Redação Pragmatismo
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Religião 04/Dec/2012 às 20:47
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"Países com democracias laicas são mais prósperos, felizes e saudáveis"

"Em termos do que fazer sobre a religião, o fator imediato seria a lei, o governo, manter a religião fora do Estado, fora das escolas e fora das Forças Armadas. Governos laicos são melhores do que governos religiosos. E, no último século, o mundo está caminhando para isso: democracias laicas"

No início do século 20, não havia nenhuma democracia laica, mas neste momento elas são quase 100. A constatação é do cético norte-americano Michael Shermer (foto), que esteve recentemente no Brasil.

michael shermer

“Sociedades de democracias laicas são mais felizes”

“As sociedades que vivem nesses países [de democracia laica] são mais prósperas, felizes e saudáveis”, disse Shermer em entrevista a Silio Boccanera, da Globo News, no programa “Milênio”.

Shermer já foi evangelizador, pregou as palavras de Jesus. Hoje o ex-evangélico com formação em teologia e em psicologia edita o jornal do grupo Skeptic cujo objetivo é divulgar a ciência como forma de combate às superstições, curas ditas milagrosas, astrologia, homeopatia e por aí vai. Ele também dá aula na Califórnia, onde mora.

Na entrevista, ele falou um pouco desse trabalho. Demonstrou preocupação com a atuação dos fanáticos religiosos e ironizou a teoria do design inteligente, que chama de “criacionismo de smoking”.

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Shermer também falou sobre big bang, Teoria da Evolução, comportamento humano e DNA, uma estrutura autorreplicante que, ao parece, disse, só existe no planeta Terra. “Espero que encontremos [o DNA] em outros planetas na mesma situação”, afirmou, porque se trata de algo relacionado à nossa vida.

De qualquer forma, acrescentou, por causa da interconectividade entre as espécies, conforme demonstra o DNA, “nos precisamos tomar conta de nós mesmos e de outras espécies, do nosso planeta”.

Ele manifestou a esperança de que em 100 anos um ateu seja eleito presidente dos Estados Unidos. Ou melhor: “Talvez, algum dia, tenhamos uma presidente negra, ateia e gay. Tudo de uma vez só”.

Leia abaixo a íntegra da entrevista

Silio Boccanera — Você acha que as pessoas têm uma tendência natural a aceitar mais crenças religiosas e superstições do que a ciência e as provas do que realmente existe?

Michael Shermer — Com certeza. Nosso cérebro foi feito para acreditar em tudo que ouvimos, vemos ou encontramos. O padrão do nosso cérebro é acreditar em tudo, por via das dúvidas. O experimento que eu fiz, que está no meu livro: imagine que você é um hominídeo nas planícies africanas há 3,5 milhões de anos. Você tem o cérebro pequeno de um australopiteco, seu nome é Lucy, e você ouve um barulho na grama. É um predador perigoso ou apenas o vento? Se você acha que é um predador perigoso, mas acaba sendo apenas o vento, você comete um erro de tipo 1, um falso positivo em que você está errado, mas não é prejudicado. Mas, se você acha que é o vento, e acaba sendo um predador perigoso, você vira o almoço. Você entra para o clube de Darwin dos seres que saem de circulação antes de se reproduzir. Então, nós somos descendentes desses indivíduos que cometem esse erro de falso positivo de tipo 1.

Seu colega ateu Richard Dawkins disse que a religião é algo tão ruim que deveríamos nos esforçar para nos livrarmos dela. Você é da mesma opinião, ou acha que devemos ser indiferentes?

Bem, há duas abordagens para isso: a de Richard, que eu defendo… Nossa missão é promover a ciência, a razão, o pensamento crítico e deixar a religião cair em desuso. Não sei se atacar a religião diretamente funciona sempre, por causa do princípio psicológico da dissonância cognitiva. Se uma pessoa realmente acredita em algo, e você diz que ela está errada, ela constrói um muro e se torna muito defensiva. Eu prefiro a estratégia de ensinar ciência, razão e pensamento crítico e deixar as pessoas concluírem por si só. Se elas acreditarem que não crer mais em religião foi decisão delas, é mais provável que deem esse passo final. Ainda não está claro qual é o melhor sistema. Provavelmente, não há uma só maneira de lidar com isso, deve haver várias maneiras. Mas, em termos do que fazer sobre a religião, o fator imediato seria a lei, o governo, manter a religião fora do Estado, fora das escolas e fora das Forças Armadas. Governos laicos são melhores do que governos religiosos. E, no último século, o mundo está caminhando para isso: democracias laicas e liberais. No início do século 20, não havia nenhuma. Hoje, são quase 100. E as sociedades que vivem nesses países são mais prósperas, felizes e saudáveis.

No seu país e em vários outros, há extremistas religiosos. Há esse aparente crescimento da religião em toda parte. Você acha que a religião está em alta em toda parte ou está em baixa?

Bem, depende do lugar de onde estamos falando. Em primeiro lugar, política e socialmente, o problema são os extremistas. Não me preocupo com os religiosos normais, que trabalham, têm família… Nós nunca ouvimos falar deles, e eu não me preocupo com eles. O problema são os extremistas. Em termos de religiosidade em geral, os números mostram que, pelo menos no Ocidente, que o número de pessoas sem religião está crescendo, de pessoas que marcam a opção “nenhuma” quando lhe perguntam qual é sua religião. Não está claro se eles estão se tornando ateus e agnósticos — provavelmente, não —, mas, pelo menos, não adotam nenhuma religião, pois é a religião organizada que se torna perigosa. Isso me encoraja. Eu acho que o arco do progresso moral está indo na direção da justiça, da prosperidade e da liberdade nos últimos séculos. Acho que podemos ser otimistas em relação a isso.

Você falou de nossas origens, do homem das cavernas, do medo, do tigre e tudo o mais. Você acha que há um fator evolutivo que nos leva a tentar explicar coisas que não sabemos explicar e atribuí-las a algo sobrenatural, em vez de tentar descobrir?

Acho, sim. Nosso cérebro é feito assim. Nosso cérebro odeia fatos sem explicação. Ou seja, para todos nós, é difícil dizer: “Eu não sei e estou confortável com o fato de não saber.” Quase nunca se ouve alguém dizendo isso. Todos nós queremos uma explicação. E é isso que afasta a ciência dos outros ramos do conhecimento. Nós estamos dispostos a dizer: “Não sabemos, vamos trabalhar nisso.” O que é energia escura? O que é matéria escura? Eu não sei. Vamos colocar alguns universitários para descobrir isso. É para isso que eles servem. E os mistérios são ótimos, pois é o que podemos trabalhar. Quanto à religião, em especial, não pode haver mistério, eles têm que dar uma explicação. E, se não temos uma explicação natural, usam o sobrenatural.

E essa questão de tentar explicar o que parece difícil de explicar. Vejamos o Big Bang, por exemplo. É difícil aceitar que não existia nada antes do Big Bang, pois o tempo não existia.

cérebro imagem

“Nosso cérebro odeia fatos sem explicação”. (Foto: reprodução / paulopes)

Pois é, exatamente. É como pedir para você imaginar que está morto. Como você imagina que será quando estiver morto? Foram feitos estudos a respeito, e as pessoas disseram: “Eu me vejo no meu enterro, com meus amigos e a família lá, chorando.” Você não vai ver nada, pois vai estar morto. Não vai ver nada, certo? É como pedir para imaginar que não há universo. Não dá. Em alguns assuntos, nós encontramos um muro que não conseguimos transpor porque nosso cérebro não é capaz disso. O que havia antes do início dos tempos? Não dá nem para perguntar. É como perguntar o que está ao norte do Polo Norte. É uma pergunta sem sentido.

Recentemente, pessoas que não acreditam na evolução eram chamadas de “criacionistas”. Agora, alguns chamam isso de “design inteligente”, que parece um pouco mais sofisticado, mas é essencialmente a mesma coisa, certo?

É criacionismo. Como dizem, é “criacionismo de smoking”. Bem vestido, com um linguajar sofisticado. Mas nós os levamos a sério. Nós analisamos as alegações deles e rebatemos todas elas. Nós, os cientistas. Eles falaram do DNA, do flagelo bacteriano, falaram dos olhos. E os cientistas analisaram cada alegação deles e disseram: “Não. O que sabemos é isto, e vocês estão errados.” E eles nunca respondem dizendo: “Nossa, é verdade. Eu estava errado nesse ponto.” Isso nunca acontece. Isso mostra que o que eles fazem não é ciência.

Voltando à Terra e às experiências do dia a dia que todos nós temos, há um fenômeno comum, que as pessoas acham bem estranho, o déjà-vu, a sensação de que algo que se vive já aconteceu antes. Isso é um fenômeno comum?

Com certeza. Eu já tive déjà-vu, bem como a maioria das pessoas. O que acontece é que a informação chega… O cérebro funciona assim: a informação chega, você a processa e combina com suas lembranças. “Onde a informação se encaixa? É um rosto que eu reconheço? É alguém que eu conheço ou um estranho?” E ela entra em categorias diferentes do cérebro. Se alguém lhe parece familiar, você começa a compará-lo com seu banco de dados de rostos: “É esta pessoa? Esta? Esta? Esta? Esta? Sim? Não?” Você vê de novo… “Já não nos conhecemos? Você me parece familiar.” O déjà-vu acontece da mesma maneira em uma sala, um hotel, uma rua, um bairro…

Você tenta achar um padrão.

Você procura o padrão. “Eu já vi isto? Eu sinto que já estiva aqui antes.”

E essas experiências de fora do corpo? Principalmente pessoas que passam por cirurgias ou têm experiências de quase morte, que acham que se veem mortas, do alto. É sua mente brincando com você?

É. Você pode fazer isso agora. Basta imaginar que seu corpo está deitado no chão, e você está no teto olhando seu corpo. Você pode imaginar isso agora. É fácil. Nós somos capazes de imaginar isso com os olhos da nossa mente. E nós sabemos que determinadas circunstâncias, como a falta de oxigênio que ocorre em afogamentos, ataques cardíacos, cirurgias, isso se chama “hipóxia”, e é a falta de oxigênio no córtex, por alguma razão, desencadeia a sensação de flutuar acima do corpo. É possível fazer isso através da estimulação eletromagnética dos lobos temporais do cérebro, que produzem as experiências de sair do corpo. É um fenômeno cerebral. Está aqui dentro, não lá fora.

Você acha que a mente é apenas o cérebro?

Com certeza. A “mente” não existe. A “mente” é algo que usamos para descrever o que o cérebro faz. Temos que tomar cuidado com o que falamos. Tendemos a tornar as coisas reais. “Isso é paranormal.” Isso é apenas uma palavra. É um substituto linguístico para algo que desconhecemos. Minha analogia é a seguinte: é como falar de energia escura e matéria escura, que preenche 90% do universo, mas não sabemos o que é. Mas não vemos a energia escura e a matéria escura como explicações. São apenas palavras. Vamos chamá-las assim por ora, até descobrirmos o que são.

Como o bóson de Higgs.

Exatamente. Vamos chamá-la assim por ora. Mas nunca se chegou a uma explicação. “Talvez exista, talvez não, então vamos chamá-la assim, para explicar esse fenômeno que não sabemos explicar, e vamos fazer a experiência.” Pessoas religiosas chamam de “Deus”, de “sobrenatural”, de “anjos”, de “demônios”. São apenas palavras legais para dizer: “Não sei o que é, mas vamos chamar assim.” Na ciência, queremos saber, independente da palavra, o que realmente está acontecendo.

DNA humano

O DNA auto-replicante existe há 3 bilhões de anos

Eu acho que uma explicação positiva é a de que, há 3 bilhões de anos, existe uma cadeia intacta, desde o início da vida até hoje, e que tudo na Terra está interligado através dessa molécula comum ancestral autorreplicante chamada DNA. E, até onde sabemos, ela só existe neste planeta. Espero que encontremos outros na mesma situação, mas isso nos diz que a vida é isso. Nós precisamos tomar conta de nós mesmos, da nossa espécie, de outras espécies, do nosso planeta, por causa dessa interconectividade. E acho que isso, de certo modo, é algo espiritual. Uma das afirmações da religião é a de que fomos criados por Deus e que somos todos irmãos. Bem, acho que somos todos irmãos por causa da genética e estamos profunda, biológica e fisicamente ligados por ela. E ligado às estrelas. Nossos átomos de carbono, que formam a maior parte do nosso organismo, vieram das estrelas. Eles se formaram nas estrelas. “Nós somos feitos de poeira de estrelas”, como dizia Carl Sagan. Isso nos liga ao cosmo inteiro.

O que não significa que as estrelas influenciem nossa vida hoje.

Não é astrologia, é astronomia.

Em um mundo que decifrou a estrutura do DNA em 1953, e já são 150 anos desde a teoria de Darwin, você acha que a ciência está confirmando a teoria de Darwin, a Teoria da Evolução, ou a está revendo?

Sem dúvida, está confirmando as partes mais essenciais da teoria de Darwin, sem sombra de dúvida. É claro que é feita uma sintonia fina, ele estava errado sobre algumas poucas coisas… A maioria dos cientistas usa a palavra darwinismo, mas seria melhor não associar isso a uma pessoa, pois o culto à personalidade não é tão aceitável… Eu prefiro dizer que a Teoria da Evolução é bem fundamentada e está sempre sendo redefinida. Para refutá-la, neste estágio, seriam necessárias muitas provas contrárias a ela, que ninguém conseguiu encontrar. Se você me mostrar o fóssil de uma trilobita na mesma camada que os de mamíferos, nós teremos um problema. Se não tiver havido alguma intrusão excepcional por causa de alguma falha geológica, alguma quebra no extrato… Mas ninguém jamais encontrou isso. Isso nunca aconteceu.

A sequência não permitiria isso.

Exato. Ou exemplos de DNA em que não haja continuidade entre duas formas diferentes de vida ou algo do gênero. Mas aqueles que acreditam no design inteligente deveriam procurar uma inteligência terrestre, um segundo gênesis aqui, na Terra. Nunca encontraram nada disso, mas seria interessante. Mas isso ainda não derrubaria a teoria, que é sólida.

James Watson, um dos descobridores da estrutura do DNA, esteve em Londres recentemente, e alguém lhe perguntou como ele via o futuro da biologia nos próximos 50 anos. Ele acha que biologia se unirá à psicologia, para explicar o comportamento das pessoas. O que você acha disso?

É uma ótima ideia. De verdade. Ele adota a linha de pensamento de Edward Wilson: está na hora de tirar a sociedade e a moral das mãos dos teólogos e filósofos e passá-las para as mãos dos biólogos, pois, no final das contas, está tudo no campo da biologia. O comportamento está nesse campo. A mente é apenas o cérebro funcionando, e ele é um sistema biológico. São os neurônios trocando substâncias químicas. É química, é bioquímica.

Então, quanto mais descobrimos sobre nossa biologia e nossa carga genética, mais entenderemos o comportamento humano?

Com certeza. A genética do comportamento nos mostra que gêmeos idênticos, separados no nascimento e criados em ambientes radicalmente diferentes, têm mais em comum do que irmãos adotivos que vivem no mesmo lar. É claro que a cultura é um componente importante, mas a biologia é mais importante do que a cultura, e não podemos ignorar isso.

O conceito de inconsciente coletivo, desenvolvido pelo psicanalista suíço Carl Jung, tenta explicar por que diferentes sociedades, que vivem bem distantes, desenvolvem os mesmos mitos, as mesmas lendas, as mesmas histórias. Você acha que isso provém da nossa estrutura comum, da nossa herança genética comum?

Acho, e esse é um exemplo da biologia, de por que precisamos estudar a biologia no contexto da psicologia: porque nossos cérebros estão ligados da mesma maneira. Então é claro que algumas tribos da África podem ter experiências semelhantes às nossas. É porque nossos cérebros são parecidos. É claro que haverá elementos comuns baseados na maneira como nossos corpos e cérebro funcionam. Pense nisso como um canal que direciona o fluxo das coisas. Ainda conseguimos nos mover dentro do canal, mas ele tem muros altos, e nós somos empurrados em uma só direção por esses muros. Nós sabemos que pelo menos 50% das variações nas personalidades das pessoas — por exemplo, qual é seu grau de abertura a novas experiências, quanto você gosta de viajar, seu temperamento, quão feliz ou não você tende a ser — são determinados pelos genes. Nós sabemos que com certeza e pesquisamos isso com milhares de gêmeos. Os gêmeos têm o temperamento mais parecido do que crianças criadas na mesma casa, mas sem relação genética. Isso nos deixa impressionados. Isso se aplica até as preferências religiosas. Não falo de uma pessoa ser católica ou batista, mas a quanto você precisa e aprecia ter ou não religião. Isso à altamente hereditário.

Há um clichê que diz que religião não se discute. Devemos deixar as pessoas serem como são, sem discutir isso, sem expô-las à razão às comprovações. O que você acha?

Todos podem dar sua opinião. Nenhum governo pode silenciar ou censurar ninguém, e as melhores ideias devem vir à tona.

Para um estrangeiro, a religiosidade na política americana parece estar se tornando muito forte. Se analisar não só o Tea Party, mas a própria direita… O próprio Romney, que costumava ser de centro, se sentiu obrigado a se passar para a direita e descer aos extremistas religiosos. O que está havendo?

Bem, acho que é um meme cultural. Os EUA acham que é preciso dizer isto, e todos dizem: “Deus abençoe os EUA.” Obama vive dizendo isso. “Deus os abençoe. Deus abençoe os Estados Unidos da América!” E todo mundo aplaude. Acho que repetem tanto isso que você acha que tem que acreditar. O que nós tentamos fazer é dizer: “Você não precisa acreditar. Está tudo bem. Não precisa dizer isso. Sabemos que você é um bom americano, um bom cidadão.” Mas, historicamente, nós somos assim. Principalmente por causa da influência dos evangélicos. E vocês começam a sentir isso no Brasil. O que torna um evangélico diferente de qualquer outra pessoa é que ele sente que precisa evangelizar os outros. É por isso que são chamados de “evangélicos”. “Evangelizar” significa espalhar a palavra de Deus.

Eles não só acreditam, como precisam convencer os outros disso.

Isso. Eu era evangélico, eu estudei na Pepperdine Univesity. Nossa missão era falar de Jesus às pessoas. “Jesus te ama. Você será salvo se aceitar Jesus.” É preciso espalhar a mensagem. Mas os evangélicos têm muita influência na política americana. Eles têm dinheiro e fazem doações para os candidatos. E não digo que Obama não as receba. Ele recebe ainda mais doações. Até os democratas, que são acusados de ser laicos e ateus, não são. Eles também são religiosos. Só não são tão evangelizadores.

Se analisar a política americana nos últimos 50 anos, a eleição de Kennedy foi a superação de um grande preconceito. Um presidente católico.

Exato.

E agora vocês têm um presidente negro. Outro preconceito foi superado. Você acha que um dia terão um presidente ateu?

Talvez daqui a 100 anos. Eu tendo a ser otimista, e meu trabalho é promover o ceticismo, mas eu tenho que lembrar que há um longo caminho pela frente. Talvez, algum dia, tenhamos uma presidente negra, ateia e gay. Teremos tudo de uma vez só.

Paulopes e Globo News

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Comentários

  1. marcelo Postado em 04/Dec/2012 às 21:40

    No dia que nossos lideres políticos puderem assumir suas crenças sem medo de ofender algum grupo religioso que se acha no direito de controlar o país teremos muitas melhoras...

  2. Caio Brunetto Postado em 05/Dec/2012 às 09:38

    Isso não é ciência, são "biólogos" tentando se enfiar numa área que não a deles, das ciências humanas e filosofia, para se auto-promoverem de forma cretina e muito, mas muito rasa. Essa matéria destoa completamente das outras desse site, que considero o portal de notícias brasileiro mais crítico, por deixar completamente de lado uma análise mais profunda e bem embasada da realidade, ou seja, verdadeiramente crítica, para divulgar essas idéias enraizadas numa ideologia tipicamente positivista do século XIX: "mas a biologia é mais importante do que a cultura, e não podemos ignorar isso."

    • gustavo.m Postado em 05/Oct/2013 às 01:54

      Contra fatos não há argumentos, por mais incômodos que eles sejam :-)

  3. Rogério Postado em 05/Dec/2012 às 14:47

    Nunca vi ninguém dizer tanta asneira...Quem é esse cara??

    • Gustavo S Postado em 05/Dec/2012 às 15:03

      É fácil falar que o sujeito disse "asneiras", sem apontar ou explicar quais são estas asneiras e rebater a argumentação com o mínimo de lógica e bom senso. Não concordo com absolutamente tudo que ele disse na entrevista, mas muita coisa faz sentido pra mim.

  4. Carlos Postado em 09/Feb/2013 às 15:29

    “Sociedades de democracias laicas são mais felizes”, ah!? O que é conceito de felicidade para ele?? Se for países com educação de qualidade, saúde de qualidade e menos desiguais, países desenvolvidos, o que ele diz sobre Dinamarca e Islândia?? Até mesmo a Inglaterra e a Noruega que se dizem Estados Laicos têm muita influência do Anglicanismo e Luteranismo, até mesmo mais do que o Catolicismo e atualmente o Protestantismo (evangélicos) no Brasil. Liberdade para ter ou não ter uma crença, religião é uma coisa: mais do que necessária. Agora falar que as religiões e as crenças atrapalham o desenvolvimento e a felicidade de um país é outra coisa: uma atitude preconceituosa.

  5. Rodrigo Teixeira Postado em 18/Feb/2013 às 15:09

    Carlos Embora você acredite que acabar com a religião é um objetivo impossível, é importante perceber que ele já foi alcançado por boa parte do mundo desenvolvido. Noruega, Islândia, Austrália, Canadá, Suécia, Suíça, Bélgica, Japão, Holanda, Dinamarca e o Reino Unido estão entre as sociedades menos religiosas da Terra. De acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (2005), essas sociedades também são as mais saudáveis, segundo os indicadores de expectativa de vida, alfabetização, renda per capita, nível educacional, igualdade entre os sexos, taxa de homicídios e mortalidade infantil. *1 Outras análises pintam o mesmo quadro: os Estados Unidos são o único país, entre as democracias ricas, com alto nível de adesão à religião; e também o que mais sofre com altos índices de homicídio, aborto, gravidez adolescente, doenças sexualmente transmissíveis e mortalidade infantil. A mesma comparação é verdadeira dentro do próprio país: os estados do Sul e do Meio-Oeste, caracterizados pelos mais altos níveis de literalismo religioso, são especialmente atingidos pelas disfunções sociais, segundo os indicadores acima, ao passo que os estados relativamente seculares do Nordeste eito país têm uma situação semelhante à europeia.*2 É claro que correlações desse tipo não esclarecem questões de causalidade — a crença em Deus talvez leve à disfunção social; ou a disjunção social talvez estimule a crença em Deus; cada um desses fatores pode estimular o outro; ou talvez ambos derivem de algum fator nocivo mais profundo. Contudo, deixando de lado a questão de causa e efeito, essas estatísticas provam que o ateísmo é compatível com as aspirações básicas de uma sociedade civil; e também provam, de maneira conclusiva, que a crença generalizada em Deus não garante a saúde de uma sociedade. Os países com altos níveis de ateísmo também são os mais caridosos, em termos da porcentagem de sua riqueza que dedicam a programas internos de bem estar social e ajuda aos países pobres*3. A duvidosa relação entre os valores cristãos e a crença literal na Bíblia cristã é desmentida por outros índices de igualdade social. Considere a proporção entre a remuneração dos executivos de mais alto escalão e o salário médio pago aos funcionários das mesmas empresas: na Grã-Bretanha, é de 24:1; na Franca, 15:1; na Suécia, 13:1; e nos Estados Unidos, onde 80% da população espera ser chamada diante de Deus no Dia do Juízo Final, é de 475:1. Pelo visto, parece que muitos camelos esperam passar com facilidade pelo buraco de uma agulha. Caso queira conferir, as fontes estão todas aqui embaixo. 1 - P Zuckerman, “Atheism: Contemporary rates and patterns”, The Cambridge companion to atheism, Michael Martin, ed. (Cambridge, England: Cambridge University Press). 2 - G. S. Paul. “Cross-national correlations of quantifiable societal health with popular religiosity and secularism in the prosperous democracies”, Journal of Religion and Society, vol. 7 (2005); R. Gledhill, “Societies worse off when they have God on their side”, The Times (UK), 27/9/2005 3- www.globalissues.org/TradeRelated/Debt/USAid.asp #ForeignAidNumbersinChartsandGraphs;

    • gustavo.m Postado em 05/Oct/2013 às 01:57

      nossa cara, ótima argumentação, nada como um pouco de estatística para acabar com falácias :-)

  6. Mateus Mischel Lodi Postado em 21/Feb/2013 às 19:46

    Quem é esse cara para falar de SOCIOLOGIA? Afinal, ele é psicólogo e ex-evangélico, mas o que sabe de sociologia? Se ele é tão bom por não explica a situação da França, Inglaterra, Alemanha que são "tão" evoluídas, mas que por outro lado tem tantos problemas com natalidade, homossexualismo? sem falar da China que é tão forte economicamente a custa da pseudoliberdade de sua populção?

  7. Bertone Postado em 26/Feb/2013 às 19:06

    Caio Brunetto, concordo contigo. Dawkins é um bom biólogo, mas comete deslizes terríveis quando fala de religião e história, além de propor um modelo de ateísmo intolerante. http://bertonesousa.wordpress.com/2013/02/19/neo-ateismo-ou-a-estupidez-irreligiosa/

  8. Archimedes Postado em 05/Mar/2013 às 14:39

    O Carlos diz que a RELIGIÃO É NECESSÁRIA...RS . EU NECESSITO DE RELIGIÃO ASSIM COMO DE UM TIRO NA CABEÇA. RELIGIÃO É AS MULETAS DOS FRACOS,, MEDROSOS E SEM MIOLOS.

  9. Carlos Postado em 25/Mar/2013 às 13:22

    O que eu disse: "Liberdade para ter ou não ter uma crença, religião é uma coisa: mais do que necessária", o que o Archimedes disse que eu disse "O Carlos diz que a RELIGIÃO É NECESSÁRIA". Meu filho você não leu direito, porque nem precisa interpretar o que eu falei, já que disse explicitamente "LIBERDADE PARA TER OU NÃO UMA CRENÇA, RELIGIÃO(...)".

  10. Carlos Postado em 25/Mar/2013 às 14:40

    Rodrigo Teixeira, Não disse que acabar com a religião é algo impossível. Apenas disse que: " falar que as religiões e as crenças atrapalham o desenvolvimento e a felicidade de um país é outra coisa: uma atitude preconceituosa", e afirmo isso mil vezes se for necessário, já que os países citados por você não são desenvolvidos porque não tem muitos adeptos religiosos. Eles podem ser desenvolvidos por vários motivos, como boa política, formação histórica e etc. Mas nunca você pode afirmar que são desenvolvidos pela descrença de parte de sua população, isso é discriminatório sim! Mas antes de tudo é necessário você saber de algumas coisas: 1°) A Dinamarca é tudo, menos um Estado laico. Há uma religião oficial: o protestantismo luterano. Os sacerdotes religiosos(que seja, não sei o nome oficial) são funcionários; os cursos de cristianismo, obrigatórios na escola. Olha que ironia! Pois a Dinamarca é extremamente desenvolvida, sua população é saudável, educação de qualidade etc etc. O estado garante a liberdade religiosa, mas não é laico. 2°) Os Estados Unidos podem ter muitos defeitos em relação a algumas de suas políticas, masssssss... São a TERCEIRA nação mais desenvolvida do mundo atrás apenas de Noruega e Austrália. Outra falsa associação sua, será que é preciso repetir: Os EUA são a 3ª nação mais desenvolvida do mundo, e o engraçado é que você disse algumas coisas como mortalidade infantil e outros dados que implicam diretamente no parâmetro saúde, avaliados pelo IDH. 3°) O Reino Unido meu amigo, é igual o Brasil, diz que é laico, mas na prática é muito pior que o nosso país (apenas na questão de estado "laico"- pois assim como a Dinamarca, Brasil e etc garante liberdade religiosa). Tanto que no caso do Reino Unido, quando uma pessoa assume o cargo de chefe de estado, é necessário que jure fidelidade à fé anglicana(isso já vem mudando a algum tempo, mas a tradição é ainda muito forte). O cargo de chefe de estado e da igreja oficial pertencem à mesma pessoa - a Rainha Elizabeth II (o que se aplica à Austrália, Nova Zelândia e Canadá) já que a rainha britânica é chefe de estado desses países. O estado também garante que vinte e seis membros do clero da Igreja da Inglaterra sejam membros da câmara alta do parlamento. 4°) O protestantismo luterano tem muita influência na Noruega, por mais que as pessoas não frequentam a igreja ou não professam a religião, não quer dizer que elas esqueceram das tradições religiosas do seu país de uma hora para outra. Como estão tentando fazer aqui no Brasil. 5°) O Estado da Islândia não é laico. E também tem muita influência da Igreja Luterana. Realmente algumas potências e países desenvolvidos são laicos como Bélgica, Alemanha e etc. Olha eu estou com preguiça de colocar todas as fontes que vi porque são muitas! Mas esse link que eu vou colocar mostra a Laicidade em diversos países, ele também é bom, pois não tem qualquer posição tendenciosa ou parcial, já que ele é de cunho apenas informativo. Se você quiser se aprofundar, pesquise em outra as fontes. http://www.droit-humain.org.br/website/pagina904.php

  11. Carlos Postado em 25/Mar/2013 às 14:47

    Não defendi estados não laicos, pois sou a favor de Estados Laicos. Agora eu só quis mostrar o preconceito de falar que Estados Laicos são mais felizes e desenvolvidos, pelos seus motivos comentados.

  12. Caro leitor Postado em 27/Mar/2013 às 16:08

    Ah, deixa eu colocar o resto sobre Uganda. Ai quem sabe, o declinio de todas essas nações de primeiro mundo. Quem sabe, não falei que é blza? Só uma parte: “Quando honrava a Deus, exatamente como o presidente de Uganda acabou de fazer, a Inglaterra estava em seu auge como potência mundial....." Continua abaixo: “A oração de Museveni é um modelo para todos os líderes cristãos no mundo inteiro. O declínio dos líderes do Ocidente está ocorrendo em proporção ao grau de rejeição que eles demonstram a Deus”, disse Scott. Scott também acredita que Uganda vai se erguer como uma grande potência africana, enquanto os EUA continuam a decair. Ele usa a Inglaterra como exemplo. “Quando honrava a Deus, exatamente como o presidente de Uganda acabou de fazer, a Inglaterra estava em seu auge como potência mundial. De forma semelhante, a grandeza dos EUA está diminuindo, pois os EUA passaram de nação cristã para uma nação humanista e secularista. Mas fique de olho em Uganda, pois Deus os abençoará muito por quererem ser uma nação dedicada a Ele”, disse Scott. Valeu moçada.

  13. eduardo Postado em 28/Jan/2014 às 09:13

    Esse daí vive no mundo de faz de conta. Toda grande nação seja em qualquer época a religião serviu de base para seu desenvolvimento e crescimento. Seja construindo ou destruindo outros povos. Estados laicos mais felizes? Quando as pessoas se juntam para pregarem a não existência de Deus é porque no fundo essa é a sua nova religião são apenas pregadores do ateísmo. Hoje há espaço para todas as religiões parabéns!

  14. messias Postado em 16/Mar/2014 às 10:39

    Esse cientista diz que é laico,mas intervem em uma área q não é dele. Se ele é ciêntista,então porque ele quer se meter em áreas que não lhe diz respeito. Muito laico isso. Já vejo o fim disso: Milhares de cristãos mortos em todo mundo,pois,deade eras muito antigas,os únicos ,em massa,a não deixarem suas crenças são os cristão. Esse homem é um mentiroso,pois fala em um estado laico despresando a religião. Diz mesmo em Apocalipse que vira tempo em que um homem se levantará e se opunhará a tudo oque se diz deus e adorará o deus das fortalezas. Esse homem não é laico. Ele fala que a religião não deve se meter em assuntos politicos,mas dá um ótimo exemplo se metendo em asuntos religiosos.

  15. Douglas Postado em 24/Sep/2014 às 12:54

    Mas essas "nações laicas" estão com os dias contados, simples: os secularistas, ateus ou democráticos têm menos filhos, e os religiosos, conservadores e retrógrados têm em média o triplo de filhos que os secularistas, é questão de tempo até que os religiosos se tornem maioria e tomem posse do país enterrando todas as conquistas laicas. A Europa já pode estar vivendo seus últimos dias de liberdade, a invasão muçulmana de lá já garante quase 10% da população de muitos países. Bélgica e Suécia terão maioria muçulmana em quarenta anos, se persistirem as atuais taxas de fertilidade, com certeza será o fim das liberdades dessas nações felizes. Com o Brasil é a mesma coisa com os evangélicos (aliás em toda América Latina). Os católicos e ateus têm só metade do número de filhos que os evangélicos têm. Em pouco tempo a religião dominante será o protestantismo (ateus, católicos, gays e mulheres podem ir se preparando). Inclusive ha pouco tempo uma pastora disse que previu que o Brasil se tornaria uma nação baseada 'nas leis bíblicas", perigo. Assim também nos Estados Unidos (os latinos estão latinizando os EUA e o tornando uma nação católica). Cada vez mais as bancadas evangélicas ganham força na África (Uganda e Angola já proíbem até outras confissões) e na América Latina (Jamaica). Então o negócio é o seguinte: ou os ateus e outras minorias começam a ter 'mais filhos", ou voltaremos à escuridão da idade média e a culpa será só nossa!