Saúde

Bolsonaro critica fechamento de igrejas e templos e declaração repercute no mundo

Share

Despreparo de Jair Bolsonaro para enfrentar o coronavírus no Brasil chama a atenção do mundo. Incomodado com as medidas de isolamento contra a pandemia, presidente agora critica fechamento de igrejas, templos e shoppings

(Bolsonaro recebeu Ratinho no Palácio do Planalto)

A Agência EFE, uma das maiores distribuidoras de notícias internacionais do mundo, destacou nesta sexta-feira (20) a incapacidade do presidente Jair Bolsonaro para lidar com um problema do tamanho da pandemia do coronavírus.

O serviço de notícias divulgou que o mandatário brasileiro criticou o fechamento de igrejas, templos religiosos e shoppings — medidas que estão sendo adotadas por conta própria pelos governos estaduais. O texto da EFE foi traduzido em diversos idiomas e reproduzido nos principais jornais do mundo.

As críticas de Jair Bolsonaro foram veiculada na noite de sexta-feira no programa do Ratinho, no SBT. Sentado ao lado do amigo apresentador, o presidente cravou: “Tem governador fechando shopping, tem gente que quer fechar igreja, que é o último refúgio das pessoas. Eu não concordo com isso”.

“Eu acho que o pastor vai saber conduzir o seu culto. Ele vai ter consciência —o pastor, o padre —, se a igreja está muito cheia, falar alguma coisa. Ele vai decidir lá”, acrescentou Bolsonaro, que também argumentou que a garantia de culto é um direito no Brasil.

Diante da escalada de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil e da recomendação de sanitaristas de que a redução do contato social é medida efetiva para reduzir a contaminação, governadores e prefeitos têm adotados medidas para restringir a circulação de pessoas.

“Gripezinha”

Apenas nesta sexta-feira (20), Jair Bolsonaro fez pouco caso do coronavírus duas vezes. Pela manhã, em conversa com jornalistas na porta do Alvorada, o presidente classificou de “exageradas” as medidas anunciadas pelos governadores para conter a pandemia.

Mais tarde, questionado por um jornalista em coletiva de imprensa se faria um outro exame para saber se está com coronavírus, Bolsonaro voltou a debochar da doença: “Depois da facada, não vai ser gripezinha que vai me derrubar, não. Tá OK? Se o médico ou o Ministério da Saúde recomendar um novo exame, eu farei”, declarou.

A “gripezinha” citada pelo presidente matou 627 pessoas apenas hoje na Itália, e projeções revelam que o Brasil está rumando para um destino semelhante ao do país europeu nos próximos dias.

Bolsonaro já fez dois exames para detectar o novo coronavírus, e segundo ele, ambos foram negativos. Pelo menos 22 pessoas próximas ao presidente que estiveram com ele em missão oficial nos Estados Unidos foram infectadas pelo vírus.

Hoje não foi o primeiro dia que Jair Bolsonaro tratou do coronavírus com descaso. Há alguns dias, o mandatário chamou a pandemia de “histeria” e de “fantasia”, além de ter convocado e participado de manifestações populares durante o surto. Exatamente por isso, o presidente foi alvo de um panelaço que se espalhou por todo o Brasil.

Números atualizados

As secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até 10h40 deste sábado (21), 987 casos confirmados de novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil em 25 estados e no Distrito Federal. São 12 mortes no Brasil, três no Rio de Janeiro e nove em São Paulo.

O Maranhão registrou o primeiro caso confirmado na sexta-feira. Apenas Roraima ainda não teve caso confirmado. Em Goiás, o número de pessoas com coronavírus subiu de 15 para 18, de acordo com boletim da Secretaria Estadual de Saúde. No Rio Grande do Norte, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou 5 novos casos. Ao todo, o Estado tem 6 casos confirmados.

Acompanhe Pragmatismo Político no Instagram, Twitter e no Facebook