Redação Pragmatismo
Mulheres violadas 03/Jun/2020 às 16:13 COMENTÁRIOS
Mulheres violadas

Agressores de médica no Rio de Janeiro "celebravam" a pandemia

Publicado em 03 Jun, 2020 às 16h13

Vídeo flagrou espancamento de médica que atua na linha de frente da pandemia. Imagens mostram carros de luxo no local da festa, deboche ao coronavírus e cumplicidade de bombeiros. Automóvel de PM agressor é avaliado em R$ 100 mil

imagens médica coronavírus
Imagens mostram agressores de médica

Câmera de um circuito de segurança flagrou três agressores atacando a médica anestesista Ticyana Azambuja, 35, espancada no último sábado (30) por frequentadores de uma festa clandestina no Grajaú, zona norte do Rio. As imagens mostram o momento em que ela é carregada por um homem nas costas e agredida por outras duas pessoas.

A vítima, que atua na linha de frente no combate ao coronavírus em três hospitais do Rio, sofreu fratura no joelho esquerdo e lesões nas duas mãos, pisoteadas pelos agressores. “Vieram pra me matar”, desabafou ela após prestar depoimento ontem na delegacia.

O vídeo de 15 segundos foi publicado no Instagram pelo perfil Grajaú Rio, que divulga notícias do bairro na rede social. Nas imagens captadas pela câmera de segurança, um homem se aproxima por trás enquanto ela é carregada por um dos frequentadores da festa e dá um tapa no seu rosto.

Ele para de agredi-la porque deixa um objeto que aparenta ser um celular cair no chão e se abaixa para pegá-lo. Em seguida, uma mulher a agarra pelos cabelos, puxando-a para baixo. Um terceiro homem caminha ao lado dos agressores, acompanhando a cena.

Nas fotos, a mesma mulher que agride Ticyana aparece abraçada no policial militar Luiz Eduardo dos Santos Salgueiro, que teve o retrovisor e o vidro traseiro do seu carro, um Mini Cooper ano 2014 (avaliado em cerca de R$ 100 mil), quebrados pela médica.

A anestesista o acusa de ter pedido R$ 6.800 pelos danos sem que fosse feito qualquer tipo de registro. Antes disso, ela tinha tocado a campainha da casa onde acontecia a festa para pedir que diminuíssem o som. Como resposta, ouviu um palavrão.

“Eu tô morrendo de medo. Eu tenho um filhinho pequenininho e eu provavelmente vou ter que mudar daquele bairro. Aqui na delegacia eles me garantiram que nada vai acontecer comigo, justamente pela visibilidade, por tudo que aconteceu. Mas muita gente tá falando que eu mexi com gente poderosa. Eu tô realmente morrendo de medo. Por isso que eu tô buscando me expor. Justamente para que eu busque nessa visibilidade a minha segurança”, disse Ticyana D’Azambujja.

Ticiana reafirmou que decidiu danificar o carro de um dos presentes na festa depois de tentativas em vão de interrompê-la. O decreto estadual que trata das restrições durante a pandemia proíbe tais aglomerações.

“Naquela tarde eu decidi dar um basta e encarar eles. Em um ato de imaturidade, quebrei um dos carros, parado irregularmente na calçada. Assim eu sabia que eles viriam para conversar comigo. Mas eles não vieram para conversar. Vieram para me matar”, afirmou Ticyana.

“Baile da Covid-19”

A festa promovida pelos agressores foi apelidada por eles mesmos de “Baile da Covid-19”. Em imagens divulgadas nas redes sociais, participantes mostram copos com adesivos do “meme dos caixões”.

O caso está sendo investigado pela 20ª DP (Vila Isabel). Com base nas imagens obtidas pela investigação, a Polícia Civil do Rio já identificou os agressores e abriu inquérito pelo crime de lesão corporal. Apenas o nome do PM Luiz Eduardo dos Santos foi divulgado.

“Vamos ver a extensão das lesões. Pode até caracterizar uma tentativa de homicídio”, afirmou o delegado Roberto Ramos.

Imagens:

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