Redação Pragmatismo
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Direita 09/Nov/2012 às 01:17
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Almeidinha: "Direitos humanos para humanos direitos"

“Direitos humanos para humanos direitos”. Este é o lema do Almeidinha, um brasileiro médio para quem a “crise de segurança” é só papo de intelectual

Matheus Pichonelli, CartaCapital

Almeidinha era o sujeito inventado pelos amigos de faculdade para personalizar tudo o que não queríamos nos transformar ao longo dos anos. A projeção era a de um cidadão médio: resmungão em casa, satisfeito com o emprego na “firma” e à espera da aposentadoria para poder tomar banho, colocar pijama às quatro da tarde, assistir ao Datena e reclamar da janta preparada pela esposa. O Almeidinha é aquele sujeito capaz de rir de qualquer piada de português, negro, gay e loira. Que guarda revistas pornográficas no armário, baba nas pernas da vizinha desquitada (é assim que ele fala) mas implica quando a filha coloca um vestido mais curto. Que não perde a chance de dizer o quanto a esposa (ele chama de “patroa”) engordou desde o casamento.

almeidinha cidadão de bem

O Almeidinha costuma repetir também que os pobres é que não se ajudam. Vê o caso da empregada, que achou pouco ganhar vinte reais por dia para lavar suas cuecas e preferiu voltar a estudar. Culpa do Bolsa Família, ele diz.

O Almeidinha, para nosso espanto, está hoje em toda parte. Multiplicou-se em proporção geométrica e, com os anos, se modernizou. O sujeito que montava no carro no fim de semana e levava a família para ir ao jardim zoológico dar pipoca aos macacos (apesar das placas de proibição) sucumbiu ao sinal dos tempos e aderiu à internet. Virou um militante das correntes de e-mail com alertas sobre o perigo comunista, as contas no exterior do ex-presidente, os planos do Congresso para acabar com o 13º salário. Depois foi para o Orkut. Depois para o Facebook. Ali encontrou os amigos da firma que todos os dias o lembram dos perigos de se viver num mundo sem valores familiares. O Almeidinha presta serviços humanitários ao compartilhar alarmes sobre privacidade na rede, homenagens a pessoas doentes e fotos de crianças deformadas. O Almeidinha também distribui bons dias aos amigos com piadas sobre o Verdão (“estude para o vestibular porque vai cair…hihihii”) e mensagens motivacionais. A favorita é aquela sobre amar as pessoas como se não houvesse amanhã, que ele jura ser do Cazuza mas chegou a ele como Caio Fernandes (sic) Abreu.

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O Almeidinha gosta também de se posicionar sobre os assuntos que causam comoção. Para ele, a atual onda de violência em São Paulo só acontece porque os pobres, para ele potenciais criminosos (seja assassino ou ladrão de galinha) têm direitos demais. O Almeidinha tem um lema: “Direitos Humanos para Humanos Direitos”. Aliás, é ouvir essa expressão, que ele não sabe definir muito bem, e o Almeidinha boa praça e inofensivo da vizinhança se transforma. “Lógica da criminalidade”, “superlotação de presídios”, “sindicato do crime”, “enfrentamento”, “uso excessivo da força”, para ele, é conversa de intelectual. E se tem uma coisa que o Almeidinha detesta mais que o Lula ou o Mano Menezes (sempre nesta ordem) é intelectual. O Almeidinha tem pavor. Tivesse duas bombas eram dois endereços certos: a favela e a USP. A favela porque ele acredita no governador Sergio Cabral quando ele fala em fábrica de marginais. A USP porque está cansado de trabalhar para pagar a conta de gente que não tem nada a fazer a não ser promover greves, invasões, protestos e espalhar palavras difíceis. O Almeidinha vota no primeiro candidato que propuser esterilizar a fábrica de marginal e a construção de um estacionamento no lugar da universidade pública.

Uma metralhadora na mão do Almeidinha e não sobraria vagabundo na Terra. (O Almeidinha até fala baixo para não ser repreendido pela “patroa”, mas se alguém falar ao ouvido dele que “Hitler não estava assim tão errado” ganha um amigo para o resto da vida).

A cólera, que o fazia acordar condenando o mundo pela manhã, está agora controlada graças aos remédios. O Almeidinha evoluiu muito desde então. Embora desconfiado, o Almeidinha anda numas, por exemplo, de que agora as coisas estão entrando nos eixos porque os políticos – para ele a representação de tudo o que o impediu de ter uma casa na praia – estão indo para a cadeia. Ele não entende uma palavra do que diz o tal do Joaquim Barbosa, mas já reservou espaço para um pôster do ministro do Supremo ao lado do cartaz do Luciano Huck (“cara bom, ajuda as pessoas”) e do Rafinha Bastos (“ele sim tem coragem de falar a verdade”). O Almeidinha não teve colegas negros na escola nem na faculdade, mas ele acha que o exemplo de Barbosa e do presidente Barack Obama é prova inequívoca de que o sistema de cotas é uma medida populista. É o que dizia o “meme” que ele espalhou no Facebook com o argumento de que, na escravidão, o tráfico de escravos tinha participação dos africanos. Por isso, quando o assunto encrespa, ele costuma recorrer ao “nada contra, até tenho amigos de cor (é assim que ele fala), mas muitos deles têm preconceitos contra eles mesmos”.

O Almeidinha costuma repetir também que os pobres é que não se ajudam. Vê o caso da empregada, que achou pouco ganhar vinte reais por dia para lavar suas cuecas e preferiu voltar a estudar. Culpa do Bolsa Família, ele diz, esse instrumento eleitoral que leva todos os nordestinos, descendentes de nordestinos e simpatizantes de nordestinos a votar com medo de perder a boquinha. Em tempo: o filho do Almeidinha tem quase 30 anos e nunca trabalhou. Falta de oportunidade, diz o Almeidinha, só porque o filho não tem pistolão. Vagabundo é outra coisa. Outra cor. Como o pai, o filho do Almeidinha detesta qualquer tipo de bolsa governamental. A bolsa-gasolina que recebe do pai, garante, é outra coisa. Não mexe com recurso público. (O Almeidinha não conta pra ninguém, mas liga todo dia, duas vezes por dia, para o primo de um conhecido instalado na prefeitura para saber se não tem uma boca de assessor para o filho em algum gabinete).

O filho do Almeidinha também é ativista virtual. Curte PlayStation, as sacadas do Willy Wonka, frases sobre erros de gramática do Enem, frases sobre o frio, sobre o que comer no almoço e sobre as bebedeiras com os moleques no fim de semana (segue a página de oito marcas de cerveja). Compartilha vídeos de propagandas de carro e fotos de mulheres barrigudas e sem dentes na praia. Riu até doer a barriga com a página das barangas. Detesta política – ele não passa um dia sem lembrar a eleição do Tiririca para dizer que só tem palhaço em Brasília. E se sente vingado toda vez que alguém do CQC faz “lero-lero” na frente do Congresso. Acha todos eles uns caras fodásticos (é assim que ele fala). Talvez até mais que o Arnaldo Jabor. Pensa em votar com nariz de palhaço na próxima eleição (pensa em fazer isso até que o voto deixe de ser obrigatório e ele possa aproveitar o domingo no videogame). Até lá, vai seguir destruindo placas e cavaletes que atrapalham suas andanças pela cidade.

Como o pai, o filho do Almeidinha tem respostas e certezas para tudo. Não viveu na ditadura, mas morre de saudade dos tempos em que as coisas funcionavam. Espera ansioso um plebiscito para introduzir de vez a pena de morte (a única solução para a malandragem) e reduzir a maioridade penal até o dia em que se poderá levar bebês de oito meses para a cadeia. Quer um plebiscito também para acabar com a Marcha das Vadias. O que é bonito, para ele, é para se ver. E se tocar. E ninguém ouve cantada se não provoca (a favorita dele é “hoje não é seu aniversário mas você está de parabéns, sua linda”. Fala isso com os amigos e sai em disparada no carro do pai. O filho do Almeidinha era “O” zoão da turma na facul).

Pai e filho estão cada vez mais parecidos. O pai já joga Playstation e o menino de 30 anos já fala sobre a decadência dos costumes. Para tudo têm uma sentença: “Ê, Brasil”. Almeidinha pai e Almeidinha filho têm admiração similar ao estilo civilizado de vida europeu. Não passam um dia sem dizer que a vida, deles e da humanidade em geral, seria melhor se o país fosse dividido entre o Brasil do Sul e o Brasil do Norte. Quando esse dia chegar, garantem, o Brasil enfim será o país do presente e não do futuro. Um país à imagem e semelhança de um Almeidinha.

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Comentários

  1. LUCAS ROVER Postado em 09/Nov/2012 às 02:08

    po... esse texto é muito bom ! Parâmetro da comum vida alienada do brasileiro.

  2. Raoni Japiassu Postado em 09/Nov/2012 às 10:07

    Só esqueceu de dizer que o Almeidinha leva uma Veja debaixo do braço quando vai ao banheiro.

    • Ezequiel Postado em 06/Sep/2013 às 05:05

      Ótimo texto! Parabéns. Só faltou citar a Veja e o BBB, que apesar de assistir todo ano, critica a "inversão de valores" e as "vagabundas que ficam se mostrando pro Brasil" no programa.

  3. Mi Postado em 09/Nov/2012 às 11:00

    Muito bom!

  4. Jéssica Postado em 09/Nov/2012 às 12:56

    Parabéns, já fazia tmepo que não lia uma crítica tão bem construída. "Fodástica"!! kkkkkkkkkk

  5. Thiago Postado em 09/Nov/2012 às 13:35

    Trabalhei numa empresa onde dávamos o nome pra isso de "Reizinho Mandão" porque normalmente este tipo de pessoa gosta de mandar.

  6. Roots Postado em 09/Nov/2012 às 14:01

    Poutz, me vi como um Almeidinha qdo o assunto era zuar o Palmeiras, foi mal aí. Infelizmente vejo vários manos no melhor estilo Almeidinha por aí, mais do q imaginava... E concordo com o "Raoni Japiassu", só faltou uma Veja qdo vai ao banheiro.

  7. Diogo Postado em 09/Nov/2012 às 15:55

    só não concordo com a parte do cartaz. De resto, não é seu aniversário mas está de parabéns.

  8. Ismael Postado em 09/Nov/2012 às 18:00

    A parte boa é que o império os Almeidinhas está desmoronando lentamente. Concordo com o pessoal: para a estética do Simpson tupiniquim ficar "ajeitada" só faltou o lixo da Veja debaixo do braço.

  9. Anon Postado em 09/Nov/2012 às 20:24

    sobre “Direitos humanos para humanos direitos” , o Brasil tem oportunidades para todos, oportunidade se cria, logo vivendo em país como esse é inadmissível cafe da manha,almoço e janta e outras coisas mais para quem praticou latrocínio ou qualquer forma de homicídio, na boa, é só mandar a conta da munição para família pagar... ta com pena? leva para sua casa.

    • Paulo Postado em 23/Sep/2013 às 16:47

      Alguém esqueceu de dizer que o Almeidinha adora o Datena "Essa é a voz do povo! Esse gosta de justiça" e, enquanto assiste o programa do Datena, adora reforçar que Bandido bom é bandido morto, caso alguém contra argumente o almeidinha ele já tem um "Ta com pena? Leva pra sua casa!" Na ponta da língua.

    • anti-reaça Postado em 09/Feb/2014 às 10:00

      Anon Almeida(inha)

  10. Alguém Postado em 09/Nov/2012 às 20:32

    Olha só, os Almeidinhas chegaram até aqui haha. Ótimo texto, construção excelente.

  11. Priscila Postado em 09/Nov/2012 às 23:25

    só faltou a Veja debaixo do braço como o pessoal citou antes rs

  12. Gabriela Postado em 10/Nov/2012 às 01:35

    Já foi para a lista dos favoritos , na verdade eu utilizava o termo "classe média" mas agora que você me apresentou o Ameidinha... haha.

    • Gezuis Craist Postado em 23/Sep/2013 às 14:31

      Você é de que classe, Gabriela?

  13. Danilo Postado em 10/Nov/2012 às 01:48

    É verdade, estão por toda parte, vieram até comentar por aqui, como disse o Alguém rs. Muito bom o texto! Gostei da parte que o nosso Almeidinha fala: "O Brasil tem oportunidades para todos". Hahahahahaha isso só pode ser um troll

  14. Gustavo S Postado em 10/Nov/2012 às 02:30

    Parabéns pelo texto. Tenho uma leve impressão de que Anon não será o único Almeidinha a se manifestar. Eles sempre aparecem... kkkk

  15. Antonio de Pádua Postado em 10/Nov/2012 às 09:22

    Moro na Zona Oeste do Rio desde pequeno, passei por muitas dificuldades e estou aqui, com Faculdade e trabalhando. Anon está certo. Deixei de ir várias vezes a Faculdade por falta de segurança, ía e voltava tranquilo, quando tinha Caveirão perto da minha casa. O pior era chegar na porta da Faculdade e encontrar "esquedista' fazendo campanha contra o Caveirão e depois esses cara íam fumar maconha nos andadres de cima da Faculdade. Que eu saiba, na China, Coréia do Norte e Cuba, tráfico é tratado no paredão, aqui os esquerdistas defendem em detrimento do povo que trabalha, estuda e quer evoluir..... O texto é realmente bom, mas como o Anon escreveu acima, por favor, aqui onde moro tem um monte de viciados, traficantes e funqueiros... chamem eles pra morar com vocês. Pergunta se eles querem estudar e trabalhar ? Vocês não os arautos da Esquerda Progressista? Pois bem, há muito serviço pra vocês.....

    • Alana Postado em 10/Nov/2012 às 10:00

      Antonio, querido, não se trata de perguntar se eles querem estudar ou trabalhar, mas de questionar as razões que os levaram a chegar nesse patamar. E, acredite, não foram por 'causas naturais', como defendem os Almeidinhas.

      • Anti-Mafalfda Postado em 05/Nov/2013 às 12:11

        Você não acredita em causas naturais, Mafaldinha? O ser humano existe à margem da natureza? O governo que você com certeza defende acaba de bater o recorde de homicídios em um ano, como você explica isso?

  16. Marcelo Postado em 10/Nov/2012 às 10:55

    Sempre morei em periferia, a maioria das crianças que cresceram comigo tiveram não podem hoje contar suas histórias, e muito menos estudar numa universidade federal como eu faço. Se tivemos as mesmas oportunidades, se eu me esforce mais do que eles , nem sei. Meu pai assumidamente fumava maconha, meus avós bebiam alcool, e a mim o diálogo sempre foi aberto. Todo tipo de problema era facilmente comunicado aos meus pais. Um destes meus colegas teve duas costelas e um braço quebrados por policiais após ter sido confundido com um bandido. Um outro teve um filho aos 15 anos, seus pais muito religiosos negavam qualquer diálogo com sobre sexo com ele. Um outro pegou sifilis de uma prostituta, embora haja tratamento gratuito para este tipo de doença, a demora no atendimento levou ele a não poder mais trabalhar. Não podendo trabalhar no mercado formal, ele virou camelô, um dia a policia civil apreendeu todas as suas mercadorias(segundo ele, não teria pago o arrego da semana). Meu caso foi diferente, vivendo numa família culturalmente liberal onde a busca sempre foi por compreender antes de punir, tive diálogo bom, já sofri vários baculejos da policia, porém nunca sofri violência física policial, já transei bastante, porém sempre com segurança...tudo isto fruto do dialogo aberto. Você acha que a maioria das familias brasileiras tem dialogo aberto sobre sexo, drogas e segurança com seus filhos? Você acha que é de fácil acesso este dialogo aberto , tão necessário para o bom desenvolvimento dos jovens? Eu queria muito que estes meus amigos tivessem o mesmo destino que o meu, e por muito tempo cri que eles não tiveram por falta de interesse ou esforço, porém depois de um tempo pensei com meus botões...será que eles tiveram a família que eu tive? Matar não resolve..porque nasceriam outros mil pra contra atacar...nestes locais onde o crime é tratado com punições mais severas, veja a taxa de analfabetismo ou de miséria....a taxa de miséria de Cuba é ZERO.. numa troca de tiros tanto o bandido pode morrer como o policial ou então algum inocente pode morrer...não seria melhor evitar a troca de tiros?.. Não seria melhor garantir empregos, escola, e comida pra todos...enquanto ainda estão fora da cadeia? Sou de esquerda porque até hoje, as propagandas da direita no Brasil giram em torno de uma moral normativa..de pais atrasados que não conversam com seus filhos...que educam com violência...eu vi isto sendo feito muito nas periferias onde morei...e nunca vi dar certo..até porque ..um pai pode exigir estas coisas de seu filho quando ele mesmo, o pai, dá o básico para o filho...e se o pai não tem o básico pra ele mesmo...comofaz ?

    • Sérgio Moreira Postado em 23/Sep/2013 às 14:34

      Excelente comentário Marcelo! A base de qualquer sociedade começa na família. Uma família desestruturada desencadeia uma série de bloqueios para o jovem, especialmente na sua formação básica, que vai até os 8 anos de idade, quando a personalidade e o caráter são formados. Com raras exceções, a maioria dos delinquentes tiveram sua humanidade castrada quando crianças! Sou a favor da pena de morte, mas apenas para os crimes do colarinho branco, mas também sou a favor da maioridade penal aos 16 anos! Também penso que, da mesma forma que somos obrigados a passar em uma prova de legislação para ter carteira de motorista, deveria haver prova de legislação para se tirar o título de eleitor. Enquanto analfabeto votar e ser eleito, esse país continuará a ser nivelado por baixo!

  17. Regis Mesquita Postado em 10/Nov/2012 às 12:08

    Direitos humanos é para todos. É a forma da sociedade produzir menos vítimas e mais cidadãos. Neste texto conto minha experiência: http://www.psicologiaracional.com.br/2012/03/porque-defendo-os-direitos-humanos.html

  18. Mario Postado em 10/Nov/2012 às 18:26

    Puxa, quanto clichê, o cara é o mestre supremo do chavão. O mundo está errado, apenas ele é o sábio e sabe o que é melhor para todos, pena que a História o desminta o tempo todo. E na boa, intelectual na usp? A fábrica de marxistas imbecis? kkkkkkkkkk

  19. emanoel Postado em 11/Nov/2012 às 09:43

    exagerado, e o Rafinha é muito bom para o país,tem muita gente que não acha piada de preto, viado, etc,mas que não convive com nenhuma minoria mas prega a luta contra o racismo e discriminação, chega dessa hipocrisia social, e que direitos a marcha das vadias já conquistou?

  20. Lud Postado em 14/Nov/2012 às 15:40

    Conheço vários Almeidinhas!

  21. Alvaro Postado em 22/Dec/2012 às 02:23

    O pessoal resume o problema em ''leva o bandido pra casa'' - isso é preguiça de pensar? Morte cerebral ou egoísmo mesmo? Se nós tivéssemos um governo decente para todos, não teria bandidagem. Hoje, molecada de classe média quer irar bandido. Me explica isso, ''leva o bandido pra casa''? E, na boa, é muita cara-de-pau achar que não se dee apoiar as minorias porque vive-se longe delas - cara, você não vive sozinho! Me entristeço desse Brasil onde a maioria tem visão estreita, dialética alienada e valores vazios. É bem como diz aquela música, ''o barbarismo começa em casa''. Ótimo texto!

  22. Fabiana Farias Postado em 11/Jan/2013 às 07:52

    Ótimo texto, mesmo! E, como estão cheios de Almeidinhas por aí. E eu diria, Alvaro, que são vários motivos, como você citou. Claro, a maioria dos Almeidinhas são ignorantes, mesmo (como o Homer Simpson) e estão em todas as camadas da sociedade, não só nas classes mais altas. Mas, pior do que ignorantes, eles resistem ao diálogo. São irredutíveis. O lema deles é "Eu só quero que resolvam o problema e eu não saia perdendo. E que o resto se dane". Triste realidade de um mundo mesquinho.

  23. Marcio Gambôa Postado em 13/Jan/2013 às 17:43

    Ri demais! Hilário, inteligente, sarcástico e, porque não dizer, todos nós temos alguma coisa que nos identificamos com o Almeidinha, apesar de odiarmos isso em nós mesmos, como o fato de acharmos que os gringos fazem tudo melhor do que nós. Só faltou comentar que o Almeidinha é fanático por algum time de futebol. Já a cantada do filho do Almedinha foi algo incomentável. Parabéns! São textos assim que fazem valer meu domingo em frente a um computador, compartilhando no Facebook... igualzinho ao Almeidinha!

  24. Marcio Gambôa Postado em 13/Jan/2013 às 18:06

    Faltou também destacar que o Almeidinha, como todo bom brasileiro que nível mediano de cultura e educação, escreve muito mal em seus comentários desconexo. Para nosso herói digno da idolatria do Pedro Bial, o português é a língua que deveria ser banida do Brasil, pois é muito complexa, além de que quem não coloca "vc", "mano", "kkkkkkkk", e expressões como "na boa", e que, ao invés de usar vírgula e ponto, coloca três pontos ao final de cada período, são tudo gente "desmodernizada". Os clichês mais batidos no final de cada comentário é a pior parte: "ta com pena? leva para sua casa". Coisas de Almeidinha.

  25. paulo roberto machado Postado em 14/Jan/2013 às 13:19

    Poxa.Quase cheguei a pensar que estavam falando de mim,algumas exceções.

  26. Matheus Postado em 24/Jan/2013 às 15:21

    Varios almeidinhas nos comentários já :)

  27. Matheus Postado em 24/Jan/2013 às 15:24

    Emanoel, eu não vou discutir com você nem dissecar cada lixo que você disse até porque o Almeidinha que se preze não vai entender bulhufas do que eu falar. Mesmo assim faço questão de dizer algo sobre todas as frases que você escreveu - TODAS sem exceção estão erradas e TODAS sem exceção corroboram o que tá escrito no texto.

  28. Hina Postado em 01/Mar/2013 às 13:52

    Parabéns pelo texto! Muito bem construído! Gente mediana, limitada e frustada de Almedinha - infelizmente - o mundo está cheio (uma boa parte morando no Brasil). O exercício de Hitler era composto de Almedinhas... A frase "ta com pena, leva para você" é muito idiota quando aplicado ao conceito de violência... só era engraçada no Chico Anysio.

  29. luiz Postado em 04/Mar/2013 às 14:16

    Humm, texto interessante. Quanto aos seguidores de Hitler, assim como os de Stalin, eram compostos por um povo que em sua maioria foi enganado pela promessa de redenção, pela cura de todos os males. O discurso raivoso contra todos os que pensavam diferente. Seja um Gay, um negro, um ativista de qualquer natureza, até mesmo (para o seu horror) o leitor da revista Veja deve ser respeitado, desde que também respeite. Sem que se perceba, ser raivosamente contra o Almeidinha, pode ser tão degradante como ser o próprio. Basta que não se aceite o diferente. E o horror do totalitarismo é exatamente esse, o pavor do diferente.

    • Sidrack Demosthenes Postado em 22/Mar/2014 às 11:52

      Parabéns Luiz, também concordo que devemos respeitar o pensamento dos outros, ter ódio dos almeidinhas, negros, pobre, ricos, políticos, gays, países, regiões, religiões, gordos, viciados, partidos políticos ou times de futebol é tudo igual. O PAVOR DO DIFERENTE.

    • SIDRACK Postado em 22/Mar/2014 às 12:00

      Muito bom o texto. Embora entenda que o mais importante na vida é o respeito portanto devemos respeitar o pensamento dos outros, ter ódio e criticar os almeidinhas, negros, pobre, ricos, políticos, gays, países, regiões, religiões, gordos, viciados, partidos políticos ou times de futebol É TUDO A MESMA COISA. O PAVOR DO DIFERENTE.

    • Caio Borrillo Postado em 04/Apr/2015 às 17:15

      "Basta que não se aceite o diferente" e aí entram regimes e políticos que acham ok mulher morrer de aborto, e que não acham que homofobia deveria virar crime. Se sua opinião fere a liberdade de viver de alguém, se ela é opressiva, preconceituosa, misógina, racista e homofóbica, lamento, não vou respeitar essa opinião de cloaca nem a pau.

  30. Mateus Postado em 22/Apr/2013 às 00:37

    interessante é pensar q onde mais tem pena de morte é em Cuba e ena China (e lá vc morre em pouco tempo e tua família paga a conta)

  31. josiane Postado em 31/May/2013 às 17:20

    Excelente crítica ao comodismo no qual leva os brasileiros a se "satisfazerem" com a vida medíocre que levam e a ignorância de criticar somente o que é a eles, estão de parabéns !

  32. Jean Postado em 08/Jun/2013 às 22:05

    Incrivel!

  33. Jackson Postado em 23/Sep/2013 às 13:04

    Noossa, vei! Que crítica linda!

  34. Rose Postado em 02/Nov/2013 às 23:46

    Cólera controlada através de remédios? Opa! Se a referência, como entendi, remete a remédios psiquiátricos, e um tom pejorativo com pessoas que tomam remédios controlados por transtornos psiquiátricos sugiro pensar o quanto nossos posições estão comprometidas. Obviamente não sou neutra, e desconfio de discursos "neutros". Como tomo remédios psiquiátricos a pequena observação destacou-se na minha leitura. O texto, que em mim não causou risinhos, é um retrato feito de vários pedaços de nós, brasileiros médios, ao que a mim, além de lamentar cabe-me desmarcar e propor outras posturas mais dignas para nós seres humanos.

    • Caio Borrillo Postado em 04/Apr/2015 às 17:14

      Não entendeu a crítica, amiga? Não é uma crítica a seres humanos com problemas psiquiátricos, se posso dar o spoiler.

  35. Fuckoff Postado em 05/Nov/2013 às 12:07

    O velho textinho preconceituoso e estereotipador, tentando colocar todo mundo que não vê o mundo da mesma forma que o autor dentro de um balaio de racistas, egoístas, etc. Só o autor do texto que é bonzinho.

  36. Almeidinha Postado em 20/Jan/2014 às 16:09

    Olá! Nasci em uma família de "classe média". Tive dois pais maravilhosos que sempre me apoiaram, pagaram meus estudos e tive a sorte de me formar em uma universidade particular. Ganhei um carro com 18 anos, sempre usei roupas legais, tenho muitos amigos, hoje vou a restaurantes quando posso pagar, mas preciso economizar, senão iria mais. Saio pouco à noite, prefiro encontrar com amigos e conversar, mesmo que em casa. Comecei a trabalhar aos 15 anos e trabalho muito, todo dia. Me casei aos 25. Com 39 hoje, já tenho um filho de 04 e procuro educá-lo e ensinar o que é certo e errado a todo instante - e vou procurar dar todo o amor que recebi de meus pais, ou ainda mais - e por amor NÃO se entenda COISAS materiais. Nunca ganhei muito dinheiro, mas consigo ter o suficiente para manter minha família e pagar as contas, inclusive contando com o que minha esposa ganha (mais do que eu - e não me envergonho nem um pouco disso). Rejeito trabalhos que possam ferir meus princípios morais e prejudicar outras pessoas. Não ligo para trocar de carro e tenho o mesmo há mais de 10 anos, mas uso todo dia. Odeio futebol. Estudei música desde os 08 anos de idade e sei apreciar qualquer tipo de música que seja feita com capricho e originalidade. Sou branco, tive muitos amigos pretos - um deles, praticamente meu irmão e padrinho de casamento - e de todas as outras etnias, religiões e de outros países. Sempre execrei preconceitos raciais e sociais de qualquer espécie. Fui gordo quando criança e sofri com a sacanagem da molecada, mas sentava o braço em alguns e acabava sendo respeitado. Procuro ajudar quem está ao meu alcance e muitas vezes já trabalhei de graça para pessoas sem condições de pagar. Perdi minha irmã para o câncer e minha mãe por outras causas, pouco tempo atrás. Fui assaltado algumas vezes em São Paulo e me posiciono CONTRA pena de morte e acredito que qualquer um pode ser recuperado. Não sou a favor do PT nem muito menos de qualquer outro partido. A começar pelo sistema eleitoral, acredito que a forma de governo atual que conhecemos está condenada e completamente contaminada de forma que o nosso país irá demorar alguns séculos para se recuperar... Acredito na solução, que começa na educação de qualidade. Leio a Veja de vez em quando e não gosto. É uma revista de conteúdo muito mal feito e limitado, exceto por algumas reportagens com enfoque mais científico. Penso o mesmo de todas as outras revistas do mercado nacional, sendo que, no ponto político, todas são de certa forma parciais, cada uma puxando a sardinha para o próprio lado que lhe convém, assim como muitos sites, blogs, etc. Leio muito desde criança. Revistas, gibis, livros de todos os tipos e continuo lendo. Minha revista predileta é a National Geographic. Por fim... venho percebendo que há um movimento por parte de certos grupos, inclusive da própria imprensa, no sentido de se denegrir a imagem do que chamam de "classe média", na qual eu seria obrigado a me colocar, pois não sou nem rico, nem pobre. Você que leu tudo o que eu escrevi, já me rotulou como "Almeidinha"? De tudo o que declarei o que te chama mais a atenção a ponto de torcer o nariz foi eu ter escrito "pretos" e "não sou a favor do PT ou de qualquer outro partido"? Quem é o preconceituoso? Precisamos mesmo de mais rótulos na sociedade para que as pessoas odeiem umas às outras? Eu sou mau e preciso desse rótulo, porque moro perto do parque ibirapuera, no meu próprio apartamento, sou pós graduado, tenho opinião própria sobre tudo e cresci numa família boa que me deu condições de ter uma vida mais confortável, mas não menos sofrida do que muitos? Pergunto de novo: Quem é o preconceituoso? Minha opinião sobre o texto... Aliás... Posso ter opinião, sem ser estereotipado como o idiota caricato do autor? O texto acima não contribui em absolutamente nada para erradicar o preconceito de qualquer tipo do país, seja entre classes sociais ou raças diferentes e tem um ativismo político claro. Eu pensaria duas, três, cem vezes antes de aplaudir este tipo de iniciativa. Boa sorte. Abs! "Almeidinha".

    • Caio Borrillo Postado em 04/Apr/2015 às 17:12

      Se vc se reconhece como Almeidinha, cê já tá errado, né filhote? Não entendeu a crítica?

  37. Antonio Naddeo Postado em 15/Feb/2014 às 07:14

    Caraca, meu... Tem, em mim, muito desse Almeidinha!!!! Tenho que me consertar!!!!.

  38. Seu Nome Postado em 10/Mar/2014 às 22:31

    Como não ando muito pela internet nem tenho facebook e muito menos vou em festas não sei direito se esse seria exatamente um almeidinha, mas sei que muita gente se comporta assim. Inclusive nós por detectarmos um problemas onde existe um problema como problema, do contrário não veriamos isto imediatamente, isso demonstra que não somos tão puros assim e temos conceitos bem definidos lateralmente, assim como os almeidinhas, por isso é difícil definir a questão de certo ou errado, discordando deles apenas pareceremos mais altruistas, o que também pode não ser bom, mas não tão ruim quanto o sujeito descrito no texto aparentemente. haha Parabéns!

  39. Sem nome Postado em 29/Mar/2014 às 10:13

    Em certa parte que seja um problema de toda a sociedade o que estamos vivendo, hoje. Moro em Florianópolis, que não é nenhuma Rio ou São Paulo em termos de violência, ma sjá vi algumas pessoas sendo mortas na rua da minha casa por causa do tráfico de drogas. Acho sim que se o governo desse mais educação, saúde, oportunidades de emprego e de estudo igualmente a todas as parcelas da população, acredito que nosso país seria muito melhor. Não acho prender e agredir um menor que roubou alguém, e deixar os políticos nas ruas para continuar roubando o dinheiro do povo. Mas é preciso entender que não são só as pessoas menos favorecidas, carentes de educação, de família, de recursos, que acaba entrando no mundo tráfico. Conheço muitas pessoas que tinham uma condição de vida muito melhor do que a minha, mas que quiseram cometer crimes, traficar, etc. Meu primo morreu de uma bala de um policial, mas tudo isso porque estava fugindo da polícia, pois tinha matado um zelador de um prédio que ia dedurar ele e seu grupo de tráfico. Os pais dele, meus tios, uma vez roubaram dinheiro de uma grande empresa, e com isso construíram sua casa, compraram carros, etc, mas que hoje não tem mais seu filho. O que existia em comum entre essas três pessoas da minha família, era que todos tiveram acesso a educação, saúde, tinham comida na mesa, tinham uma boa família, mas quiseram fazer o que fizeram. E aí, pode-se dizer que isto também é culpa da sociedade? Meu pai teve muitos problemas familiares quando pequeno, e cedo começou a usar drogas, e usa até hoje. Ele é um homem muito inteligente, apesar de ano ter completado os estudos, e consegue ganhar um bom salário por mês, mas gasta uma boa parcela dele em bebida e droga. O discurso quando meu pai vê tv e passa alguma notícia de que alguém foi baleado na favela daqui é: coitado, que tristeza, etc, mas ele também tem culpa nisso, pois todo o usuário financia a compra de armas, o trabalho de crianças nos pontos de droga etc. Eu cresci vendo isso, e nuca usei drogas, e raramente bebo. Estudo em uma universidade pública e trabalho. Quando vejo um morador de rua, penso que também sou uma pessoa culpado por aquilo, mas muitas vezes vejo situações em que não há culpa do governo, mas há prejuízo para a população. Sou contra o uso de drogas, e como muita gente fala, desde que o homem é homem ele usa drogas, mas hoje em dia é diferente. Pra vc usar drogas, se não produzir vc mesmo, tem que comprar de alguém, que comprou uma quantidade maior de outro alguém, que recebeu um carregamento lá da Bolívia, que não foi visto pelo controle da polícia. Mesmo que a polícia tivesse eficiência máxima no controle da importação de drogas, no controle da venda de armamentos, etc, ainda teriam pessoas na rua, que realmente não querem trabalhar, porque dizer que não existe "vagabundo" é uma fantasia, que iriam querer roubar vc, ou te violentar, só por prazer mesmo, não que elas fazem isso inconscientemente, só porque não tiveram boa educação e boa estrutura familiar, o que deveria acontecer com essas pessoas, elas não deveriam ser punidas de alguma forma? Um bom exemplo é o da Suzana von Richtofen, que assassinou os próprios pais, ela sempre teve uma vida confortável, teve educação, teve uma estrutura familiar boa, mas quis matar porque não queria que eles a contrariassem, para namorar e fazer o que quisesse, e alguém ainda vai querer dizer que ela merece ter seus direitos, estudar direito na cadeia, e ter sua pena diminuída porque prestou serviços ou por bom comportamento? Toda a população paga para que alguém fique na cadeia, e nós pagamos pelos estudos de uma assassina, que depois quando for solta ainda vai ser empregada por alguém? Acredito que as pessoas só passam a mudar de opinião quando todos estes fatos se relacionam a pessoas que vc gosta ou com a sua família, aí você só vai querer justiça, e não direitos humanos.

    • Caio Borrillo Postado em 04/Apr/2015 às 17:12

      Tá, e depois desse romance em três volumes cê quis dizer o que mesmo? Que sua exceção é a regra e que o resto do mundo tá errado? Se enxerga, filhote.

  40. Seu Nome Postado em 01/Apr/2014 às 16:32

    Pois é... Os "Almeidinhas" são os idiotas que acordam cedo todo dia para trabalhar, pagam seus impostos que acabam sendo utilizados por um bando de vagabundos aproveitadores. Esqueceram de colocar a frase: "Bandido bom é bandido morto."

    • Caio Borrillo Postado em 04/Apr/2015 às 17:11

      Esqueceu de dizer que Almeidinha também faz esse tipo de comentário reacionário, reclamando do povo "honesto", que acorda cedo pra trabalhar, mas que na primeira oportunidade pede pro guarda aliviar a multa, que nem tava correndo tanto e se pode pagar aquela breja pra ficar sem a multa. Opa..... você é um Almeidinha! Misógino, machista, racista, alienado, que acha que a culpa é "dos outros", que não quer "sustentar vagabundo", mas que pede pro chefe dar um emprego pro Júnior!

  41. Caio Borrillo Postado em 04/Apr/2015 às 17:09

    Três anos depois e o texto permanece absolutamente atual.