Luis Soares
Colunista
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Política 04/Sep/2009 às 13:02
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O Desastre

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O que esperar de uma união entre Cássio Cunha Lima (PSDB) e Ricardo Coutinho (PSB)? Será, evidentemente, uma acomodação estratégica, de conveniências; porque, na realidade, dois bicudos não se beijam. Ambos são personalistas ao extremo e possuem trajetórias políticas bastante distintas.

Ricardo, de DNA esquerdista, forjou seu nome no cenário político da Paraíba combatendo as oligarquias e o corporativismo irresponsável na administração pública. Já Cássio, de perfil centrista, ora pendendo para a direita, ora para a esquerda, de acordo com o melhor para o seu grupo, representa tudo o que Ricardo Coutinho negou a vida toda, até o ano passado, quando vislumbrou o apoio dos Cunha Lima visando manter viva sua pretensão de se eleger governador do Estado.

Pois bem, diferenças estabelecidas e bem visíveis, que se traga os argumentos para o universo concreto. O fato do prefeito da capital ter sido cria do ”purismo” petista não impede, de forma sistemática, que ele faça uma composição política com alguém, como o ex-governador, que chegou assim como que de um paraquedas lançado pelo prestígio do seu pai. O grande equívoco de muitos acordos políticos, ultimamente, é a inspiração na flexibilidade adotada pelo PT, que levou Lula ao topo e o faz nele se manter. Ocorre que poucos enxergam que as revisões que o Partido dos Trabalhadores fez em sua própria trajetória foram extremamente necessárias para que os trabalhadores, como de resto o povo mais humilde, tivessem pela primeira vez um representante de vulto no alto comando da nação. Por outro lado, nos contextos-micro dos estados e municípios é bem mais difícil (e quase impossível) a consumação de certas junções. Enfim, Lula e o PT não podiam mais esperar e fizeram suas partes na história do Brasil. Porém, Ricardo podia muito bem esperar a sua vez que, sem dúvida, chegaria sem precisar quebrar a aliança que o ajudou a ser prefeito e, depois, se reeleger.

Sua ambição em romper o pacto que o beneficiou é do mesmo nível da que fez Ronaldo Cunha Lima anular o compromisso com Maranhão, em 1998, que faria Cássio governador depois da reeleição daquele. O imediatismo foi avassalador para o transcurso dos planos do próprio grupo Cunha Lima, assim como fatalmente será agora para Ricardo Coutinho, que não tem um grupo sólido de sustentáculo, apenas sua história pessoal e política que vem, paulatinamente, rasgando, embriagado pelos tentáculos do poder.

*Luis Soares é escritor, colunista e editor de Pragmatismo Político

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