Luis Soares
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Palestina 15/Nov/2012 às 12:04
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Israel mata crianças em ataques à faixa de Gaza

Israel intensifica ofensiva militar contra Faixa de Gaza. A operação “Pilar Defensivo” acontece menos de 4 anos após a “Chumbo Fundido”, que matou mais de 1,3 mil palestinos

Quase quatro anos depois da operação “Chumbo Fundido”, quando mais de 1,3 mil palestinos e 13 israelenses foram mortos em uma das mais sangrentas ofensivas militares na Faixa de Gaza, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, o governo israelense lança nova investida contra o território, sob bloqueio desde 2006.

Iniciada nesta quarta-feira (14/11), a operação “Pilar Defensivo” já tirou a vida de 13 palestinos. Ontem, quando o chefe militar do Hamas, Ahmed Jaabari, foi assassinado no início da operação “Pilar Defensivo”, outros oito palestinos perderam a vida. Hoje, o exército israelense bombardeou novamente na madrugada a Faixa de Gaza, deixando ao menos três mortos.

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Israelenses no sul do país se protegem após foguetes serem lançados da Faixa de Gaza em resposta a bombardeios. (Foto: EFE)

De acordo com as autoridades israelenses, o ataque de hoje visava as plataformas de lançamento de foguetes de médio e longo alcance. Os ataques noturnos “danificaram significativamente a capacidade de lançamento de foguetes e os armazéns de munição operados pelo Hamas e por outras organizações terroristas”, disseram em comunicado.

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Em resposta à escalada de violência, as milícias palestinas, que ontem lançaram mais de 50 foguetes contra Israel, seguiram disparando projéteis durante a noite. Pelo menos três civis israelenses foram mortos, segundo agências locais.

Conforme informou o comunicado militar, a força aérea israelense também atacou durante a madrugada várias unidades que se preparavam para lançar foguetes contra território israelense e bombardeou com carros de combate outra “estrutura terrorista” em Gaza.

Fontes militares israelenses disseram à Agência Efe que entre os alvos atacados estão depósitos de munição em edifícios residenciais e civis, o que, a seu entender, prova a forma de operar do Hamas, “usando a população civil como escudo humano”.

Apoio

Os Estados Unidos condenaram nesta quarta-feira o disparo de foguetes desde Gaza contra Israel e ressaltaram o “direito de se defender” do governo israelense. “Lamentamos a morte e o ferimento de civis israelenses e palestinos inocentes por causa da violência”, disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Mark Toner.

“Não há nenhuma justificativa para a violência que o Hamas e outras organizações terroristas estão empregando contra o povo de Israel”, avaliou o porta-voz. “Pedimos aos responsáveis que detenham esses covardes atos imediatamente. Respaldamos o direito que Israel tem de defender-se”, acrescentou.

O Reino Unido acompanhou os EUA no apoio a Israel. O chefe da diplomacia britânica, William Hague, disse que o Hamas “é o principal responsável” pela atual crise no território palestino da Faixa de Gaza, acrescentando que deve parar imediatamente com os ataques contra Israel.

“Condeno totalmente os ataques com foguetes a partir de Gaza em direção ao sul de Israel, lançados pelo Hamas e por outros grupos armados”, disse Hague em um comunicado. Estes ataques, acrescentou, “criam uma situação intolerável para os civis israelenses”, que “têm o direito de viver sem medo de serem atacados por Gaza”.

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Palestinos acompanham o funeral de Ranan Arafat, de 4 anos, morto após bombardeio israelenses em Gaza. (Foto: EFE)

Hague também pediu energicamente a Israel que faça o possível para reduzir as tensões, evitar vítimas civis e ajudar a criar as condições para a paz. “É imperativo evitar o risco de uma espiral de violência”, acrescentou o britânico.

Rechaço

A investida militar israelenses no território palestino foi criticada por lideranças árabes, pelas Nações Unidas e pela Rússia. Além disso, o presidente egípcio, Mohammed Mursi, convocou para consultas o embaixador de seu país em Israel. Mursi, que transmitiu seus pêsames ao povo palestino, reivindicou a convocação de uma reunião de urgência da Liga Árabe assim como do Conselho de Segurança da ONU.

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu em um encontro de emergência nesta quinta-feira em Nova York. O grupo pediu que as duas partes coloquem fim aos enfrentamentos, mas não tomou nenhuma decisão imediata sobre o conflito.

O embaixador indiano na ONU, Haerdeep Singh Puri, que atualmente preside o Conselho de Segurança, pediu a Israel e aos palestinos a “máxima contenção” para evitar que a situação se deteriore ainda mais. “A violência deve cessar”, afirmou Puri, resumindo o tom do encontro.

Realizada a portas fechadas, a reunião foi convocada pelo Egito e contou com a participação de israelenses e palestinos, além de representantes de outros países, alguns deles árabes. O encontro transcorreu durante uma hora e meia. Mais cedo, o secretário-geral da ONU já havia expressado por telefone ao premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, sua preocupação com os rumos dos confrontos na fronteira de Gaza.

Enquanto isso, a embaixadora norte-americana, Susan Rice, apoiou Israel ao ressaltar que nada justifica a violência do Hamas e de outros grupos terroristas contra o país, apesar de não mencionar o assassinato de Ahmed Jaabari. Os palestinos, por sua vez, haviam pedido ao Conselho de Segurança que aprovasse uma declaração contra Israel, o que não ocorreu.

Já o porta-voz do ministério russo das Relações Exteriores Alexander Lukashevich condenou o ataque. “Os ataques contra o sul de Israel e os ataques desproporcionais contra Gaza – especialmente quando morrem civis em ambos os lados – são totalmente inaceitáveis”, afirmou.

Agência Efe e Opera Mundi

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Comentários

  1. Rogério Postado em 15/Nov/2012 às 13:11

    É um grande absurdo! Essas ações são típicas dos soldados nazistas, mas se vc não acha lindo te chamam de antissemita!

  2. francisco Postado em 15/Nov/2012 às 14:16

    sionismo = nazismo

  3. Ítalo Postado em 15/Nov/2012 às 15:07

    Ambos os lados estão errados. Porém os judeus, que sempre se fizeram de vítimas, são os maiores valentões nesse ocorrido.

  4. Jean Postado em 16/Nov/2012 às 12:24

    "O grupo pediu que as duas partes coloquem fim aos enfrentamentos, mas não tomou nenhuma decisão imediata sobre o conflito." DO QUE ISSO ADIANTA? Homens, mulheres, crianças, inocentes em geral vêm sendo massacrados, feitos de cobaias e quem realmente tem o poder de mudar alguma coisa NADA FAZ! São tão assassinos quanto os que condenam.

  5. Antonio de Pádua Postado em 16/Nov/2012 às 14:43

    Concordo Jean. Esquecem que Israel também é atacada e que lá também morrem crianças, mulheres e idosos. Então em Israel pode morrer civis ? Israel tem o Direito de se defender e atacar se necessário.....

  6. PRETTU JUNIOR Postado em 16/Nov/2012 às 15:19

    na ultima investida de israel a 4 anos morreram mais ou menos 1,3 mil palestinos e mais ou menos uns 17 israelense, isso é ultrajante, amoral e cruel

  7. Adriana Atefah. Postado em 19/Nov/2012 às 07:02

    Sim, morrem civis em Israel... se morrer 1 civil em Israel, eles tacam uma bomba para matar 100. Se eu lhe der um tapa, Antonio de Pádua, isso quer dizer que você poderá me dar um tiro? Sabe quando uma ação é moralmente aceita? Filosoficamente falando, utilizando o pensamento de Kant, é quando se todos agissem dessa forma se seria positivo. Então,imagine se todos aplicam esse princípio que Israel aplica nessa guerra? Uma pessoa pisou no meu pé, eu simplesmente quebro o pé da pessoa como represália... Olha como seria hein se a moda de Israel pega? Em Israel existe sistema de alarmes aos foguetes que não são tão potentes assim. Eles possuem armamento que pode destruir esses foguetes no ar, e quem me disse é um engenheiro que vive em Israel. Porque não divulgam que possuem esses sistemas? Porque ficaria muito estranho deixar um foguete do Hamas chegar lá. Eles precisam disso para atacar dessa maneira. Isso é estratégica de limpeza étnica. Os judeus deveriam serem os mais sensíveis ao sofrimento humano, pois foram vítimas também do nazismo. Mas parecem que tanto falarem do nazismo e holocausto, acabaram pegando os mesmos modos desumanos.

  8. Cicero Soares Postado em 21/Nov/2012 às 16:42

    Adriana, pela sua lógica kantiana se todos agissem como os terroristas do Hamas seria o caos total. Mandar um foguete assassino pra matar civis israelenses não é dar tapinha em ninguém, não, minha filha. Usar escudo humano é covardia. E de 300 foguetes, Israel conseguiu interceptar 50. O que é que v faria se a escola de seu filho estivesse recebendo bomba aérea do Paraguai?

  9. Claudecir Postado em 08/Jan/2013 às 14:31

    Oque um não quer dois não faz! Se os judeu quiserem paz a terão mas são nazistas e se acham o povo escolhido, sempre foram assim