Redação Pragmatismo
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Mídia desonesta 06/Mar/2015 às 12:30
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Jack Nicholson está melhor que o jornalismo brasileiro

Jornais e portais brasileiros publicaram uma notícia falsa sobre Jack Nicholson, dizendo que ele já não sabia nem quem era, e ignorando que ele esteve em público há duas semanas e assistiu no domingo um jogo do seu time de basquete

jack nicholson alzheimer mentira
Jack Nicholson está bem, mas o jornalismo brasileiro está em estado terminal (divulgação)

Fernando Brito, Tijolaço

Eu tenho uma profissão e me orgulho dela, porque percebo na informação e na opinião um valor coletivo.

Não sou um canalha, um fofoqueiro, um mentiroso e desprezo tudo o que faz o jornalismo ser, frequentemente, assim.

Erro, como qualquer pessoa, e não sou mais sabido que ninguém. E, assim que o percebo ou sou avisado, corrijo. Quando necessário, peço desculpas.

Mas não admito ficar calado quando vejo coisas repugnantes.

E foi assim a matéria do Estadão dizendo que o ator americano Jack Nicholson  estava em “estado avançado” do Mal de Alzheimer e sequer “se lembra mais quem é”, reproduzindo (sem link) uma suposta reportagem da sensacionalista revista Star, que em lugar algum do mundo foi levada a sério.

Aqui, porém, agiu-se de maneira totalmente irresponsável e desumana, ao noticiar assim a imaginária degradação de vida de uma pessoa, e de uma pessoa notória e admirada.

Pior, o texto da matéria mostra que quem a escreveu sabia que era mentira, porque o ator assistiu, no domingo, ao lado do filho, um jogo do seu time de basquete, o Los Angeles Lakers.

Perfeitamente bem e falando normalmente no vídeo que o próprio jornal menciona.

Ora, quem escreveu a matéria sabia, um certo João Assis, então, que a “notícia” era mentirosa e, ainda assim, deliberadamente puxou-a para o título, em busca de “impacto”.

Uma atitude de mau-caráter.

Que o jornal, a empresa O Estado de S. Paulo, corrobora, porque a matéria está no ar e não há sequer um registro de que é improcedente o “estado avançado”, inclusive com demência, de Nicholson.

Um desrespeito não só à pessoa retratada, mas às milhões de pessoas que sofrem de Alzheimer ou tem parentes e amigos nesta condição.

Mas o “jornalismo-celebridade” não conhece ética, não conhece dignidade humana, não conhece respeito.

É gente chafurdando no lixo e empurrando lixo sobre a sociedade.

Hoje, mais cedo, escrevi sobre isso na política.

Jornalismo-lixo existe em todos os países do mundo. Mas, aqui, generalizou-se, por conta de empresas dominantes no mercado que fazem disso instrumento de seus interesses econômicos e políticos.

Leitor é alguém que deve ser atraído, influenciado e comercializado pela propaganda.

Não importa a que custo e com que métodos.

Mas eles são os “limpos” e nós os “sujos”.

Ainda bem que não somos tão limpos como eles.

PS Pragmatismo Político: A revista ‘Star’ é considerada a publicação menos confiável nos Estados Unidos, com apenas 12% de precisão nas notícias que veicula. Há dois anos, a mesma revista havia publicado rumores semelhantes a respeito da saúde do ator. No mundo globalizado, ninguém comprou a notícia do Alzheimer de Nicholson. Este é um dos poucos casos em que a máxima ‘só no Brasil’ pode ser bem aplicada.

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Comentários

  1. BRUNO SILVA Postado em 06/Mar/2015 às 12:51

    Belo texto descrevendo o desespero da " Grande Midía" que com o passar do tempo fica cada vez mais esquecida e com isso es mostra mais desesperada com as informações que se propagam rapidamente desmentindo as mentiras que nos mostram. Pena que ainda está na UTI, por que quando estiver no caixão farei questão de soltar fogos e comemorar junto com a informação da internet o que se mostar com qualidade e seriedade no jornalismo. E não serei o único...

  2. Rodrigo Postado em 06/Mar/2015 às 13:26

    Apoio total. Para maiores detalhes ler Noam Chomsky em seu célebre livro "Manufacturing the Consent".

    • Elias Montakis Postado em 09/Mar/2015 às 11:06

      Cara, este livro pode ser comprado aqui no Brasil? Ou so importando? Valeu pela dica, Chomsky e um grande pensador .

  3. Salomon Postado em 06/Mar/2015 às 13:46

    Ora, qualquer pessoa que consiga andar e mascar chicletes ao mesmo tempo sabe que a grande mídia mente. Se continuam a ser leitores ou telespectadores é porque gostam de ser traídos. É o corno manso.

    • Lilian Postado em 06/Mar/2015 às 17:07

      Tem toda razão, Salomon...divertida comparação...rsrsrs

  4. poliana Postado em 06/Mar/2015 às 14:33

    Só consertem a chamada da matéria. Vcs se referiram ao jack nicholson como "ela", duas vezes. E a rede record passou adiante essa mentira tb..vi ontem no canal...fikei ate triste qdo vi...q bom q n passou de uma notícia sensacionalista...

  5. T Maio Postado em 06/Mar/2015 às 14:43

    Discordo apenas do trecho que diz que o jornalismo virou oq virou no Brasil. Na verdade os meios de comunicação em massa servem o capital em (quase) todo o lugar.

  6. Nádia Leite Postado em 06/Mar/2015 às 14:44

    Realmente é lamentável...a matéria do Estadão dizendo que o ator americano Jack Nicholson estava em “estado avançado” do Mal de Alzheimer e sequer “se lembra mais quem é”...A realidade é que acontece com muita gente!!! TRISTE MESMO É QUANDO FILHOS TEM A CORAGEM, PARA ISOLAR A MÃE IDOSA, QUERER ANIQUILAR SUA CIDADANIA, SE APODERAR DE SUA IDENTIDADE, SUBTRAIR SUA AUTONOMIA, ETC... ATRAVÉS DE ATESTADO OBTIDO COM FALSAS INFORMAÇÕES( EM SEPARADO COM A MÉDICA, LONGE DA IDOSA, SEM EXAMES ESPECÍFICOS PARA COMPROVAR EM APENAS DUAS CONSULTAS, QUE A IDOSA ESTÁ FORA DO AR, PIOR AINDA É A COVARDIA DE PROCESSO DE INTERDIÇÃO, SUBMETENDO-A CONSTRANGIMENTOS, MAIS GRAVE AINDA É O TAL ATESTADO NO PROCESSO DE INTERDIÇÃO, NÃO CONSTAR NO PRONTUÁRIO DA IDOSA...MAIS BIZARRO AINDA É APLICAR MEDICAMENTOS QUE NÃO CONDIZEM COM UM POSSÍVEL DIAGNÓSTICO...ISSO É SÓ A PONTINHA DO ICEBERG!!!

  7. Armando Barreto Postado em 06/Mar/2015 às 14:53

    Estou a 30 anos exercendo uma das mais nobre profissões do planeta que é o jornalismo e, sinceramente, quem fala contra jornalistas são os que querem um mundo de uma só cor. O jornalismo tem desmistificado e derrubado ditaduras em todo o mundo e a internet, por mais que de voz aos milhões que dela fazem uso, jamais substituirá a imprensa, ledo engano de quem assim pensa. Mais, sou de opinião que para exercer a profissão ou mesmo construir site que se propõem a serem noticiosos ou informativos, a volta da obrigatoriedade do diploma é de fundamental importância e por isso estamos lutando, pois a formação ética, que cá entre nós é artigo raro nas redes sociais, e olha que monitoro diariamente varias delas pelo imperativo do cargo que exerço. Só assim para melhorarmos essa enxurrada informação que brota de todos os cantos sem comprometimento com a verdade, por mais que ela incomode há muitos. Detalhe: donos e administradores de jornais, redes de televisão, rádios e outra mídias, não são, necessariamente, jornalistas.

    • Haroldo Costa Postado em 06/Mar/2015 às 16:24

      Há 30 anos? olha, é de duvidar. "Quem fala contra jornalista quer um mundo de uma só cor". O jornalismo que tem desmistificado e derrubado ditaduras em todo mundo que você se refere, é o jornalismo sério. O texto fala contra o mau jornalismo, não generaliza como você o fez no fragmento citado acima. E o pior é o fechamento do seu texto: "donos e administradores de jornais, redes de televisão, rádios e outras mídias, não são, necessariamente, jornalistas. Com esse argumento você deixa claro que se de fato for mesmo um jornalista, é um péssimo jornalista, um péssimo profissional, pois só faz o que o patrão determina, e isso é coisa de mau jornalista. Não tente defender os jornalistas com esses argumentos, eles ficarão putos com você.

      • Eliana Postado em 08/Mar/2015 às 18:28

        Daria para discordar com um pouco de delicadeza?

  8. Carlos Borges Postado em 06/Mar/2015 às 15:22

    A "grane mídia" acabou. No Brasil, então, é um pastiche de si mesma. Que o jornalismo virou entretenimento puro, a gente já sabe. Mas como tudo, no Brasil, descemos a graus infames de promiscuidade e baixo nível. Parabéns por seu texto e sua integridade. SOu jornaloista há 41 anos e já foi-se o tempo em que me "orgulhava" de uma profissão que, hoje em dia, se nivela ao que há de mais torpe e sujo.

  9. Rodrigo Postado em 06/Mar/2015 às 15:32

    (Outro Rodrigo) Efeitos do "controlzol", copiando e colando por cima do princípio da verificação. Romário cantou "treinar pra que, se eu já sei o que fazer?", ao que muitos hoje cantam: "checar pra que, se todo mundo vai ler e crer?"...

  10. Olívia Nunes Postado em 06/Mar/2015 às 15:48

    Fosse só o Estadão que tivesse replicado essa notícia... Muitos meios de comunicação no Brasil, em Portugal, no México, Colômbia, etc., fizeram a mesma matéria... Os jornais brasileiros só copiaram o que viram em algum lugar.

  11. LOURIVAL Postado em 06/Mar/2015 às 17:09

    Luis Fernando Veríssimo disse certa feita que " Não raro, a única coisa verdadeira em um jornal é a data.." É vero!

  12. Luiz Eduardo Vacção Postado em 06/Mar/2015 às 17:14

    Não entendi o porquê da agressividade da matéria. Felizmente a notícia é falsa. Porém, não prejudicou absolutamente ninguém, a não ser aqueles que perderam seu tempo a lendo (como eu). Discordo veementemente da abordagem realizada, principalmente do tom adotado.

  13. Havila Postado em 07/Mar/2015 às 13:02

    Disseminação de notícia falsa prejudica a credibilidade da notícia verdadeira, prejudica a coletividade que é constantemente bombardeada com informação errada. Minimizar ou anular o efeito ruim que esse tipo de jornalismo causa é ser conivente com a desinformação.

  14. Elias Montakis Postado em 09/Mar/2015 às 11:09

    Vaza, Andre coxinha!