Redação Pragmatismo
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Mobilidade Urbana 20/Jan/2015 às 19:00
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Como a Alemanha mudou sua visão sobre as ciclovias

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A bicicleta é um importante meio de transporte na Alemanha, sendo usada para percorrer em média 10% de todas as distâncias no país. Em algumas cidades, são quase 30%. Mas, antes de chegar a esse grau de utilização, ela enfrentou resistências, assim como no Brasil.

A primeira ciclovia da Alemanha foi construída em 1935 em Berlim, visando os Jogos Olímpicos do ano seguinte. O objetivo era tirar os ciclistas das ruas e abrir espaço para os carros. Assim surgiu também a tendência de priorizar o carro como meio de transporte nas cidades alemãs. Somente na década de 1980 essa visão começou a mudar, e a bicicleta deixou de ser um objeto de recreação para ser vista como um meio de transporte. Mas essa mudança não se deu sem resistências.

Leia também: Os incontáveis benefícios das ciclovias

Durante muito tempo, andar de bicicleta era visto como uma atividade turística marginal ou uma recreação para crianças e jovens. Apenas nos últimos anos, a visão de que a bicicleta pode resolver uma grande parcela de problemas políticos e sociais conseguiu se impor“, afirma Stephanie Krone, porta-voz do ADFC, a principal associação de ciclistas da Alemanha.

Em Berlim, conflitos entre motoristas e ciclistas ainda existem, e de vez em quando há resistência à abertura de ciclovias, por exemplo quando elas preveem o fechamento de ruas destinadas aos carros ou o fim de vagas de estacionamentos. Em julho do ano passado, um ciclista foi espancado pelo motorista de um carro, numa das avenidas mais movimentadas da cidade, após a bicicleta, que seguia na ciclovia localizada no lado direito da rua, ter esbarrado no veículo.

Políticas para a bicicleta

Para evitar uma guerra no trânsito, a prefeitura berlinense desenvolve campanhas educativas para estimular o respeito mútuo. Além disso, monitora o trânsito para identificar complicações e fazer ajustes para melhorar o fluxo. Em 2014, lançou uma campanha na internet para identificar pontos de risco para os ciclistas, e os próprios moradores podiam informar onde esses pontos ficavam.

Quando vagas de estacionamento para carros são eliminadas, a prefeitura procura compensar a perda com estacionamentos subterrâneos ou em prédios, caso haja necessidade. “Nós incentivamos a bicicleta, que é um meio de transporte saudável e bom para o meio ambiente e, por isso, achamos correto, em alguns casos, tirar vagas de estacionamento para construir ciclovias. A prioridade das políticas de mobilidade urbana em Berlim não está somente com os veículos automotores, mas também com as bicicletas“, afirma Petra Rohland, porta-voz da secretaria.

Ela diz que a atual prioridade é ampliar o sistema de ciclovias, com o objetivo de permitir que o ciclista se locomova por toda a cidade de forma rápida e segurança. Essa rede integra caminhos que cortam parques e praças e também passam por ruas.

Ampla malha cicloviária

Um dos aspectos que facilitam e estimulam o uso da bicicleta na Alemanha é a ampla rede de ciclovias, para curtas e longas distâncias. A construção é dividida entre os governos federal, estadual e municipal. As prefeituras são responsáveis pela criação e manutenção dos caminhos nas cidades, enquanto aos governos federal e estaduais cabem as ciclovias ao longo de rodovias federais e estaduais. Como não há um órgão de controle central, não se conhece o tamanho da malha cicloviária no país, segundo o ADFC. Há apenas dados locais.

Em Berlim, por exemplo, são 670 quilômetros de ciclovias e, com o aumento da demanda nos últimos anos, a prefeitura prevê expandir ainda mais a rede. De acordo com a Secretaria Estadual para Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, entre 2001 e 2013 houve um aumento de 44% no trânsito de bicicletas na cidade. “O ciclismo está crescendo, por isso é preciso dar mais espaço para a bicicleta, ampliando a infraestrutura. Berlim já é uma cidade de bicicletas, mas nós queremos melhorar as condições para que se torne a cidade amiga da bicicleta na Europa“, afirma Rohland.

No Brasil, o incentivo ao uso da bicicleta como um meio de transporte também vem crescendo em algumas cidades, mas ainda há muito para ser feito. Além da falta de infraestrutura, de políticas públicas e de investimentos, ciclistas reclamam que a bicicleta não é vista como um meio de transporte para o uso cotidiano nas ruas.

Só a estrutura em si não é suficiente para mudar essa cultura. É preciso que os investimentos nessa área venham acompanhados de planejamento, da mudança de comportamento e de campanhas de promoção da bicicleta nas escolas e empresas“, reforça Luis Cláudio Patrício, um dos fundadores da União de Ciclistas do Brasil.

Além de reduzir o trânsito e a poluição, andar de bicicleta faz bem à saúde. Na Alemanha, estudos mostram que ela pode reduzir em cerca de 2 mil euros por pessoa o gasto com tratamentos de doenças provocadas pela obesidade ou falta de exercício físico.

Clarissa Neher, DW

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Comentários

  1. Thiago Lopes Postado em 21/Jan/2015 às 02:14

    Cadê o Thiago Teixeira pra falar merda? Vem, idiota paga pau de PM, vem falar suas asneiras cotidianas.

    • Thiago Teixeira Postado em 21/Jan/2015 às 07:35

      Vai se danar seu morfético, torço para um gambé dar uma cossa em você na rua, seu mauricinho.

      • Gabriel Gabo Postado em 21/Jan/2015 às 08:23

        Que fofo os Thiagos se amando!

      • Thiago Lopes Postado em 21/Jan/2015 às 09:58

        Hahahahaha me divirto com sua cara, Thiago. Se um gambé me dar uma cossa, eu te aviso: vc vai morrer de inveja.

      • eu daqui Postado em 21/Jan/2015 às 13:19

        Que diabo é gambé?

      • Thiago Teixeira Postado em 21/Jan/2015 às 13:50

        Mina, gambé foi um termo utilizado na década de 80 pelas torcidas organizadas para se referir aos policiais. Hoje, em muitos estados, se chama policial militar ou civil de "gambé"!

      • Gustavo Postado em 21/Jan/2015 às 15:18

        Thiago, algum comentário sobre o PM que assassinou o Ricardinho Santos (Surfista da Guarda do Embaú)?

      • Jonas Schlesinger Postado em 21/Jan/2015 às 17:01

        Entendi gambá. '-'

  2. rafael Postado em 21/Jan/2015 às 08:41

    Bicicleta é ótimo sim, mas não em todos os lugares. O Brasil é um país com relevo muito diversificado. Andar em algumas ruas de BH de bicicleta requer um preparo físico de altíssimo nível devido à algumas subidas. Outro problema é a temperatura. Na alemanha vc pode andar de terno e gravata de bibicleta...tente fazer isso aqui no Brasil...Eu acho que as empresas também devem se adaptar ao ciclista, proporcionando algumas duchas pelo menos.

    • Igor Postado em 21/Jan/2015 às 10:21

      Naro Solbo Deixe esse seu bairrismo desnecessário de lado, meu amigo.

    • Gabriela Franceschini Postado em 21/Jan/2015 às 10:51

      Bicicleta elétrica resolve o problema nas ladeiras. Carrega como um celular na tomada

    • Paulo Postado em 21/Jan/2015 às 12:00

      Rafael, concordo com a sua colocação com relação às empresas, que as mesmas tem que se adequar, tanto que há um projeto na Prefeitura de São Paulo que visa conceder desconto no IPTU de prédios comerciais que instalarem vestiários e bicicletários. Agora, uma alternativa para superar as grandes distâncias e o relevo das cidades brasileiras é a interligação entre a bicicleta e outros meios de transportes.

    • poliana Postado em 21/Jan/2015 às 22:21

      Não..ainda n tinha visto sua versão bairrista. Hehehe. Ficou fofinho...menos sisudo do q a versão tradicional. Rsrsrs

    • Ediane Postado em 22/Jan/2015 às 01:17

      Rafael, o que tem que se adaptar são as empresas com o clima que temos! Terno é padrão europeu, onde o clima é frio, mas como fomos colonizados por eles, temos esse costume estúpido em vestir roupas que não condiz com a temperatura do nosso maravilhoso país tropical.

    • poliana Postado em 22/Jan/2015 às 09:09

      Naro*

  3. Gavinho Postado em 21/Jan/2015 às 10:23

    O apoio ao uso de bicicletas é pró elites! Ou será que alguém acha que os bacanas com seus carros de luxo, BMW e Mercedes, alguns blindados vão deixar o carro em casa e usar a bicicleta?? Percebam, os mal informados abraçados aos mal intencionados querem que eu tire meu Clio das ruas para sobrar mais espaço para as SUV, simples assim... Bicicleta é para quem não tem filhos na escola, horário para trabalhar e pode andar suado numa boa, hippies, "!bichos grilos! e os iludidos de sempre. Uso bicicleta na praia, é muito bom.

    • Kurt Postado em 22/Jan/2015 às 16:32

      Não meu caro, bicicleta é para aqueles que podem utiliza-la no dia a dia, de forma a tornar o trânsito menos emperrado e ganhar qualidade de vida através de uma atividade física. Quem não pode, não faz. A criação de ciclovias ou campanhas para o uso de bicicletas não torna-a obrigatória. É um infeliz aquele que, enquanto anda em sua bicicleta, fica com inveja do cara que passa de SUV.

  4. Eliezer Postado em 21/Jan/2015 às 10:51

    No Brasil o difícil é chegar vivo em casa se colocarem ciclovias em toda cidade.

  5. Jonas Schlesinger Postado em 21/Jan/2015 às 11:12

    Que bobagem. Prendam os ladrões e depois falamos em ciclovias. Seus estúpidos que só gostam de aumentar imposto e roubar dinheiro público.

    • eu daqui Postado em 21/Jan/2015 às 13:18

      Isso: prendam os criminosos que roubam e os que atropelam também pra depois vir sugerir bicicleta.

  6. Pereira Postado em 21/Jan/2015 às 13:14

    Lá eles fazem ciclovias descentes; aqui o Haddad só pinta de vermelho uma faixa numa avenida esburacada. Eu gosto de ciclovias.

    • Jonas Schlesinger Postado em 21/Jan/2015 às 17:04

      Lá tem, além de descentes, ciclovias ascendentes. Tudo vai depender se tiver subindo uma ladeira ou não. Agora se o sentido for "bem feito" então use decente. Não passe vergonha. Fui.

      • Gustavo Henrique Postado em 21/Jan/2015 às 23:20

        Isso mesmo Jonas, saber escrever é essencial heehehe

  7. Pereira Postado em 21/Jan/2015 às 13:15

    Outra coisa, a cor universal de ciclofaixas não era vermelho ? por que as da alemanha são da cor do asfalto ?

  8. Pereira Postado em 21/Jan/2015 às 17:13

    então use "têm" e não "tem" para o plural. Antes de corrigir o erro de digitação dos outros, olhe para o prórpio rabo.

    • outro Rafael Postado em 22/Jan/2015 às 09:12

      Cara, lamento dizer, mas o correto é "tem" mesmo. Vamos lá: "Os países têm ciclovias." "O país tem ciclovias." Como ele disse 'lá', ele se referiu a um lugar apenas. O verbo concorda com o sujeito.

  9. Pereira Postado em 21/Jan/2015 às 17:16

    Enquanto você escreve 10 letras, eu escrevo 10 palavras. Erros de digitação acontecem. Jamais cometeria esse erro se o texto fosse em caráter formal.

    • Jonas Schlesinger Postado em 21/Jan/2015 às 18:55

      "Lá tem..." eu me refiro aqui a Alemanha. Portanto, é no singular. Não passe vergonha e na próxima tenho certeza que vc não tirará outro 0 na prova. Fui.

    • outro Rafael Postado em 22/Jan/2015 às 09:13

      Pereira, quem você quer convencer?

  10. meia-noite Postado em 22/Jan/2015 às 00:47

    ...porque há uma foto de Londres?

  11. Marta Macedo Postado em 22/Jan/2015 às 07:39

    Bicicleta é coisa séria. Não é apenas fazer uma faixa e pronto. Esta faixa deve sair de um ponto e levar a outro. Aqui em Bhz as faixas saem de um lugar e levam a lugar nenhum. Vc n consegue faixa p ir p universidade, para o centro...as avenidas são tão estreitas q nem o ônibus cabe na faixa. Claro q na Pampulha tem ciclo via ,mas é muito ,muito ruim. Ela só serve p passear. Deram até um prêmio a Marcio Lacerda por essa porcaria e tb pelo MOVE q é uma vergonha. Então...é impossível trocar nada por nada!

  12. Pereira Postado em 22/Jan/2015 às 09:03

    "Lá tem, além de descentes, ciclovias ascendentes". Lá tem ciclovias ascendentes, oração deslocada. O "tem" concorda com ciclovias e não com Alemanha. Faltou aula básica de português; eu cometi um erro de digitação. Coisas muito diferentes.

  13. Pereira Postado em 22/Jan/2015 às 09:06

    "eu me refiro aqui a Alemanha." Olha esse erro de digitação aqui, muito comun(Já cometi vários). Comece a oração com letra maiúscula "Eu me....".

  14. Pereira Postado em 22/Jan/2015 às 09:13

    Eu sabia que esquerdista tinha problema com matemática e português básico. O Emir Sader escreveu "Getulho","Expoliação", entre outros, e vocês o consideram um gênio.

  15. Pereira Postado em 22/Jan/2015 às 09:16

    O sujeito ainda quer tentar me humilhar, é dose !!!

  16. Pereira Postado em 22/Jan/2015 às 09:31

    "eu me refiro aqui a Alemanha". Se "Alemanha" está completando "refiro", use crase. Se você quis dizer "na" esqueça. Ficou confusa essa parte.

  17. Thiago Teixeira Postado em 22/Jan/2015 às 10:32

    Porra galera, entrei no site do Pasquale?

  18. Pereira Postado em 22/Jan/2015 às 10:40

    Desculpa Thiago, é que o sujeito ali tentou me humilhar com um erro de digitação. Ele comete mais erros que eu e não olha para o rabo. Só tentei exercer meu direito de resposta.

  19. Pereira Postado em 22/Jan/2015 às 11:31

    Da onde ? o "tem" está concordando com ciclovias no plural.

  20. Pereira Postado em 22/Jan/2015 às 11:50

    "Lá tem, além de descentes, ciclovias ascendentes". Sem deslocar: Lá têm ciclovias ascendentes, além de descentes. Ou poderia ser assim: Lá têm ciclovias ascendentes e descentes. Ou ainda: Lá, na Alemanha, têm ciclovias ascendentes e descentes.

  21. Sah Veiga Postado em 22/Jan/2015 às 13:11

    Naro, não é que você não tenha razão, mas eu prefiro que se tenha um começo, que se pinte tudo e faça um espaço para a bike e depois se aperfeiçoe do que não ter nada. Ao que me parece, você já veio a São Paulo, por isso deve saber que o trânsito aqui não é fácil para carros e motos, imagine como é para bikes? Eu ando 10Km para ir e 10Km para voltar do trabalho. Se não fosse a consciência que as pessoas vem adquirindo depois da campanha a favor das ciclovias, provavelmente eu seria mais uma bike branca em algum poste.

  22. Pereira Postado em 22/Jan/2015 às 14:04

    “Eu sei onde tem doces.” A frase em questão apresenta um erro comum: usar o “ter” com sentido de “existir”. Esse emprego é considerado coloquial, portanto, em uma redação, não deve ser feito. fonte: http://soumaisenem.com.br/redacao/lingua-e-linguagem/o-uso-dos-verbos-ter-haver-e-existir

  23. Pereira Postado em 22/Jan/2015 às 14:06

    De qualquer forma o emprego do verbo "ter" no sentido de "existir" não é aconselhável.

  24. Jonas Schlesinger Postado em 22/Jan/2015 às 14:42

    kkkkkk coitado. Calma, Pereira. Foi só brincadeira. Não quis te humilhar. Fique sossegado. E saiba que eu não sou de esquerda. Flws.