Redação Pragmatismo
Direita 22/Set/2023 às 11:59 COMENTÁRIOS
Direita

Coronel Mauro Cid, não se esqueça dos que podem voltar a tocar o apito de cachorro

Publicado em 22 Set, 2023 às 11h59

A cachorrada do 8 de janeiro não é o grande perigo para a democracia. Os que continuam nos ameaçando são os que se encolheram mas estão, ainda impunes, com o apito na gaveta

Coronel Mauro Cid não esqueça podem voltar tocar apito cachorro
Mauro Cid

Moisés Mendes*, em seu Blog

Um mané do 8 de janeiro, inconformado com o uso de tornozeleira, já ficou famoso com o vídeo em que ataca o Supremo e se queixa da falta de libido e até de forças para rezar. Considera-se um perseguido.

“Podem vir pra cima de mim”, avisa o sujeito. O que o pequeno golpista diz sem volteios e sutilezas é o que muitos grandes golpistas disseram depois da eleição e antes do 8 de janeiro às vezes com alguns cuidados.

O mané chorão do vídeo é apenas um dos ouvintes do apito de cachorro. Os golpistas que faziam malabarismos para atiçar a turba eram os que tocavam o apito.

Generais, empresários e até um ministro do TCU tocaram o apito para a cachorrada. Esses não vão produzir vídeos, como o mané da tornozeleira, porque nem tornozeleira usam. Ainda não.

Um tocador do apito do golpe pediu aos fiéis que mantivessem a fé. Outro foi para um restaurante de beira de estrada para dizer que não desistissem porque ainda dava. O apito informava apenas que ainda dava.

As notícias do Pragmatismo são primeiramente publicadas no WhatsApp. Clique aqui para entrar no nosso grupo!

Tudo acontecia depois da eleição de Lula. Um tocador de apito mais descarado avisava que havia forte movimento na caserna, com desenlace imprevisível para a nação. Mas Bolsonaro tinha o controle da situação. Acovardado no Alvorada, mas com o controle.

Um famoso líder empresarial do agro é pop, do tempo da ditadura, chamou a manezada em vídeo para que acampasse na frente dos quartéis.

Esse foi explícito, direto, por confiar em quem havia dado a ordem para a convocação e ter certeza do golpe. Todos os tocadores de apito atacavam o STF, as urnas e a eleição e diziam temer o comunismo.

Mas muitos bom de bico não tocaram o apito, apesar de convocados pelos militares e por Bolsonaro. Esse podem contar um dia detalhes da ordem que receberam.

Mauro Cid conhece os que tocaram e financiaram apitos e os que se negaram a tocar. Os que se recusaram a chamar a turba serão convidados, quando a democracia for restabelecida por completo, a falar do que sabem. Por que não tocaram o apito do cachorro?

Por que não mandaram mensagens de zap aos tios golpistas? Por que não foram para churrascarias de beira de estrada, fantasiados de verde e amarelo, para dizer que ainda dava?

O país merece ter acesso às revelações dos que foram convocados, negaram-se a tocar o apito, mas continuam por aí, podendo ir para um lado ou outro, dependendo do que acontecer mais adiante.

Acompanhe Pragmatismo Político no Instagram, Twitter e no Facebook

Muitos dos que não apitaram para a cachorrada continuam, mesmo que ainda vacilantes, abertos à possibilidade de um dia apitar. Outros não apitaram e nunca apitarão.

O sujeito com tornozeleira, que não reza e nem transa mais, é o mané sequelado e revoltado, talvez de uma maioria que não se submete à resignação. Mas é um mané. Ele quer ouvir o apito de novo.

Os que tocavam o apito, principalmente os que têm poder econômico, estão quietos. Alguns terceirizavam suas missões com apitadores-laranjas.

Outros já disseram, depois de derrotados, que estão no mesmo avião com Lula. Tenha a coragem de delatá-los, Mauro Cid. Diga quem são e como integravam a copa e a cozinha de Bolsonaro.

A cachorrada do 8 de janeiro não é o grande perigo para a democracia. Os que continuam nos ameaçando são os que se encolheram mas estão, ainda impunes, com o apito na gaveta.

São grandes empresários fascistas, jornalistas, blogueiros, influencers e picaretas em geral misturados a civis e fardados do Planalto.

Os que tocaram o apito continuam orando e transando numa boa, enquanto os manés-banzés mais sensíveis se desesperam. Vá em frente, Mauro Cid.

*Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre. É autor do livro de crônicas Todos querem ser Mujica (Editora Diadorim).

→ SE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI… Saiba que o Pragmatismo não tem investidores e não está entre os veículos que recebem publicidade estatal do governo. Fazer jornalismo custa caro. Com apenas R$ 1 REAL você nos ajuda a pagar nossos profissionais e a estrutura. Seu apoio é muito importante e fortalece a mídia independente. Doe através da chave-pix: [email protected]

Recomendações

COMENTÁRIOS