Redação Pragmatismo
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Direita 25/Feb/2014 às 09:57
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Radicais de direita destroem homenagem a soldados que combateram nazismo

Ucranianos derrubam monumento erguido para soldados que lutaram contra nazismo. Em oposição a Yanukovich, grupos de ultradireita comandam ações na capital Kiev para retirar lembranças da União Soviética

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Monumento em homenagem a soldados que lutaram contra nazismo (Stryi.com.ua)

O “Soldado Soviético”, monumento erguido na Ucrânia em lembrança às tropas que lutaram contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial, foi derrubado neste domingo (23/02) na região oeste do país. O ato foi realizado por opositores ao presidente Viktor Yanukovich e ligados à ultradireita europeia. O objetivo, segundo os próprios manifestantes, é “limpar símbolos da União Soviética”. “Nós não somos a Rússia nem soviéticos”, cantavam durante o protesto.

As informações foram noticiadas pelos portais Stryi e RT; clique aqui e veja o vídeo da praça já sem o a obra em homenagem aos soldados.

A queda do monumento na cidade de Stryi é mais um episódio envolvendo as diferenças políticas no país. Diversos especialistas confirmam que, além dos problemas sociais e econômicos, o embate ideológico e cultural da população foi o principal estopim da crise.

As ruas de Kiev foram tomadas nas últimas semanas por opositores a Yanukovich, que, ligados à ultradireita da Europa, defendem um projeto liberal, de abertura de mercado e afastamento da Rússia.

Esse posicionamento ganhou apoio da UE (União Europeia) e de credores internacionais. A Ucrânia é um importante polo energético da Europa e desperta o interesse do mercado financeiro. Foi esta corrente – que assume sua vertente nazista – que derrubou monumentos soviéticos ao redor do país e rechaça trégua com Yanukovich.

Na posição dos opositores, que tomaram violentamente às ruas de Kiev por semanas, se associar ao bloco europeu e às políticas liberais europeias representaria “liberdade econômica e social” e um completo rompimento com a Rússia. O vídeo “Eu sou uma ucraniana” com uma jovem que contesta o presidente Yanukovich virou viral na internet – com mais de 6 milhões de visualizações – exemplifica a demanda dos manifestantes.

Como consequência da crise, o Parlamento destituiu o presidente Viktor Yanukovich na manhã de ontem (22) após semanas de pressão, dando contornos dramáticos a situação política da Ucrânia. Hoje, Alexandr Turchinov, líder do Parlamento e aliado da ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko, foi nomeado presidente interino do país. A nomeação foi aprovada por 285 dos 339 deputados presentes no plenário.

Solange Reis, coordenadora do Opeu (Observatório Político dos EUA), afirma que o que está em curso no país não é um levante popular, e sim um golpe da ultradireita, fomentado pelas potências ocidentais.

“O que está acontecendo na Ucrânia é uma clara derrubada do governo com ajuda externa”, disse. De acordo com a especialista, a “tendência é olhar isso como uma manifestação popular para mudança de um regime. No entanto, as forças políticas de extrema-direita que participam nas manifestações têm forte influência de potência ocidentais, sobretudo União Europeia e EUA”.

Dodô Calixto, Opera Mundi

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Comentários

  1. Caio Postado em 25/Feb/2014 às 11:06

    Entendo a justificava anti-soviética. Mas tbm tem um partido de orientação antisemita, bom ficar com um pe para trás, pois podem entrar na onda anti-sovietica e assumir o poder.

  2. Julio Postado em 25/Feb/2014 às 12:30

    Tem algo que me chama muita atenção. Especula-se que a ultra-direita ucraniana está tomando o poder com ajuda dos EUA. Sabemos a "interpretação ética" duvidosa do governo estados unidense, mas tenho lá minhas dúvidas se eles estão apoiando grupo nazistas.

  3. Antonio Palhares Postado em 25/Feb/2014 às 13:33

    É fácil cuspir no prato que se comeu. Quando foram invadidos, massacrados e dominados pelos nazistas, nenhum país europeu os ajudou. Pois a poderosa maquina de guerra do Hitler também se colocava sobre eles. Quem os livrou? Foram os Russos que venceram os Nazistas. Agora é fácil falar de liberdade.

    • Fizófolo de Apucarana Postado em 25/Feb/2014 às 16:17

      Quem os livrou, Antonio? Os mesmos que os escravizavam e continuaram os escravizando: russos! Dica de pesquisa: Holodomor.

    • Elias Postado em 25/Feb/2014 às 21:36

      Os comunistas mataram mais Ucranianos que os Nazistas, estude história por favor.

      • Bruno Postado em 25/Feb/2014 às 23:01

        Hitler planejava o extermínio de 65% da população da Ucrania, envolvendo expulsão ou utilização do restante da população não germanica em trabalhos forçados. Não minimize os extremos no nazismo pra sustentar sua teimosia com o comunismo. A União Soviética agiu de forma cruel em relação a Ucrania, mas não se pode usar um para minimizar as catástrofes causadas por outro. Estude história, por favor.

      • Cristiano Postado em 25/Feb/2014 às 23:10

        Fonte, por favor?

      • ivan Postado em 26/Feb/2014 às 07:34

        Estuda você, coxinha. Para início de conversa, nem ucrânia existia antes da segunda guerra. era tudo URSS da romenia ate a siberia

      • Marcelo "Russo" Ferreira Postado em 26/Feb/2014 às 08:53

        E os capitalistas matam o tempo todo, até hoje!

      • Yohan Postado em 26/Feb/2014 às 09:27

        Pode nos dar a fonte desta informação Elias ? Não estou duvidando da informação, apenas gostaria de poder ler direto da fonte. Obrigado

      • Thiago Teixeira Postado em 26/Feb/2014 às 09:51

        Tem fonte sim Yohan, entre no blog do Reinaldo Azevedo, lá ele explica tudinho!

  4. Cauê Livi Postado em 25/Feb/2014 às 14:19

    A interferência externa num país é realmente um mal. Ocorreu no tempo dos feudos; ocorre no tempo dos blocos econômicos; ocorrerá sempre. O direito à autodeterminação é um dos mais importantes direitos dos Estados e das nações que são protegidas por aqueles. Agora, não me parece evidente que a retirada das homenagens mencionadas deve-se ao fato de os soldados terem lutado contra o nazismo. Trata-se, parece, de uma questão de extinguir qualquer vínculo com um país que, como os EEUU em relação a outros, interfere com força econômica nas tomadas de decisões de um Estado que se diz soberano. Lembrando: a interferência na Ucrânia do vizinho ao norte é tão questionável quanto a dos vizinhos do ocidente.

    • Antonio Palhares Postado em 26/Feb/2014 às 11:00

      Sr. Elias depende da fonte . Quem quebrou a coluna vertebral dos Exercitos Nazistas foram os Russos. Quando os aliados chegaram na Europa os Nazistas não eram mais aquela "Brastemp" toda ou seja eram tipo Net. Você tem razão, é uma questão de estudar e contextualizar história.

    • Antonio Palhares Postado em 26/Feb/2014 às 11:12

      Prezado Cauê. A geografia tem importância vital no destino das nações.A Ucrânia tem muitos dezessete por cento de russos. Na Crimeia ao sul esta porcentagem é maior. La esta ancorada a esquadra Russa na base de Sebastopol no mar negro. A única saída para o mediterrâneo. Pergunta: Vocês acham que os Russos vão perder isto fácil? Vamos esperar os proximos acontecimentos. Sem contar que se a Ucrânia entrar para a comunidade Européia, sera mais uma Grécia da vida.

  5. Thiago Teixeira Postado em 25/Feb/2014 às 18:45

    O radicalismo da ultradireita deu exemplo de serem diferenciados aos "vândalos" da esquerda. Plano de rigging, ruptura dos chumbadores, Caminhão munck patolado em distância segura, cabo fixado no centro de gravidade da peça, pessoas fora do raio de ação da elevação da carga, caminhão carroceria já disponível para correta destinação do "resíduo" ... parabéns!!!

  6. Gabriel Postado em 25/Feb/2014 às 19:38

    a Ucrânia tem um sistema de geração de energia extremamente deficitário e o Governo (o novo) já deixou claro sua preocupação com um possível boicote/aumento tributário de gás vindo da Rússia, principal abastecedora de energia da Ucrânia. O governo subsidia a energia, sobrecarregando as finanças públicas (que já estão mais do que negativas. Só em despesas do tipo já compromete quase 10% do PIB). Dizer que a Ucrânia é um importante gerador de energia dentro da Europa é falta de informação. Os motivos da revolta são outros e os interesses da Europa e da Rússia são de influência politica. A Rússia, que nunca se considerou parte da Europa pretende criar um núcleo de influência e livre comércio com países da antiga URSS, o que permitiria a ela se tornar uma super potência. A UE deseja ampliar sua influência politica/econômica para o oriente. O que mais me desagrada no texto, e o faz nitidamente tendencioso, são termos como "ultradireita da Europa". O autor obviamente ignora o histórico facista pelo qual a Europa passou. Falar em ultradireita dentro da Europa é como pisar em ovos, ninguém está disposto a reproduzir um Mussolini ou um Hitler. E vale lembrar que é dentro da Europa que há os mais eficientes programas sociais do mundo. Seria melhor o autor, que obviamente quer defender a Russia e atacar a UE, fazer uma abordagem sobre a crise na Grécia e a possibilidade de acontecer o mesmo com a Ucrânia. E eu ficaria emocionado se o autor lembrasse de fatos históricos como o Holomodor vivido pela Ucrânia. Se vocês acham que ucranianos morrem de amores por russos, é bom repensarem. O atrito entre os dois é grande e sangrento, e o sangue que foi derramado foi o dos ucranianos.

  7. Antonio Palhares Postado em 26/Feb/2014 às 13:37

    Gabriel você mandou bem. Ponderemos juntos. Será que o papel a ser desempenhado pela Ucrânia no projeto Russo não seria melhor e mais importante, principalmente pela sua posição estratégica?Como membro da União Europeia ela entraria apenas como fornecedora de alimentos(pois tem muitas terras férteis) e se colocaria como consumidora de manufaturados? Sem contar que os bancos da comunidade tomaria conta do seu sistema financeiro?

  8. Gabriel Postado em 26/Feb/2014 às 15:59

    Antonio, o caso da Ucrânia é escolher entre um opressor rico e um dominador cruel. O futuro da Ucrânia aliada a Rússia não é tão melhor que o aliado a UE, alias, é pior. O que você sugere é que o sacrifício da Ucrânia é razoável, pois o mundo "necessita" de uma superpotência russa. A Russia deixou de ser comunista há tempos, e a Ucrânia estar no buraco que se encontra é resultado da divisão das estatais entre altos funcionários da antiga URSS. A herança que o comunismo deixou pra Ucrânia foi um sistema obsoleto, burocrático, corrupto e desigual, que afundou o país em 20 anos de fome e miséria. Tanta gente disposta a emprestar mais de 60 bilhões pra Ucrânia não é por bondade, a Rússia não deu 15 bilhões pra Ucrânia, ela espera um retorno com juros gordos. Pra se ter uma ideia, a S&P (stand and poor's) rebaixou a Ucrânia pro nível CCC, que significa economia próxima do calote. Emprestar dinheiro nesse momento, seja quem for o credor, significa mandar sem ser questionado. Analisando um quadro geral, eu vejo mais esperanças pra Ucrânia dentro da UE do que com a Rússia. No atual cenário, a Rússia vai sugar o que pode pra se firmar como uma superpotência.

  9. Paulo F Postado em 27/Feb/2014 às 09:43

    Na minha visão a intenção dos ''radicais'' era apagar a imagem de uma União Soviética salvadora do povo ucraniano,e não glorificar o nazismo. O que os ucranianos sofreram nos invernos de 32 e 33 nas mãos dos soviéticos foi incomparável com a ocupação nazista na segunda guerra mundial,na chegada dos alemães na Ucrânia em 1941,eles foram vistos inicialmente como libertadores,como heróis de um povo oprimido e injustiçado.