Luis Soares
Colunista
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Rio de Janeiro 26/Jun/2013 às 13:32
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Quem vai protestar contra o assassinato de inocentes na Favela da Maré?

Polícia admite que inocentes morreram na Favela da Maré. Moradores acenderam velas para lembrar das vítimas assassinadas e também para protestar contra a ação policial

A Polícia Civil admitiu que três moradores inocentes estão entre os nove mortos na megaoperação realizada por cerca de 400 agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Inicialmente, havia a informação de que dois moradores tinham sido mortos, além de um policial do Bope e criminosos.

Segundo um representante da ONG Observatório das Favelas, que funciona dentro do Conjunto de Favelas da Maré, a madrugada de terça-feira foi de terror por causa do intenso tiroteio. Jaílson de Souza e Silva conta que recebeu muita reclamação de moradores sobre a ação da polícia.

inocentes mortos favela maré

“A polícia que reprime na avenida é a mesma que mata na favela” (Divulgação)

Durante a madrugada desta quarta-feira, moradores acenderam velas para lembrar os inocentes mortos e também para protestar contra a ação policial. Nesta manhã, a promotoria de Direitos Humanos deve receber alguns moradores da comunidade que reclamaram de possíveis excessos da polícia.

Um blindado permanecia no 22ºBPM (Maré), que fica na frente da comunidade Nova Holanda, nesta quarta-feira. Durante a madrugada, a Força Nacional de Segurança montou bases nos acessos à comunidade Nova Holanda, na Avenida Brasil. O batalhão da Maré também reforçou o policiamento na região. Ao todo, nove pessoas morreram, e, segundo a polícia, cinco seriam criminosos. Além disso, outros nove suspeitos foram presos e um menor de idade apreendido. Seis pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para hospitais. Até as 7h desta quarta, três continuavam internadas.

A operação do Bope na Favela Nova Holanda começou na noite de segunda-feira após arrastão na Avenida Brasil. Moradores tentavam interditar a Avenida Brasil na altura da comunidade, em protesto à violência da polícia. A PM respondeu com bombas para dispersar o grupo. Outro grupo ligado a movimentos sociais começou manifestação com faixa dizendo que “a polícia que reprime no asfalto é a mesma que mata na favela”.

O PM do Bope foi morto na noite de segunda durante troca de tiro com criminosos. Dois suspeitos pela morte foram detidos nesta manhã durante operação na comunidade. “Acabamos de realizar uma operação e prendemos marginais acusados de atirar contra o policial. Chegamos até eles através do Disque denúncia”, disse o major Ivan Blaz, relações públicas da PM. Santos estava na corporação havia 17 anos.

– Os homens estão na Nova Holanda buscando os criminosos que na segunda-feira vitimaram um policial do Bope e atacaram motoristas na Avenida Brasil. Está sendo exaustivo. Estamos utilizando todos os nossos esforços que possamos para buscar esses criminosos. É fundamental o apoio da população – afirmou Blaz.

Segundo o subcomandante do Bope, major João Jacques Busnello, “O Bope agiu dentro dos parâmetros legais”. Ele diz que a ação é compatível com o ataque sofrido pela polícia. Em função da ação, escolas da região ficaram sem aulas na manhã desta terça. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME), oito unidades escolares não tiveram atendimento no turno da manhã no Conjunto de Favelas da Maré. As unidades atendem 6.422 alunos. Outras três unidades estão com baixa frequência de alunos. Já na região do bairro de Bonsucesso, próximo a comunidade, oito unidades também estão com baixa frequência.

Em fevereiro, após a ocupação das favelas de Manguinhos e Jacarezinho, a Secretaria de Segurança Pública do Rio chegou a anunciar que a próxima comunidade pacificada seria a Maré. No entanto, Cerro-Corá, no Cosme Velho, na Zona Sul, acabou sendo tomada pelas forças de segurança antes.

Correio do Brasil

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Comentários

  1. Isaac Postado em 26/Jun/2013 às 20:14

    RJ é uma cidade que precisa de muita mobilização, pois os abusos aos mais pobre aparentemente é muito maior, não só por parte da polícia, mas o poder público, criminalidade, descaso com as vítimas de enchentes, milicianos e vários outros problemas. Sérgio Cabral e Eduardo Paes precisam de um choque de realidade vinda das mãos da população.