Luis Soares
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Política 06/Feb/2012 às 17:33
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Abaixo-assinado condena defesa de assassinato por jornalistas da Globo. Assine

“Ao divulgar a defesa da prática do assassinato como meio de fazer política, a Rede Globo dá as mãos ao fundamentalismo – não importa se de natureza religiosa ou ideológica – e abre um precedente muito perigoso no Brasil”, diz petição.

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Caio Blinder (dir.) & Diogo Mainardi (esq.)

Um grupo de jornalistas, professores e estudantes decidiu criar um abaixo-assinado ‘contra a defesa explícita da prática de assassinatos como meio de fazer política, perpetrada por comentaristas da Rede Globo’. No dia 15 de janeiro deste ano, o jornalista Caio Blinder defendeu abertamente no programa Manhattan Conection o assassinato de cientistas iranianos como um meio válido de fazer política.

O comentário foi apoiado por Diogo Mainardi, outro comentarista da Globo. A petição que está circulando na interne afirma:

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Srs. Diretores da Rede Globo

Causa profunda surpresa, indignação e perplexidade assistir a um programa de vossa emissora em que jornalistas, comentaristas e palpiteiros assumam a defesa explícita da prática de assassinatos como meio válido de fazer política.

Isso foi feito abertamente, no dia 15.01.2012, por Diogo Mainardi e Caio Blinder, ambos empregados da Rede Globo (o trecho em questão pode ser acessado pelo link:

Depois de fazer brincadeiras de gosto muito duvidoso sobre a sua suposta condição de agente do Mossad (serviço secreto israelense), Caio Blinder alegou que os cientistas que trabalham no programa nuclear iraniano são empregados de um “estado terrorista”, que “viola as resoluções da ONU” e que por isso o seu assassinato não constituiria um ato terrorista, mas sim um ato legítimo de defesa contra o terrorismo. Trata-se, é óbvio, de uma lógica primária e rudimentar, com a qual Mainardi concordou integralmente.

Parece não ocorrer a ambos o fato de que o Estado de Israel é liderança mundial quando se trata em violar as resoluções da ONU, e que é acusado de prática de terrorismo pela imensa maioria dos países-membros da entidade. Será que Caio Blinder defende, então, o assassinato seletivo de cientistas que trabalham no programa nuclear israelense (jamais oficializado, jamais reconhecido mas amplamente conhecido e documentado)?

Ambos, Caio Blinder e Diogo Mainardi – se associam ao evangelista fundamentalista estadunidense Pat Robertson, que, em abril de 2005, defendeu em rede nacional de televisão, com “argumentos” semelhantes, o assassinato do presidente venezuelano Hugo Chávez, provocando comentários constrangidos da Casa Branca.

Ao divulgar a defesa da prática do assassinato como meio de fazer política, a Rede Globo dá as mãos ao fundamentalismo – não importa se de natureza religiosa ou ideológica – e abre um precedente muito perigoso no Brasil. Isso é inaceitável.

Atenção: não defendemos, aqui, qualquer tipo de censura, nem queremos restringir a liberdade de expressão. Não se trata de desqualificar ideias ou conceitos explicitados por vossos funcionários. O que está em discussão não são apenas ideias. Não são as opiniões de quem quer que seja sobre o programa nuclear iraniano (ou israelense, ou estadunidense…), mas sim o direito que tem uma emissora de levar ao ar a defesa da prática do assassinato, ainda mais feita por articulistas marcadamente preconceituosos e racistas. Em abril de 2011, o mesmo Caio Blinder qualificou como “piranha” a rainha Rania da Jordânia, estendendo por meio dela o insulto às mulheres islâmicas. Mainardi é pródigo em insultos, não apenas contra o Islã mas também contra o povo brasileiro.

Se uma emissora do porte da Globo dá abrigo a tais absurdos, mais tarde não poderá se lamentar quando outros começarem a defender, entre outras coisas, a legitimidade de se plantar bombas contra instalações de vossa emissora por quaisquer motivos, reais ou imaginários – por exemplo, como forma de represália pelas íntimas relações mantidas com a ditadura militar no passado recente, pela prática de ataques racistas contra o Islã e o mundo árabe, ou ainda pelos ataques contumazes aos movimentos sociais brasileiros e latino-americanos.

Manifestações como essas de Caio Blinder e Diogo Mainardi ferem as normas mais elementares da convivência civilizada. Esperamos que a Rede Globo se retrate publicamente, para dizer o mínimo, tomando distância de mais essa demonstração racista de barbárie.

Assine AQUI

Agradecemos a atenção.

Carta Maior

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Comentários

  1. Daniel Postado em 19/Mar/2012 às 10:21

    Peço, aos colegas do site que, por favor, não tratem esse pessoal do Manhattan Conexion por "jornalistas". Essa gente que não trabalha com informação e que ganha a vida fazendo lobby, distorcendo fatos e assegurando a defesa de um grupo político na mídia, não deve ser tratada do mesmo modo que os profissionais da notícia. Embora a classe, como tantas outras no Brasil, esteja repleta de maus profissionais, não seria justo com a categoria classificar senhores sem qualquer apego ético ou moral como jornalistas.

  2. Arthur Postado em 21/Mar/2012 às 20:38

    meus amigos isso e assim dês de que o mundo é mundo.... a politica norte americana funciona assim e os países que estão acima de nos também são assim ... só que aqui na republica das bananas essas coisas são anormais ! somos muito inteligentes e muito cordeais para jogar sujo num mundo imundo.é por isso que não nos respeitam como país, Não temos postura, não temos colhões acho quem nem politica temos ..... eu não questiono aqui nem o que foi falado no manhattan conexion, porque esses caras são ridículos e se acham uns déspotas. questiono é o POVO HERÓI DE UM BRADO RETUBANTE que caga nas calças na hora de fazer politica virar ação, esse passivismo ainda vai acabar conosco.

  3. Hiago Freitas Postado em 07/Oct/2013 às 00:18

    Essa foi só mais uma das bobagens do Caio Blinder. Ele criticou os movimentos por causa dos 20 centavos de aumento no transporte público em São Paulo, dizendo que não valia a pena fazer protesto por esse valor. Realmente, para quem tem o orçamento dele... Diogo Mainardi banalizou na edição passada do programa, em 29 de setembro, a espionagem que o Brasil está sendo vítima por parte dos Estados Unidos, criticando também a própria ação da Dilma na ONU em referência ao assunto. Congratulo a equipe do Pragmatismo Político pelo respeito com que aborda estas questões polêmicas.