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França, Rússia e Eua se comprometem a seguir esforços diplomáticos para evitar guerra

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Kremlin informou nesta segunda que considera 'prematuro' uma reunião entre os dois presidentes; ataques de Kiev contra separatistas aumenta

Joe Biden e Emmanuel Macron (Imagem: AP)

Em um último esforço diplomático para evitar uma guerra na fronteira da Europa, os presidentes da França, Emmanuel Macron, e da Rússia, Vladimir Putin, conversaram por quase duas ao telefone, neste domingo (20). Eles concordaram em fazer de tudo para alcançar rapidamente um cessar-fogo no leste da Ucrânia, anunciou o Palácio do Eliseu.

Os dois líderes se propuseram a “trabalhar intensamente” para possibilitar a realização de uma reunião do grupo de contato trilateral que reúne Rússia, Ucrânia e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) “nas próximas horas”, com o objetivo de “obter de todos os interessados um compromisso para um cessar-fogo na linha de frente dos combates“, acrescenta o comunicado oficial francês.

Uma reunião extraordinária da OSCE e de seus representantes permanentes foi marcada para esta segunda-feira (21) para tentar encontrar uma solução para a crise em torno da Ucrânia. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian, por sua vez, se reunirá com o seu colega russo, Sergei Lavrov “nos próximos dias”. A conversa entre Macron e Putin era apresentada como uma das últimas chances de se evitar um conflito armado, neste momento em que mais de 1500 violações do cessar-fogo foram relatadas nas fronteiras da Ucrânia e da Rússia.

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Na tentativa de deter a escalada de tensões na região onde a Rússia concentrou 150.000 homens, segundo denunciam os ocidentais, “um intenso trabalho diplomático será realizado nos próximos dias, especialmente em Paris“, acrescentou a presidência francesa.

Paris e Berlim vêm sendo mediadores na implementação dos acordos de Minsk, firmados em 2015, com o objetivo de pôr fim aos confrontos na região. Este trabalho deve ser retomado “com base nas propostas feitas pela Ucrânia nos últimos dias“, especifica o comunicado do Palácio do Eliseu. Os dois presidentes também concordaram em continuar as tentativas de alcançar um “encontro ao mais alto nível, com vistas a definir uma nova ordem de paz e segurança na Europa“.

Em seguida, o presidente francês conversou com o presidente da Ucrânia, Volodomir Zelenski. O chefe de Estado ucraniano pediu a retomada das negociações com a Rússia e o estabelecimento de um “cessar-fogo imediato” no leste do país.

Rússia mantém manobras em Belarus

As manobras das tropas russas em Belarus, que deveriam acabar neste domingo, vão continuar. “Tendo em vista o aumento da atividade militar perto das fronteiras (…) e o agravamento da situação no Donbass, os presidentes decidiram continuar a inspeção das forças“, declarou o ministério da Defesa bielorrusso, neste domingo.

Este anúncio significa que as tropas russas permanecerão em Belarus, em meio à crise com o Ocidente, apesar das promessas de Moscou de que suas forças deixariam este país, localizado às portas da União Europeia

Moscou informa que mais de 40 mil pessoas vindas de áreas separatistas do leste ucraniano foram acolhidas no território russo.

Esta crise foi um dos principais assuntos debatidos em Munique, na Alemanha, onde terminou, neste domingo, a cúpula destinada a debater a questão da segurança. O presidente do Conselho Europeu, Charles Michels, externou sua preocupação a respeito de uma possível guerra.

A grande pergunta resiste: o Kremlim quer diálogo? Alguns dias atrás, suas palavras davam alguma esperança. Mas as suas ações mostram um aumento da força militar, com incidentes sérios no Dunbass, mesmo hoje. E não podemos permitir para a sempre que a Rússia faça testes com mísseis e continue a aumentar tropas”, declarou Michels.

Declarações alarmistas

Neste domingo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou as declarações das potências ocidentais sobre a iminência de uma invasão russa na Ucrânia como “alarmistas” e uma “provocação”, reiterando que elas podem ter consequências adversas.

Na sexta-feira (18), o presidente dos EUA, Joe Biden, disse ter convicção de que a Rússia poderia lançar uma operação armada “a qualquer momento“. Segundo o porta-voz de Moscou, isso “leva a um agravamento da tensão e qualquer faísca, qualquer incidente imprevisto ou provocação planejada pode levar a consequências irreparáveis”, reiterou Peskov.

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Para o presidente Vladimir Putin, provocações ucranianas estão na origem da escalada de violência na fronteira. Putin voltou a exigir que a Otan e Washington “levem a sério” as suas exigências de segurança. O presidente afirmou que a entrega de armas e munição moderna às forças ucranianas pelo Ocidente “empurram Kiev para uma solução militar” em seu conflito com os separatistas pró-russos, que dura desde 2014.

A Rússia ainda exige a promessa de que Kiev nunca integrará a Otan e pede o fim do reforço militar da Aliança Atlântica perto de suas fronteiras. Exigências que foram rejeitadas pelos ocidentais.

‘À beira de um ataque’

Para o Secretário de Estado Americano, Antony Blinken, “a diplomacia é possível até que os tanques estejam realmente em movimento”, declarou ele. A manutenção das forças russas em Belarus mostra que a Rússia está “à beira” de invadir a Ucrânia, “conforme o cenário descrito nos últimos dias”, afirmou, neste domingo, o chefe da diplomacia americana em entrevista à rede CNN. “Tudo o que vemos sugere que isso é muito sério, que estamos à beira de uma invasão,” completou Blinken.

O presidente dos EUA, Joe Biden, “está pronto para encontrar” seu colega russo Vladimir Putin “a qualquer momento, em qualquer formato, se isso puder evitar uma guerra”, concluiu Antony Blinken.

França propõe encontro entre Biden e Putin

Em meio ao risco de uma guerra na Ucrânia, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez uma série de ligações para seus pares da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Joe Biden, entre a noite deste domingo e a madrugada desta hoje, para uma reunião de alto nível.

O governo francês afirmou que ambos aceitaram o encontro “que será levado adiante só se a Rússia não invadir a Ucrânia“.

Depois da reunião entre Biden e Putin, o vértice será “estendido para todas as partes envolvidas” e se concentrará sobre “segurança e estabilidade estratégica na Europa“.

Em nota oficial, a Casa Branca confirmou que o norte-americano “aceitou o encontro com o presidente Putin” desde que nesse tempo “não haja uma invasão da Ucrânia“.

Estamos sempre prontos a impor consequências rápidas e severas no caso da Rússia escolher a guerra. E, no momento a Rússia parece querer continuar os preparativos para um ataque de larga escala na Ucrânia muito rapidamente“, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.

Apesar da fala francesa, o Kremlin informou nesta que considera “prematuro” uma reunião entre os dois presidentes.

De acordo com a agência russa Tass, Macron e Putin conversaram pela segunda vez em menos de 24 horas, e ambos concordaram em “manter o diálogo entre os líderes da Rússia e França envolvendo os ministros das Relações Exteriores e conselheiros políticos [dentro do formato Normandia que consiste em Rússia, Alemanha, França e Ucrânia]”.

Com RFI e ANSA

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