Luis Soares
Colunista
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Corrupção 22/Nov/2012 às 14:59
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A inédita mobilização da grande mídia para blindar chefões da Veja

Indiciamentos do jornalista Policarpo Júnior e de Roberto Cívita (diretor e proprietário de Veja, respectivamente) por formação de quadrilha provoca reação inédita na imprensa brasileira

civita policarpo veja

Indícios apontam envolvimento de Roberto Cívita (dono da Abril) e Policarpo Jr. (diretor de Veja) com o criminoso Carlos Cachoeira. Ao tentar impedir as investigações, imprensa brasileira relativiza a ética e afunda em descrédito.

Em menos de 24 horas, relatório de Odair Cunha (PT-MG) conseguiu provocar uma reação inédita dos grandes meios comunicação brasileiros: editoriais do Estado, de Francisco Mesquita Neto, e da Folha, de Otávio Frias, uma capa do Globo, de João Roberto Marinho, além de artigos de Merval Pereira e Ricardo Noblat. Tudo por conta da proposta de indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, de Veja, de Roberto Civita, por formação de quadrilha, em razão de seu estreito vínculo com o bicheiro Carlos Cachoeira

O relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG) conseguiu demonstrar o poder de fogo dos grandes meios de comunicação brasileiros. Os principais jornais do País enfileiraram suas tropas e apontaram os canhões na direção do relator da CPI. O deputado Odair, como se sabe, ultrapassou uma linha perigosa, ao propor o indiciamento de cinco jornalistas e investigações a respeito da conduta de outros seis profissionais de imprensa.

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O caso emblemático é o do jornalista Policarpo Júnior. Odair demonstra que o diretor de Veja tinha ciência de estar servindo a interesses privados de Cachoeira (que apenas eventualmente coincidiam com interesses públicos), valendo-se muitas vezes de munição para suas denúncias obtida por meio de gravações clandestinas ou compradas ilegalmente (como no caso do Hotel Naoum, em Brasília).

O relator também cita exemplos de profissionais que receberam dinheiro, champanhes e outros presentes de Cachoeira para produzir reportagens. Mas, na visão dos grandes grupos privados de comunicação, investigá-los representa uma ameaça à liberdade de expressão. Tanto a Folha como o Estado produziram editoriais a respeito, como colunistas de renome, vide Ricardo Noblat, também condenaram o relatório de Odair Cunha. Foi como se proclamassem, em uníssono: “Somos todos Policarpos”. Ou, de outra maneira, “mexeu com ele, mexeu comigo”.

Leia abaixo parte da introdução do relatório de Odair Cunha

Conforme vimos afirmando ao longo do presente Relatório, a Organização Criminosa (ORGCRIM) chefiada por Carlos Cachoeira e estruturada para assacar o Estado Brasileiro havia fincado raízes em diversos pontos da estrutura democrática estatal (Administração Pública em geral, principalmente no Estado de Goiás) e contava, como órgão de apoio de suas empreitadas criminosas, com um forte e atuante braço midiático, a ser utilizado para atender aos desígnios diversos da quadrilha.

Assim, as linhas seguintes longe de significarem quaisquer afrontas ou ataques à imprensa, aos meios de comunicação ou a seus profissionais, e mesmo ao seus imprescindíveis direitos de expressar e informar, significam, na verdade, em sintonia com a Constituição da República, a própria defesa da liberdade de imprensa e da comunicação.

(…)

O que estamos a afirmar é que a imprensa e os profissionais que a dignificam, independentemente de posições ideológicas ou visões de mundo que conduzem sua linha editorial, devem estar a serviço da verdade e em sintonia com os postulados éticos e legais.

Quando tais profissionais se divorciam desses princípios éticos e das altas responsabilidades que balizam o exercício dos próprios direitos e garantias constitucionais, perdem a sociedade, suas instituições e seus cidadãos.

Foi o que se viu durante as investigações realizadas pela Polícia Federal e por esta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Com efeito, profissionais da imprensa exorbitaram e vilipendiaram de forma gravosa os mais basilares princípios éticos que orientam o exercício da profissão e, de modo indigno, deixaram de servir a sociedade e ao Estado Democrático de Direito e passaram a contribuir de alguma maneira com os interesses da Organização Criminosa.

(…)

Verificar-se-á ao longo do presente capítulo, que alguns profissionais da imprensa aderiram de modo criminoso aos desígnios da ORGCRIM chefiada por Carlos Cachoeira. Menoscabaram e assacaram ferozmente contra a ética no jornalismo em todas as suas dimensões, induziram decisões e juízos de valores, enganaram a sociedade, desvirtuaram verdades, criaram factoides, tudo sob o pressuposto de que estavam protegidos pela liberdade de imprensa.

Ocorre que, como já afirmamos alhures, a liberdade de imprensa não alberga crimes e criminosos, não compactua com a falta de ética, não abarca a manipulação da verdade, não socorre aqueles que maculam a boa-fé dos cidadãos e cidadãs, enfim, não protege os estultos que empulham a sociedade.

(…)

Mas, ao jornalista caberá, sempre, saber quem é a fonte, quais os caminhos que ela trilha, quais os interesses que ela defende, rechaçando as possibilidades de conivência com fontes que eventualmente estejam mergulhadas no crime, porque, afinal, a principal missão do jornalista é a defesa do interesse da sociedade, e nunca a notícia a qualquer preço, especialmente se a notícia visa atender a interesses criminosos. Isso é da deontologia da profissão, constitui uma obviedade. Aprende-se isso nas escolas de jornalismo, nos muitos manuais de redação, no exercício cotidiano da profissão. A ética do jornalismo não admite conivência com o crime, até porque essa conivência, especialmente quando continuada, prejudica profundamente a sociedade.

Brasil 247

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Comentários

  1. sebastião leme Postado em 22/Nov/2012 às 19:57

    ISTO É QUE É CORPORATIVISMO. ATACOU UM CÃO ,ATACOU A MATILHA

  2. Anon Postado em 23/Nov/2012 às 00:24

    até quando?

  3. Guilherme Augusto Postado em 23/Nov/2012 às 17:10

    Pera lá, "criminoso" não! Não chame o Cachoeirinha assim!! Ele foi solto, ele teve uma sentença simpática, que o condenou por quase nada e ainda a cumprir o resto da pena em liberdade, comendo e bebendo ao lado da família em Alphaville. Ora, quem tem um tratamento assim não pode ser criminoso! Criminoso é aquele que o STF condena, porque... porque... é... porque é o STF e o Joaquim Barbosa, e presidente, e ética, e moralidade, e combate à corrupção, e eu li na Veja... opa... Quer dizer, pela lógica, a lógica que o povo é instigado a ter, o criminoso é aquele que é condenado pela Justiça e pela Imprensa juntos. Aquele que é condenado pela Justiça, mas não tem a perseguição ostensiva da Imprensa é inocentinho, a gente esquece logo do que ele fez, afinal, tadinho, nem é tão mal assim. Pior, dez mil vezes pior, são os crimes pelos quais foram condenados os integrantes do núcleo político do mensalão (só o núcleo político, tá gente?, porque o resto eu nem sei, nem são famosos, nem são políticos, sei lá, podem cometer crimes à vontade... igual o Cachoeira... e os engravatados da Veja, que aliás, nem são criminosos, cadê as provas? Contra os condenados na ação penal 470 havia provas e... opa...). É... pois é...

  4. Sérgio Postado em 24/Nov/2012 às 00:54

    Agora, alegria generalizada na mídia brasileira. O editor Chefe da Veja, Carlinhos Cachoeira, já está de volta.

  5. piracetam Postado em 25/Nov/2012 às 18:18

    Vale observar e registrar ainda que a decadência da grande imprensa não é fruto apenas de sua obsolescência tecnológica, mas, e principalmente, do anacronismo e decadência do seu modo de fazer jornalismo, de suas inúmeras mazelas: “denuncismo” seletivo, conteúdo fajuto, perda de credibilidade, falta de agilidade, associação ao crime das máfias que compram parlamentares e jornalistas etc. – vide o caso dos jornalistas citados na CPI do Cachoeira e a operação abafa que se seguiu. Sem falar, decerto, no repasto dos hipócritas e nos sabujos do establishment.

  6. Hermes Batista Milani Postado em 09/Dec/2012 às 05:04

    Amigos e amigas - a revista veja "desperta os instintos mais primitivos" até das mais santas criaturas do Convento das Carmelitas... http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/12/veja-foto-falsa-lula-rosemary-colunista-desculpas.html Leia mais: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/11/inedita-mobilizacao-da-grande-midia-para-blindar-chefoes-da-veja.html

  7. Guilherme Postado em 25/Dec/2012 às 10:55

    Quem vai saber? A revista veja foi inegavelmente envolvida a Carlinhos Cachoeira, mas até que nível ia esse envolvimento? Seriam apenas troca de favores para a descoberta de furos de reportagem? Afinal de contas, Cachoeira era uma espécie de insider do banditismo, melhor, era um player dele. Ou vai mais além, será que tem dinheiro envolvido? Quem ganhava com isso? Era dinheiro de quem? do povo? das vítimas do banditismo no Rio de Janeiro? Do alegre povo do carnaval? A verdade ninguém vai ficar sabendo. Nesse paisinho ridículo, a democracia para inglês ver vai até certo ponto. Quando envolve gente mais graúda, aí eles saem do sério, e o Brasil colônia, esfarrapado mostra sua cara, a mesma cara que oprimiu e destruiu as tentativas legítimas desse país ser autêntico, como aconteceu em diversos momentos de nossa história montada, Conselheiros e Conselheiros de Terras Secas. Nunca saberemos a verdade, graças à grande mídia, e ao povo desenformado, desformado e deformado pela brutalidade e pelo abandono. Aliás desde a época da escravidão esse país e seu povo tem dono, são os donos das vidas dos marionetes, de nos todos. A revolução francesa não chegou ao Brasil, não chegou às mentes e almas dos brasileiros. Somos servos de senhores feudais, envolvidos em brutalidade e num eterno sonho criado pela mídia para ocultar a verdade. Exatamente igual aos miseráveis que dançam e pulam o belo carnaval.

  8. Pereira Postado em 28/Feb/2013 às 01:48

    Dois dias atras assistindo a Globo Internacional. via uma matéria divulgada no Jornal Nacional e praticamente em todos os demais jornais da mema emissora. Me chamou a atenção um detalhe curioso da matéria onde Membros da Comissão da Verdade foram bem incisivos ao divulgarem que no ano de 1964, foram presos mais de 50 mil pessoas pelo então Governo Militar. Me chamou a atenção, levando em consideração a realidade no Brasil de hoje, 25 anos pós a anistia, nota-se se um claro clima de revanche no ar, já que a tal Comissçao da Verdade foi constituida para mostrar a atual geraçao de jovens brasileiros, apenas a versão dos militantes dos movimentos que se opunham ao Governo Militar vigente na época, militantes esses atualmente ocupando funções nos Primeiros escalões do Governo, entre eles a atual Pres. da República Dilma Roussef. Voltando ao detalhe que me chamou atenção, nas materias veiculada na TV, dizendo que durante o ano 1964 foram presas mais de 50 mil pessoas no Brasil, lembro me de Comentários do respeitável jornalista A. Jabor citando que no Brasil, atualmente morre mais pessoas por ano, no do que em todas as guerras civis no Oriente Médio. Morrem em conforando entre Organizações Criminosas e polícias, traficantes de drogas e armas, entre outras a título de exemplo. Então será que o povo, diante dessa situaçao que poderiamos chamar de um país sem lei, refém do crime organizado presas em suas casas, se consultadas muito provavelmente aprovariam uma ação militar no molde de 1964 , para combater e enfrentar de frente a frente o PODEROSO CRIME ORGANIZADO QUE SE ENRAISOU EM TODOS OS SEGMENTOS DA SOCIEDADE BRASILEIRA.