Luis Soares
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Direitos Humanos 04/Apr/2013 às 19:17
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Repórter recebe cotovelada ao tentar questionar Marco Feliciano

Câmara abre inquérito para apurar agressão a repórter da EBC. Repórter Pollyana Marques foi agredida durante tentativa de entrevista com Marco Feliciano

A direção da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) solicitou, nesta quarta-feira (3), audiência com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, para pedir rigorosa apuração da agressão sofrida pela repórter do Radiojornalismo, Pollyane Marques, durante cobertura das atividades da Comissão de Direitos Humanos (CDH).

No momento da agressão, a repórter estava fazendo a pergunta ao deputado Marco Feliciano, presidente da CDH: “é democrático deixar jornalistas sem respostas?”.

marco feliciano seguranças

Comissão de Direitos Humanos passou a realizar sessões fechadas ao público (Reprodução)

A EBC repudia a agressão sofrida pela jornalista que estava em cumprimento de seu trabalho e manifesta preocupação com o ocorrido, pois fatos como esse deterioram a imagem democrática do parlamento brasileiro.

A repórter fez exame de corpo de delito e está de licença por dois dias.

Câmara abre inquérito para apurar agressão a repórter da EBC

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) divulgou hoje (4) nota em que repudia a agressão sofrida ontem (3) pela repórter do Radiojornalismo da EBC Pollyane Marques, após reunião da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. A pedido da empresa, a Câmara abriu inquérito para apurar responsabilidades.

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“A EBC repudia a agressão sofrida pela jornalista que estava em cumprimento de seu trabalho e manifesta preocupação com o ocorrido, pois fatos como esse deterioram a imagem democrática do Parlamento brasileiro”, diz trecho da nota.

O incidente ocorreu logo após o término da reunião em que foi proibida a entrada de manifestantes contrários a eleição do deputado Pastor Marco Feliciano para presidir o colegiado. Do lado de fora do plenário da comissão, ao lado de outros jornalistas, a repórter tentava fazer perguntas para o deputado quando foi empurrada e atingida por uma cotovelada no rosto.

“Perguntei se era democrático fugir da imprensa. Quando perguntei pela segunda vez, senti um empurrão mais forte. Estava muito próxima do deputado Marco Feliciano. Perguntei se era democrático os seguranças baterem na imprensa e, em seguida, senti cotovelada”, contou Pollyane Marques.

Acompanhada por representantes da EBC, ela prestou queixa na Polícia Legislativa da Câmara e fez exame de corpo de delito na Polícia Civil do Distrito Federal. Ela teve ferimentos na boca e nos joelhos. A jornalista disse que não conseguiu identificar o autor da agressão.

“Tinha assessores do [deputado] Feliciano e seguranças da Câmara, mas não posso precisar quem foi. O joelho sangrando não dói. O que dói mais é atitude. A reposta a minha pergunta se era democrático bater na imprensa foi uma cotovelada na cara. Posso não saber quem foi, mas receber uma cotovelada depois de perguntar isso, tenho a certeza que foi [uma ação] deliberada”, disse Pollyane.

A direção da EBC solicitou audiência com o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e apuração rigorosa do caso. “A gente quer repudiar a agressão feita em um ambiente da Câmara por causa de uma pergunta. Isso não é correto e queremos também fazer um alerta a instituição. Queremos saber o que aconteceu”, disse o diretor-geral da EBC, Eduardo Castro.

Ivan Richard, Agência Brasil

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Comentários

  1. N Postado em 04/Apr/2013 às 19:34

    E difícil se compadecer de um repórter,ate nesse caso....

  2. Thiago Postado em 04/Apr/2013 às 19:45

    Feliciano é uma vergonha, e nada justifica uma agressão. Esperamos que os fatos sejam apurados. Porém, NINGUÉM É OBRIGADO A FALAR COM A IMPRENSA. Na atual sociedade da espetacularização , uma Lei de regulação dos meios de comunicação é tão fundamental quanto o combate ao fanatismo religioso.

  3. Luís Fernando Postado em 04/Apr/2013 às 20:02

    "E difícil se compadecer de um repórter,ate nesse caso" Pois é, esses repórteres que ficam questionando políticos, uns chatos... Político é autoridade e temos que obedecer.

  4. Giordanno Brumas Postado em 04/Apr/2013 às 22:42

    difícil se compadecer de um repórter? então, sr. N, a repórter nesse caso aí e em todos os outros é uma pessoa. uma pessoa que estava exercendo seu trabalho e foi agredida injustamente. comece a pensar você que tipos de políticos estão te representando no senado, você querendo ou não, antes de comentar esse tipo de coisa. se coloque no lugar dela.

  5. N Postado em 05/Apr/2013 às 00:17

    Curti

  6. N Postado em 05/Apr/2013 às 00:20

    "e democratico deixar reportertes sem respostas" que visão mais caquetica do que e papel de impressa questionadora...

  7. Carlos Postado em 05/Apr/2013 às 05:17

    Houve um certo homem que se tornou cego: deixando com que o ódio em seu coração fosse seu guia. Hoje muitos julgam o Marcos Feliciano de racista e algumas coisinhas mais. Queridos perguntem a Deus se Deus concorda com casamento gays ou lesbicas, sendo que Deus fez homem e mulher, ponto final...

  8. João César da Mata Postado em 05/Apr/2013 às 05:31

    Cutuvelada é um absurdo? E abortos?

  9. L Postado em 05/Apr/2013 às 11:45

    Ok, Mister N. Apenas supondo que seja 'caquética' a visão acerca do papel da imprensa questionadora, a mim é ainda muito difícil compreender o papel da democrática cotovelada.

  10. Leandro Postado em 05/Apr/2013 às 12:03

    Como assim 'e ponto final', Carlos? Não se está discutindo as regras da igreja. Ninguém está falando que as instituições religiosas serão obrigadas a se submeter às regras do Estado e realizar casamentos gays. O que se está discutindo são as liberdades individuais, são os direitos civis. "O direito civil é o principal ramo do direito PRIVADO. Trata-se do conjunto de normas (regras e princípios) que regulam as RELAÇÕES ENTRE OS PARTICULARES, que comumente encontram-se em uma situação de equilíbrio de condições. O direito civil é o direito do dia a dia das pessoas, em SUAS RELAÇÕES PRIVADAS COTIDIANAS." (Wiki, grifos meus) Assim como você não quer o Estado interferindo na Igreja, tudo o que se quer é que a Igreja não interfira no Estado.

  11. fernando bezerra Postado em 06/Apr/2013 às 14:44

    "Houve um certo homem que se tornou cego: deixando com que o ódio em seu coração fosse seu guia. Hoje muitos julgam o Marcos Feliciano de racista e algumas coisinhas mais. Queridos perguntem a Deus se Deus concorda com casamento gays ou lesbicas, sendo que Deus fez homem e mulher, ponto final…" Não podemos perguntar algo ao que não existe, portanto não se pode questionar a respeito deste tema este suposto "deus" justamente por não termos provas concretas de sua existência e mesmo que numa infelicidade remota este existisse que espécie de "deus" é este que permitiria que algumas pessoas(uma multidão) somente para serem apontadas. que porra é essa?

  12. MARCIO Postado em 09/Apr/2013 às 22:41

    LEANDRO, CARLOS NÃO ESTÁ DEFENDO MARCO FELICIANO NÃO. O MESMO ESTÁ A FAVOR DA VERDADE

  13. Leandro Postado em 11/Apr/2013 às 15:45

    Não entrarei no mérito da verdade, Marcio. Até porque a combinação das frases, a dele e a tua, já fornecem um contexto bastante claro das concepções de vocês a respeito do termo.Também deixemos claro - pensei que já tivesse ficado anteriormente - que em momento algum disse que o Carlos estaria defendendo Marco Feliciano. Nos atenhamos então à frase exposta pelo Carlos que, salvo ledo engano, parece integrar essa verdade: "Deus não gosta do casamento de gays e lésbicas, sendo que fez homens e mulheres (sic)". Não se está lutando para que a igreja a aceite casamentos homoafetivos, muito menos os realize. Estamos falando de direitos civis igualitários, de pessoas detentoras do poder de escolha em suas vidas. Isso é relacionado unicamente ao Estado, que deve atender a todos indistintamente. Posicionar-se contra o casamento de pessoas do mesmo sexo faz sim parte da liberdade de expressão. A igreja determinar o comportamento esperado DE SEUS SEGUIDORES e tentar levar sua crença às pessoas, faz parte da liberdade de crença. É esta mesma liberdade de crença (ou não crença) que deve ser considerada para o regramento geral da sociedade. Imaginemos outros cenários: - Um projeto de lei de autoria de um parlamentar ou bancada que, com base nas crenças dos Testemunhas de Jeová, vise proibir que toda a sociedade possa doar ou receber sangue ou órgãos; - Um projeto da 'bancada católica' que tenha por objetivo estabelecer restrição ao consumo de carne da semana santa; - Um projeto de base evangélica que proíba menções ao Candomblé em livros de didáticos; - Um projeto de um parlamentar ateísta que proíba os pais de fornecerem orientação religiosa aos filhos até que estes completem 18 anos. Você quase certamente será contrário a pelo menos uma das iniciativas listadas acima. Particularmente torço para que se oponha a todas. E isso é o Estado laico: o não privilégio de nenhum crença ou não-crença em prejuízo das demais. A não imposição de regras de um grupo, ainda que majoritário, a toda à sociedade.

  14. Leandro Postado em 15/Apr/2013 às 10:35

    Pegando por empréstimo algumas palavras: "Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser fascistas a ponto de pretender impor sua vontade aos que não pensam como eles." Dr. Dráuzio Varella