Redação Pragmatismo
Notícias 14/Fev/2020 às 13:14 COMENTÁRIOS
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Imagens de Adriano da Nóbrega morto confirmam tese de 'queima de arquivo'

Publicado em 14 Fev, 2020 às 13h14

Revista consegue imagens exclusivas do corpo do miliciano Adriano da Nóbrega, amigo e aliado da família Bolsonaro. Fotos reforçam suspeitas de 'queima de arquivo'

adriano da nóbrega

A revista ‘Veja’ teve acesso com exclusividade a imagens que revelam que o ex-capitão do Bope e miliciano Adriano da Nóbrega teria sido morto com tiros disparados a queima-roupa.

De acordo com reportagem, as imagens reforçam a tese de execução. São fotografias de diversos ângulos, feitas logo depois da autópsia. Um dos projéteis atingiu a região do pescoço. O outro perfurou o tórax.

Segundo a ‘Veja’, a polícia baiana teria levado o ex-capital para o hospital, a 8 quilômetros do local do confronto, onde chegou morto.

“As fotos obtidas pela reportagem sustentam parte dessa versão — mas apenas parte. Os disparos que mataram Adriano da Nóbrega foram feitos a curta distância. Além disso, as imagens revelam um ferimento na cabeça do ex-capitão, logo abaixo do queixo, queimaduras do lado esquerdo do peito e um corte na testa”, diz a revista.

“Pode ter sido uma troca de tiros? Pode. Pode ter sido uma execução? Pode. Qual é o mais provável? Com esse disparo tão próximo, o mais provável é que tenha sido uma execução”, afirmou o médico legista Malthus Fonseca Galvão, professor da Universidade de Brasília (UnB).

O especialista acredita que o disparo na região do tórax tenha ocorrido a uma distância de, no máximo, 40 centímetros do corpo de Adriano. “Mais que isso, não”, declarou Galvão.

Sobre o tiro na região do pescoço, Galvão afirmou: “Pode ter sido um disparo após a vítima ter caído no chão, porque a imagem me sugere ser de baixo para cima, da direita para a esquerda, em quase 45 graus. Esse disparo pode ser o que o povo chama de ‘confere’”.

‘Confere’ é o famoso tiro de misericórdia, efetuado quando não há a intenção de salvar a pessoa baleada. Galvão também destacou uma marca cilíndrica cravada no peito do corpo.

“Tem muita chance de ser a boca de um cano longo após o disparo, quente, sendo encostada com bastante força por mais de uma vez. Nesse momento, ele estava vivo, com certeza, porque está vermelho em volta. É uma reação vital.”

O professor observou ainda que o ferimento na cabeça poderia ser um corte provocado por um facão, um machado ou um choque com a quina de uma mesa. Pessoas próximas a Adriano da Nóbrega dizem que ele foi torturado. O machucado na cabeça, por exemplo, teria sido resultado de uma coronhada de pistola.

Confira as imagens e a íntegra da reportagem da VEJA clicando aqui.

Adriano da Nóbrega

Chefe do ‘Escritório do Crime’, Adriano era procurado e considerado peça-chave para o esclarecimento do assassinato da vereadora Marielle Franco e sobre o esquema de rachadinha no gabinete do então depu­tado estadual Flávio Bolsonaro, hoje senador da República.

Em outubro de 2003, Flávio Bolsonaro fez a primeira homenagem a Adriano da Nóbrega. Em uma moção de louvor, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro destacou que o militar desenvolvia sua função com “dedicação” e “brilhantismo”.

Em junho de 2005, o deputado fez nova homenagem a Adriano, com a mais alta honraria da Alerj. O homenageado não compareceu à Assembleia para receber a Medalha Tiradentes porque estava preso.

Em outubro de 2005, quatro dias depois que Adriano foi condenado por homicídio em júri popular, o então deputado federal Jair Bolsonaro fez um discurso na Câmara dos Deputados em defesa de Adriano. Bolsonaro contou que compareceu ao julgamento do PM – segundo ele, um “brilhante oficial”.

Adriano e Fabrício Queiroz eram amigos e trabalharam no mesmo batalhão, segundo investigações do Ministério Público.

VEJA TAMBÉM: A foto que desmonta a versão oficial sobre a morte de Adriano da Nóbrega

Queiroz, que era ex-funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro, indiciou a mulher e a mãe de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e Raimunda Veras Magalhães, para trabalhar no gabinete de Flávio.

A mãe de Adriano e a ex-mulher dele receberam cerca de R$ 1 milhão em salários sem nunca terem aparecido para trabalhar no gabinete de Flávio.

A filha de Queiroz exerceu cargo de assessora no gabinete de Jair Bolsonaro, mas também era funcionária fantasma e nunca apareceu para trabalhar.

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