que os policiais estão presos “por um crime que não cometeram”.

Na avaliação de Daciolo, que é visto como fundamentalista entre os militantes, o Psol age de maneira contraditória, pois sabia de suas ligações religiosas e com os militares quando aceitou sua filiação e o lançou candidato.

Cabo Daciolo

Daciolo fez 39 anos em 30 de março. Vinculado a militares e religiosos, o deputado nega ser reacionário – define-se como “evolucionário” –, garante que frequentaria qualquer tipo de evento religioso, desde que convidado, e avisa que pretende alçar voos mais altos pelo partido. Como ser governador do Rio de Janeiro, por exemplo.

Embora tenha carregado sotaque carioca, o deputado nasceu em Florianópolis (SC) e, graças às funções do pai militar, rodou o país até chegar ao Rio de Janeiro. Ele defende o papel dos militares para fazer do Brasil uma potência, chegou a pregar que um general comande o Ministério da Defesa e tem dito que o país vive uma falsa democracia.

No Facebook, Daciolo resume em um pequeno parágrafo seu status atual: “Sou um dos 14 Bombeiros Militares do Rio de Janeiro EXPULSOS da corporação em fevereiro de 2012, de forma injusta, covarde e ilegal, durante as reivindicações salariais e de melhores condições de trabalho. REINTEGRAÇÃO DOS 14 JÁ!”, registra o deputado em seu perfil, criado em 2013. Ele se refere à greve dos bombeiros que liderou em 2011 no Rio de Janeiro, quando passou a interessar ao Psol politicamente.

Congresso em Foco

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Comentários

  1. Lázaro Pacheco Postado em 13/May/2015 às 12:51

    Doentes são os psolistas que acolhem o cara num belo dia e hoje querem apunhalá-lo pelas costas... caso o deputado seja expulso, os psolistas que o filiaram devem ser igualmente expulsos, dando início a uma justa e séria limpeza ética no partido que tem dificuldade até para ser "linha auxiliar do PT" .

    • Rodrigo Postado em 17/May/2015 às 10:26

      O PSOL está certo. Política e religião deveriam ser como água e óleo. Consigo compreender que não dá para conhecer as pessoas a primeira vista, e vocês estão agindo certo defenestrado este que nada tem haver com o pensamento do partido.

  2. João Paulo Postado em 13/May/2015 às 15:10

    Socialismo virou sinônimo de banditismo, razão pela qual deixei de votar no PSOL e PSTU. Defender a Polícia Militar agora é atentar contra dogmas partidários? Isso não é partido político, é organização criminosa de apologia ao crime e à hipocrisia.

    • Felipe Peters Berchiellif Postado em 13/May/2015 às 15:18

      Ahn? Voce bebeu? O PSOL não vai expulsa-lo por elogiar a PM,mas sim por criticar a prisão dos assassinos do Amarildo,além de bobagens fundamentalistas tradicionais que certamente NÃO SÃO alinhados ideologicamente com o partido. O PSOL errou sim em filia-lo pois ele era lider de greve,logo pensaram que tinha valores alinhados ao socialismo ou no minimo progressismo,negativo em ambos,lição para o PSOL que ha de fazer triagem melhor de seus filiados se quiser manter coerencia.

      • João Paulo Postado em 13/May/2015 às 17:29

        Eu gosto de beber informações. Agora ninguém pode julgar equivocada a prisão de policiais, que sequer foram julgados, pela prisão de alguém supostamente envolvido com o tráfico de entorpecentes? Já ouviu falar em presunção de inocência? Presunção de legitimidade? Eu sou ateu, mas gosto da expressão "não julgue para não ser julgado". Lênin e Karl Marx se reviram em seus túmulos de nojo ao ver no que o socialismo brasileiro se tornou. Até "fundamentalismo tradicional" está incorporado ao discurso... Lamentável.

  3. Rodrigo Postado em 13/May/2015 às 15:49

    (Outro Rodrigo) É engraçado: na hora de puxar votos, ninguém quer saber se é evangélico e militar (nada contra evangélicos e militares, muito pelo contrário, mas tudo contra a incoerência do partido que o aceitou) e é um bom companheiro. Quando expõe sua visão de mundo (já devidamente sabida por seus colegas de partido), aí não presta mais. Não sei se choro ou se dou risada.

  4. Georges Postado em 13/May/2015 às 15:50

    A bem da verdade, esse partido e outros "de esquerda" também têm a sua cota de "evangelicofobia". Ou então para com essa bobagem de "liberdade religiosa". Se o cara não pode expressar seus pontos de vista, que raio de "liberdade" é essa?

  5. Alexandre Lopes Postado em 13/May/2015 às 21:20

    O PSOL é um partido oportunista; portanto , tem o que merece. O PSOL está longe de ser uma esquerda revolucionária. Não passa de uma linha auxiliar do PT. Prova cabal de ser um partido pequeno e oportunista foi a forma como o prefeito de Macapá ( do PSOL ) está tratanto os professores na greve em que está havendo lá.

  6. sergio Postado em 14/May/2015 às 17:03

    Fundamentalistas existem por toda parte em toda religião, não podemos dar poder a eles!