Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 25/Oct/2013 às 16:07
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A amnésia súbita de Eduardo Campos

Eduardo Campos é acometido de amnésia súbita. Em sua crítica ao programa Mais Médicos, o pré-candidato se esqueceu justamente do Nordeste e do estado que governa

eduardo campos mais médicos
Eduardo Campos, possível presidenciável pelo PSB (ABr)

Na crítica que fez ao programa “Mais Médicos”, Eduardo Campos, que é presidente do PSB, pré-candidato à presidência da República e, nas horas vagas, governador do Estado de Pernambuco, afirmou com todas as letras:

“Se o Brasil hoje importa médicos, é porque ontem não viu a necessidade de organizar um planejamento estratégico na formação de recursos humanos para assistir os brasileiros do Sertão, Pantanal, da Amazônia e das fronteiras com o Uruguai”.

E emendou: “Nós precisamos reconhecer publicamente que o Brasil falhou”.

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As declarações foram dadas durante o 51.º Congresso Brasileiro de Educação Médica (em Olinda, no dia 20). O governador ombreou-se com o presidente da Associação Brasileira de Educação Médica, que chamou a Medida Provisória que instituiu o programa de “decisão autoritária”.

Curiosamente, essa foi uma das poucas declarações dadas pelo governador sobre o programa, até agora. A repercussão foi estupenda. Embora não tenha dito o nome “Dilma” e nem mesmo pronunciado a expressão “Governo Federal”, as manchetes de muitos jornais e telejornais deram uma forcinha e o ajudaram a completar a frase.

Caso o pré-candidato tenha tido dificuldades para balbuciar o nome da presidenta ou de juntar as palavras “governo” e “federal”, o problema pode ser ainda mais grave para alguém que almeja chegar lá.

Para Campos, o problema maior da falta de médicos está nas regiões do Sertão, Pantanal, da Amazônia e das fronteiras com o Uruguai. Esqueceu-se ele, simplesmente, que a maior carência está na periferia das grandes cidades. Um detalhe que afeta pelo menos 20 capitais e 151 cidades em regiões metropolitanas, onde se concentra a maior parte da população brasileira.

Conforme dados do Ministério da Saúde, só na primeira fase do programa, foram enviados 64 profissionais a Pernambuco, sendo 26 brasileiros e 38 estrangeiros. O atendimento realizado por esse grupo alcançou mais de 220 mil pessoas no estado. Isso ainda durante o período em que boa parte dos profissionais estrangeiros aguardava, para iniciar os trabalhos, a emissão do registro profissional pelos conselhos regionais de medicina.

Do total de médicos da primeira fase, 40% foram alocados no Nordeste. Em Pernambuco, 31 municípios aderiram ao programa, solicitando profissionais. Cerca de 15% de todos os médicos encaminhados ao Nordeste estão em Pernambuco. Um número bem maior começa a chegar agora, com a sanção da lei “autoritária” que permite ao próprio Ministério conceder o registro.

Uma pergunta óbvia foi esquecida de ser feita ao pré-candidato e governador: faltou planejamento a Pernambuco, também?

Como se sabe, pela nossa Constituição, o Sistema Único de Saúde reserva aos governos estaduais competências essenciais no planejamento, na coordenação e na gestão do SUS. A crítica de Eduardo Campos até agora não foi entendida como deveria ser: a autocrítica de um governador a quem cabe uma parcela fundamental de responsabilidade nesse assunto tantas vezes esquecido, chamado saúde pública.

Vamos torcer para que as instalações, os equipamentos e as condições de trabalho dos hospitais, que são a cara do planejamento da saúde de cada estado, estejam em dia na vitrine de Eduardo Campos, e que ele se lembre de expô-las, a título de exemplo.

Antonio Lassance, Carta Maior

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Comentários

  1. Juliano Postado em 25/Oct/2013 às 16:22

    e torcer pra que quando ele for expor, exponha realmente a saúde pública, e não a privada como fez com o colégio no vídeo divulgado recentemente por ele...

  2. renato Postado em 25/Oct/2013 às 17:38

    O BRASIL, não falhou, quem falhou foi a direita deste Nação. A direita falhou com o povo brasileiro. É muito diferente, do que este politico aproveitador falou, ou pensa. Ridiculo....o resto do que penso seria proíbido falar....

    • Wanderley Pereira da Silv Postado em 27/Oct/2013 às 08:49

      Todos falharam, inclusive o PT que está a mais de 10 (dez) anos no poder e não viu ou não quis ver o que estava acontecendo e como poderia ser agravado; se eles tivesse planejamento adequado, isso seria uma "arma de campanha", para esse problema já teríamos médicos suficientes para atender o nosso povo. Por outro lado, o "corporativismo" médico e hospitalar, assim como das Faculdades de Medicina Particulares, são fatores que "engessam" um bom atendimento e deslocamento de profissionais para os mais distantes lugares (carentes) do nosso país. Vejo, aqui em Pernambuco, especificamente na cidade de Garanhuns, uma Faculdade bem equipada, com tudo que se faz necessário para funcionar, teve média geral "4" (quatro) do MEC e a burocracia, juntamente com interesses outros "emperram" a sua abertura. Como culpar somente a direita? SÃO TODOS CULPADOS! E agem como o ex e quase sempre (na memória até da presidente) presidente do Brasil, LULA, que nada via e nada sabia.

    • Rodrigo Postado em 27/Oct/2013 às 18:08

      Kkkkkkkkkkkkkkkk Sempre tenho de me controlar ao ler comentários sectaristas, que variam a já superada teoria penalista do etiquetamento. Como um neo-Lombroso, ainda, separa os seres humanos entre propensos a eternos culpados e inocentes, entre pecadores e semi deuses, acima do bem e do mal. Se os cidadãos brasileiros anteriormente no poder falharam, os cidadãos brasileiros atualmente no poder não se saem muito melhor: pão e circo e currais eleitorais a cada dia mais eficientes. Enquanto não atentarmos para a unidade, para a igualdade de direitos e obrigações, seguiremos como obediente claque, aplaudindo e reverberando os chavões que nossos "líderes" vociferarem: direitista e esquerdista; homo e heterossexuais; negros e brancos; homem e mulher. Ao vemos diferenças físicas, antes de pensarmos a genética, a liberdade de escolha, a opção política como ponto fundamental de diferenciação e desculpa para se julgar melhor que o outro, mais infalível, temos de raciocinar e entender que estamos todos sujeitos aos mesmos vícios e virtudes. Não é a mera inserção neste ou naquele grupo que nos confere atestado de idoneidade ou salvo-conduto para a prática de crimes. Apesar da "casca", pois, somos todos iguais.

  3. Esdras Pereira Alves Neto Postado em 26/Oct/2013 às 12:35

    KKKK... O cara sendo pré-candidato já está falando bobagens em seus discursos, imagina quando for de fato candidato e falar em palanques como será. E lala só nesse país para ter pessoas candidatas a política nesse nível de discernimento. KKKK...