Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 10/Feb/2015 às 10:21
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Internautas criticam campanha machista do Ministério da Justiça

Após polêmica e enxurrada de críticas, Ministério da Justiça apaga peça publicitária machista e pede “desculpas pelo mal entendido”

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Campanha do Ministério da Justiça foi duramente criticada por internautas nas redes sociais (reprodução)

A peça publicitária da campanha “Bebeu, perdeu” do Ministério da Justiça, levantou um debate nas redes sociais na última semana. A imagem, divulgada no perfil oficial do ministério no Facebook, mostra duas jovens segurando o celular e rindo de outra garota, além de uma mensagem que diz: “Bebeu demais e esqueceu o que fez? Seus amigos vão te lembrar por muito tempo”. A publicação teve mais de mil compartilhamentos, duas mil curtidas e centenas de críticas. A foto ficou disponível na web por cerca de três horas. Após a repercussão negativa, foi retirada do ar.

“Ministério da Justiça, oi? É aquela que diz que a mulher foi molestada porque estava vestida de forma inapropriada, foi estuprada porque bebeu. É isso? Vamos, mais uma vez, culpar as mulheres por violências sofridas? Não, não é ‘Bebeu, perdeu’. Errado é quem tira as fotos, quem faz os vídeos. Errado é quem compartilha. A campanha é absurda!”, desabafou uma seguidora. “Quer conscientizar acerca do uso abusivo da bebida, mas ao mesmo tempo associa e reforça o bullying ainda mais entre as mulheres?”, diz outra publicação.

Em resposta, o ministério se desculpou, disse que houve um equívoco e ressaltou que a peça tem o objetivo de conscientizar. “A campanha #‎BebeuPerdeu é muito mais do que isso. Nós nos equivocamos com a peça. Ela tem o objetivo de conscientizar jovens até 24 anos sobre os malefícios do álcool. Atuamos em políticas públicas em conjunto com a Secretaria de Políticas para a Mulher (SPM) contra a violência doméstica, o feminicídio e outras formas de violência contra a mulher. Pedimos desculpas pelo mal entendido e ao mesmo tempo contamos com a colaboração de todos na campanha”, diz a mensagem. O novo post, porém, também recebeu ataques.

Para a especialista em direito da mulher, Lia Zanotta Machado, a imagem é de mau gosto. “É uma mensagem muito forte de bullying com as mulheres. Não se pode culpar uma pessoa que bebeu, perdeu o controle, e foi abusada. É uma imagem equivocada que acaba legitimando ações preconceituosas”.

Campanha

Um dos objetivos da iniciativa é sensibilizar os comerciantes a não vender o produto para crianças e jovens – prática criminosa que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pode ser punida com até quatro anos de prisão e multa.

A estratégia de comunicação foi elaborada a partir dos resultados de uma pesquisa encomendada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo o estudo, feito em 2010, 60% dos jovens estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, e do 1º ao 3º ano do ensino médio, de escolas públicas e particulares, responderam que já consumiram álcool ao menos uma vez na vida. Desses, 15,4% tinham entre 10 e 12 anos, e 43,6% entre 13 e 15 anos.

com Correio Braziliense

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Comentários

  1. eu daqui Postado em 10/Feb/2015 às 10:45

    A abusada tem a desculpa de ter estado bebum. E o abusador?

  2. Luiz Postado em 10/Feb/2015 às 10:50

    nenhum momento se falou em violência sexual ou abuso. Falou-se em mico, e eu jamais classificaria um abuso como mico.

    • Bianca Postado em 10/Feb/2015 às 11:32

      Um abuso não precisa ser sexual, pode ser um abuso emocional, "eu tenho vídeos seus falando/fazendo alguma coisa". Isso é chantagem e também configura crime. Expor pessoas a situações de constrangimento também configura crime, etc etc etc. Os abusos podem ocorrer de diversas formas.

    • eu daqui Postado em 10/Feb/2015 às 12:10

      NESTA PESEUDO CIVILIZAÇÃO DE M GERALMENTE MICO SE APLICA QUANDO O ABUSADO É MULHER, GAY E/OU TRABALHADOR.

      • Totalmente sem sal Postado em 10/Feb/2015 às 15:54

        Não necessariamente. Quantos videos vemos de caras bebados pagando mico. Tentando brigar e caindo. Dançando feito idiotas... isso é mico. Não tem nada a ver com mulher ou gay ou coisa do tipo...

      • eu daqui Postado em 11/Feb/2015 às 09:19

        totalmente sem nada, não finja que não entendeu minha colocação. Isso não é ganhar o debate. É nem tentar entrar nele.

    • Poliana Postado em 10/Feb/2015 às 13:42

      Penso igual. .. o povo faz auê e distorce tudo atualmente...

    • Ahmad MH Postado em 10/Feb/2015 às 14:40

      Justamente.. ela poderia ter cantado um pagode do Molejo (mico), vomitado, dançado em cima da mesa, falado pra todo desconhecido que "ama eles" ou todo e qualquer mico que todo bêbado faz. As pessoas que automaticamente deduziram que teria algo a ver com sexo.. Se tivessem colocado a imagem de um homem, teria essa conotação? Talvez se colocasse um morenão fortão lá atrás fazendo olhares.. (hahaha). Mas os preconceituosos sempre verão preconceito.. e disso NINGUÉM fala.

      • eu daqui Postado em 11/Feb/2015 às 09:22

        Pensa primeiro em sexo quem gosta disso. Se não é pra vc, também não lamento por vc.

  3. Adriano Lemos Postado em 10/Feb/2015 às 11:26

    Concordo com o Luiz! Pura hipocrisia, polêmica barata, gente que tumultua por não ser capaz de interpretar uma peça publicitária! Brasil provinciano! A peça trata apenas de arrependimento, por algo que foi feito consensualmente. Não faz referência a violência. Aliás, se há violência na peça, é uma violência moral cometida pelas mulheres ao fundo, zombando da pessoa que pagou um suposto mico. Machismo????? Onde?????

    • eu daqui Postado em 11/Feb/2015 às 09:20

      Machismo das mulheres, ora.

  4. Alessandro Postado em 10/Feb/2015 às 11:30

    Tudo vagabundo...molecada geração todynho que se acham os tais mas não conseguem tirar 1 na prova do enem, precisam de surra sou a favor de voltar a lei da palmada, por isso temos uma geração de burross que se acham

    • Alexandre Postado em 10/Feb/2015 às 11:49

      Hein?

    • Vinícius Postado em 10/Feb/2015 às 13:00

      Alessandro tá se achando aqui

    • Pedro Postado em 10/Feb/2015 às 15:08

      bem com essa argumentação e gramatica horriveis, acho que você não pode falar nada de quem tira 1 na prova do enem

  5. Seu Zé Postado em 10/Feb/2015 às 11:36

    Quer que eu desenhe?

  6. Rodrigo Postado em 10/Feb/2015 às 11:40

    (Outro Rodrigo) Como sempre digo, precisamos buscar uma mínima constância no discurso, a fim de que não fiquemos a nos contradizer a todo o tempo: há poucos dias Cynara Menezes postou que acha "simples evitar arrastões. se você tem medo de arrastão, não vá à praia. se for, não leve nada, só o necessário, ou vai pagar de TROUXA.". Afinal, a culpa é ou não é da vítima? De meu lado, sei que há situações em que a vítima até pode ter se conduzido de modo a revelar o que o Código Penal chama de "injusta provocação" (à qual o agente reagirá), mas tal conduta da vítima jamais fará com que o crime do agente deixe de existir (valerá apenas como causa de diminuição da pena, em casos de homicídio e lesão corporal, mas jamais, claro, de estupro). E, de toda sorte, pautando-nos pela racionalidade, mas não pelo "8 ou 80", sabendo diferenciar o que realmente é provocação injusta ou não, que ao menos adotemos uma postura defensiva, cautelosa, para com nós mesmos, nossa saúde, integridade física, psíquica e nosso patrimônio - o agressor apenas aguarda a oportunidade para agir e, por mais que ele seja preso e condenado, a agressão sofrida jamais será apagada (não falo em culpa da vítima, mas em cuidado).

  7. André Postado em 10/Feb/2015 às 12:51

    Pessoas preconceituosas enxergam preconceito onde não há, assim como os culpados enxergam culpa aonde não tem. O maior problema é que com essa febre contra todas as formas de preconceito, certas pessoas parecem encontrar cabelo em ovo e não percebe que uma manifestação democrática não deixa de ser ridícula só por conter a palavra "democrática". Mas nem tudo está perdido, você pode estudar =]

  8. Thiago Teixeira Postado em 10/Feb/2015 às 20:37

    Não seis quais intensões essa campanha teve, mas que deveria existir uma punição severa para moleques que divulgam imagens íntimas ... isso deveria.

  9. Roberto Postado em 11/Feb/2015 às 10:10

    Onde se falou em abuso, sexual ou não? Ou em violência contra a mulher? Não vi nada disso! Só vi menção a "mico". A pessoa bebe além da conta, "paga mico", dá vexame e não quer ser alvo de críticas? Criticar o comportamento de um bêbado não é bullying.

  10. André Postado em 11/Feb/2015 às 21:37

    Quanto mimimi! Mamãe, o tunico me bateu... Se essa propaganda é "machista", as campanhas de trânsito que mostram carros destruídos são o quê? As campanhas contra DST's que mostram órgão sexuais doentes, são o quê?

  11. André Postado em 11/Feb/2015 às 21:40

    Ah, o filme "eu sei o que vocês fizeram no verão passado" é preconceituoso, machista, homofóbico, xenofóbico, vexatório e outros, Só pelo título... A f f f f PP, a central do Mi mimi no mundo!