Redação Pragmatismo
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Bolsa Família 12/Nov/2014 às 19:23
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Beneficiária do Bolsa Família: "assistência ajuda, mas preciso trabalhar"

“Bolsa Família ajuda, mas eu tenho que trabalhar", diz beneficiária. Cabeleireira, depiladora e manicure, Luciana Rodrigues encara com bom humor os comentários de que beneficiários do programa sejam acomodados

Luciana Cabeleireira bolsa familia
Luciana Alcântara Rodrigues, Cabeleireira – Beneficiária do programa Bolsa Família (Imagem: Pragmatismo Político)

Cabeleireira, depiladora e manicure que acumula dois empregos, dona de casa, esposa e mãe de Érica (13), Luciana Alcântara Rodrigues (32) é uma batalhadora. Ela faz parte do Bolsa Família desde 2006 e encara com bom humor os comentários de que beneficiários do programa sejam acomodados.

Quem acredita que as pessoas que recebem o Bolsa Família não precisam trabalhar, não conhece a realidade no Brasil. O benefício é uma ajuda, mas ele não supre tudo. Quem recebe precisa trabalhar para conseguir se manter. Eu, por exemplo, fui correr atrás, fiz os cursos que eu pude e agora posso trabalhar para mim”, comemora. “Eu não parei só com o dinheiro do Bolsa Família. Eu não fiquei só esperando o governo me dar o dinheiro, eu fui batalhar”, enfatizou.

VEJA TAMBÉM: As diferenças entre Bolsa Escola e Bolsa Família

Luciana lembra que começou a receber o benefício quando a filha ainda era pequena. Ela havia se separado do pai da criança e cuidava da filha sozinha: “Eu fazia faxina para fora e cuidava da Érica. Fazer o cartão do Bolsa Família me ajudou nas contas da casa. Com o que eu ganhava, eu comprava comida, pagava água, luz… eu ainda tinha que bancar o aluguel, alguém para ficar com a menina. Foi uma época muito difícil”, lembra. Luciana recebe hoje R$ 112,00 por mês, o que a ajuda a manter a filha na escola. A menina sonha em ser veterinária.

Pronatec

Com o tempo, Luciana aprendeu a fazer o trabalho de manicure sozinha. Foi quando conseguiu emprego em um salão de beleza em Luziânia, em Goiás, entorno de Brasília. Ela buscou qualificação para o ofício nos cursos do Pronatec/Brasil sem Miséria, iniciativa criada em 2011 pelo governo federal para promover a capacitação técnica da população mais pobre, principalmente daquela que recebe o benefício mensal do Bolsa Família. Desde então, a medida beneficiou mais 1,5 milhão de pessoas.

Foi pelo Pronatec que Luciana fez cursos de depilação e maquiagem, no centro comunitário do Jardim Ingá, em Luziânia. Na mesma época, ela se matriculou no curso de cabeleireira oferecido pelo Senac. Segundo ela, os cursos do programa oferecem capacitação profissional importante para o público destinado.

Os cursos são muito bons, a professora é muito dedicada, só não aprende mesmo quem não quer”, afirma. A moça destaca também a ajuda financeira de R$ 6 por dia para passagem e a alimentação dos alunos dos cursos, tornando viável a conclusão das capacitações.

De acordo com a cabeleireira, a conclusão desses cursos profissionalizantes permitiram seu empoderamento. Com o dinheiro do Bolsa Família e do seu trabalho, ela comprou geladeira, fogão e micro-ondas para casa, além dos equipamentos necessários para montar o seu próprio salão, nos fundos de casa, como cadeira de lavagem e secadores.

Como muitos outros, Luciana espera não precisar mais do benefício daqui a algum tempo, para assim, o benefício poder ajudar outra pessoa que passe pelas mesmas dificuldades vividas por ela, que se diz cada vez mais independente: “Meu sonho é me tornar uma empresária bem sucedida”, concluiu.

Vídeo:

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Comentários

  1. Rodrigo Postado em 12/Nov/2014 às 20:17

    Não sei por que no Brasil as pessoas que recebem bolsas auxílio tem que ficar se justificando, se em todo o mundo existe este tipo de auxílio. Nos EU que são capitalistas selvagens tem, imagine se o Brasil não poderia ter. Isto tem impulsionado a economia, aqueles que mal comiam podem complementar sua alimentação gerando um mercado com este dinheiro. Eu sou contribuinte, nunca precisei, certamente não precisarei, entretanto eu apoio a população necessitada.

    • Terra Postado em 12/Nov/2014 às 22:10

      Faca das suas palavras a minha, fico doente de ver tanta discriminação contra as pessoas que recebe esse ajuda como se fossem criminosos se o Brasil seguisse a norte-americano ja tinha feito uma lei pra por presso esse povo que ficam discriminando essas pessoas. E triste e vergonhoso ver algumas pessoas com essa mentalidade tao mesquinha, e muitos se dizem temente a Deus, jesus e bla, bla

  2. Eduardo Postado em 12/Nov/2014 às 21:58

    Rodrigo porque aqui os que não precisam tem o prazer de humilhar aqueles que precisam, aqueles que não precisam tem a cara de pau de achar que todo aquele que precisa é vagabundo e vadio, porque aqui a justiça não age como deveria agir nos casos de preconceito, difamação e calúnia, pois só agem se houver denúncia.... ora vemos todos os dias na rede as mais absurdas ações de preconceito, injúria e difamação, onde se tem perfil dos que a fazem e ainda assim é necessário que se tenha uma denúncia.... ora a própria rede é prova do crime o que querem mais??????

  3. Pedro Postado em 13/Nov/2014 às 02:09

    Só eu notei que o sonho dela é fazer parte da burguesia e deter os meios de produção? kkkkkk

    • Lann Postado em 13/Nov/2014 às 09:46

      Queria que o sonho dela fosse ser Hippie? Se todo mundo pudesse ter seus pequenos negócios e prosperar, em vez dos conglomerados multimilionários que sugam nosso dinheiro pra andar de jato até pra ir na padaria (A padaria tem que ser Francesa, né) O mundo seria bom. Não?

  4. Daniel do N. Duarte Postado em 13/Nov/2014 às 10:04

    Triste mesmo são os "juízes" e desembargadores receberem o auxílio-moradia, de R$ 4.377,73, mesmo morando em residência própria. Engraçado que sobre isso a população até fica indignada para se restringe a indignação, somente isso.

  5. Elizabeth Aquino Marques Postado em 13/Nov/2014 às 11:21

    É verdade ...Aliás uma moça forte e tão trabalhadeira com essa não precisa de Bolsa Família, a Bolsa Família deveria ser melhor e destinada a pessoas mais carentes que moram em lugares áridos sem água sem recurso e sem trabalho ...

    • Patrícia Postado em 13/Nov/2014 às 20:20

      Desculpa, mas quem é vc pra falar quem precisa ou não? Se ela se enquadra nas exigências de renda, ela pode receber. Mania que o povo tem de achar que se não está morrendo de fome e de sede, tudo bem. Ela espera não precisar mais, mas ainda precisa. Não sabemos a situação de cada um pra ir medindo com as nossas réguas.

  6. Danila Postado em 13/Nov/2014 às 11:58

    Tem muita gente que critica o benefício por "modismo". Assim como muita gente critica o governo da Dilma. Porque hoje é moda dizer que tudo é culpa do PT. Eu não votei nela, e tenho minhas convicções quanto ao partido dela. Mas tem que ser muito cego (por opção) para não ver tudo que esse governo tem feito pelos mais pobres. Especialmente em oportunidades para educação... como o FIES. Mas assim como as cotas raciais, eu continuo achando que o Bolsa Família deveria ser temporário. Algo para resolver o problema de imediato. Não vejo preocupação em resolver o problema a longo prazo. Como por exemplo, um estudo para diminuir a carga tributário no nosso país. Isso impacta diretamente no consumo da população. Uma pessoa que poderia comprar 2 pacotes de arroz, compra só um... pois o produto é encarecido pelo imposto. Enfim... é alto trabalhaso, mas necessário. Porque assim não seria necessário uma redistribuição de renda.

    • Thiago Teixeira Postado em 13/Nov/2014 às 20:35

      Muito bom o seu comentário! E bem pragmático.

  7. Danila Postado em 13/Nov/2014 às 12:02

    * é algo trabalhoso

  8. Rafael Postado em 14/Nov/2014 às 11:30

    Vale lembrar que se o bolsa familia fosse justo, todos ganhariam uma ajuda de custos igual, sendo que no Brasil tem regiões em que o bolsa familia é de um salario minimo ( R$ 740,00 em Média ). É facil comprar voto dando bolsa familia, o dificil é assumir isso em publico.