ELEIÇÕES 2022

PF deve voltar a agir contra aliados de Lula nos próximos dias; PT estuda medidas

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Logo após a operação contra o candidato de Lula em Alagoas, bolsonaristas pediram mais ações da PF contra governadores apoiados pelo ex-presidente. Setores da Polícia Federal aparelhados pelo bolsonarismo estão dispostos a forjar fatos para manipular as eleições, sobretudo no Nordeste, região onde Bolsonaro teve resultado pífio

Dirigentes do Partido dos Trabalhadores afirmam ter recebido a informação de que uma operação da Polícia Federal poderia atingir aliados de Lula a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais. As informações são da jornalista Mônica Bergamo.

“Recebemos informações de que setores do Estado aparelhados pelo bolsonarismo estariam buscando forjar fatos que justifiquem operações bizarras contra nosso campo democrático”, afirma o ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho. Ele coordena a campanha de Fernando Haddad (PT) ao governo do estado de SP e integra também a campanha de Lula (PT).

VEJA TAMBÉM: O que está por trás do afastamento do governador Paulo Dantas, em Alagoas

Marinho afirma que o partido já estuda “medidas judiciais para evitar essa violência contra a democracia”. Procurada, a PF não respondeu até o fechamento desta edição.

A operação da PF que teve o governador de Alagoas Paulo Dantas (MDB-SP) como alvo, na terça (11), fez com que o sinal de alerta soasse ainda mais forte no PT. O emedebista apoia Lula e é aliado do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que faz forte oposição ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) no estado.

O histórico de eleições passadas também serve como reforço para o temor de uma operação às vésperas do pleito. Em 2018, por exemplo, o então juiz Sergio Moro incluiu uma delação de Antonio Palocci em ação contra Lula. A seis dias das eleições, levantou o sigilo das informações, atingindo a campanha de Fernando Haddad (PT-SP), que disputava a Presidência contra Jair Bolsonaro.

Dois anos depois, o Supremo Tribunal Federal retirou a delação de Palocci da ação contra Lula. Ao votar, o ministro do STF Ricardo Lewandowski afirmou que tudo indicava que Moro quis criar um fato político dias antes da eleição. A Justiça também considerou que a delação de Palocci era falsa, uma vez que ele não conseguiu provar nada do que disse.

“São quentes as informações de que novas operações do gênero podem ocorrer em outros Estados até o dia da eleição. Nunca se viu nada assim depois da redemocratização. Há a forte suspeita de que entes do Estado estão sendo usados com o intuito de interferir no resultado da eleição. Em Alagoas e no Brasil”, observa o jornalista Reinaldo Azevedo.

“O curioso é que a acusação original contra Dantas estaria ligada a um esquema de rachadinha ao tempo em que era deputado estadual. Curioso por quê? Era a mesma que pendia sobre a cabeça de Arthur Lira. Entre 2001 e 2007, ele teria liderado, segundo acusou o Ministério Público de Alagoas, um esquema que teriam movimentado R$ 254 milhões dos cofres públicos”, acrescenta Azevedo.

“Se o povo não se mostra disposto a fazer o que eles querem, dê-se um jeito, qualquer um, de mudar a opinião do povo. Só não vale o convencimento legítimo. O resto vale”, finaliza.

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