Redação Pragmatismo
Direita 16/Dez/2019 às 23:10 COMENTÁRIOS
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Bolsonarista aparece em bar usando suástica nazista e polícia não faz nada

Publicado em 16 Dez, 2019 às 23h10

Homem que aparece em bar usando suástica nazista é bolsonarista e 'cidadão de bem'. Em longo depoimento, primo se manifesta: "ele enfrenta problemas psíquicos, mas agiu de maneira consciente". PMs que não fizeram nada serão investigados

José Eugênio Adjuto suástica
José Eugênio Adjuto

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para apurar o caso do homem flagrado com uma braçadeira vermelha com uma suástica ao centro — ao estilo daquelas usadas por oficiais da Alemanha nazista — na cidade de Unaí (MG), a 600 km de Belo Horizonte.

José Eugênio Adjuto, de 57 anos, foi fotografado em um bar no último sábado vestindo o adereço no braço. O inquérito foi aberto pela repercussão nas redes sociais. A Polícia Militar foi acionada por frequentadores do local e enviou viaturas, mas, segundo testemunhas, não o abordou.

Em nota, a PM diz que os policiais que estiveram no local não entenderam que o caso se encaixaria no primeiro parágrafo do artigo 20 da lei de racismo (7.716/1989), que prevê reclusão de dois a cinco anos de prisão e multa.

O texto lista entre os casos passíveis de punição: “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”.

Para os PMs, o uso da braçadeira em local público não se enquadrava nos casos citados na lei. A nota diz que o homem foi orientado a tirar a faixa, “para evitar problemas de segurança que poderiam advir em razão da indignação de outras pessoas presentes”.

Os policiais registraram um boletim de ocorrência interno, que é encaminhado pelo Comando da Unidade. Um procedimento administrativo foi instaurado para apurar se a atuação e o protocolo adotado foram adequados.

A Polícia Militar diz que o homem foi abordado por policiais, mas depoimentos de pessoas que estavam no local afirmam que os agentes conversaram apenas com o gerente do bar. E que foi ele quem pediu que o homem tirasse a braçadeira.

Uma nota divulgada pelo bar, no domingo (15), diz que o ocorrido foi “resolvido da melhor maneira possível, por agentes policiais (sem violência) e sob a égide da lei”.

Um vídeo de cinco minutos mostra policiais falando com um homem de camisa preta, que seria o gerente, enquanto o homem com a braçadeira permanece sentado. A polícia vai embora e o homem que trabalha no bar se dirige ao outro, que aponta duas vezes para o braço enquanto conversa, mas fica no local.

Uma pessoa, que pediu para não ser identificada, conta que a PM foi acionada por volta das 19h30 e o homem deixou o local às 21h50. Ele só tirou a faixa três minutos antes de sair.

“A situação é preocupante, porque todo mundo sabe o que foi o nazismo, o terror que aquele símbolo representa, e alguém ostentar aquilo no meio das pessoas assim, sem providência alguma ser tomada, nos deixa com sensação de impotência”, comentou o advogado Danilo Caetano.

Bolsonarista

José Eugênio Adjuto, conhecido como Zecão Adjuto, é pecuarista dono de uma empresa que cria bois para corte, em Unaí. Nas redes sociais, ele se comporta como um militante pró-Jair Bolsonaro, compartilhando inclusive publicações dos filhos do presidente.

O seu primo, Francisco Adjuto, publicou um texto no Facebook, dizendo que “abomina” a atitude do parente e que ele sofre de “problemas psíquicos”. Leia a íntegra abaixo.

Às amigas e amigos do facebook, a todos que me conhecem, e, sobretudo, a quem interessar possa: sou integrante da família Adjuto, portanto, como muitos gostam de dizer aqui em Unaí/MG, sou dos Adjutos. E com muito orgulho.

Sei que a minha família, como todas as outras, têm acertos e defeitos, todos eles inerentes aos seres humanos, mas, irmanada com milhares de outras valorosas entidades familiares, sempre amou e lutou muito para que a nossa cidade chegasse onde chegou, ou seja, num lugar maravilhoso para se viver.

Vi, ontem, com muita tristeza, uma vexaminosa cena de meu primo José Eugênio Adjuto, popularmente conhecido por Zecão Adjuto, sentado em um dos bares mais movimentados da cidade e usando uma suástica nazista em seu braço esquerdo, fato que chamou a atenção de dezenas de pessoas que estavam no referido estabelecimento comercial e de milhões de outras no Brasil e mundo afora, marcadamente nas redes sociais, tendo, algumas delas, até mesmo, chamado a polícia para averiguar a situação, eis que a apologia ao nazismo aqui no Brasil e em diversos outros países do mundo é crime punido com pena até bastante elevada.

Ao ser identificado o meu primo, muitas pessoas passaram a agredir a minha família, os Adjutos, como um todo, coisa que eu absolutamente não concordo, pois não sou responsável pelas sandices de qualquer parente meu, e principalmente levando-se em consideração que os dedos das mãos não são iguais.

Abomino o que o meu parente fez, e, apesar de saber que ele enfrenta sérios problemas psíquicos de saúde, fato que é do conhecimento de várias pessoas que também o conhecem aqui na cidade, sei que ele agiu de maneira consciente, e por isso mesmo, não passo a mão leve na sua atitude, ao contrário, reprovo-a veementemente, eis que isso não é o papel de uma pessoa que pretende viver em uma sociedade plena, fraterna e justa, e, portanto, só me resta pedir desculpas à sociedade unaiense, porque a cidade, mais uma vez, fica famosa no mundo inteiro por causa de imbecilidades aqui praticadas.

Como dito, sou dos Adjutos, mas não vivo de bengala de sobrenome, porém, sempre que puder, vou soerguê-lo, pois tenho muito orgulho dele e de meus ancestrais, sendo de se destacar que a minha família, como um todo, não pode ser execrada por um ato isolado de um dos seus.

Espero que ele acerte as suas contas com a polícia e a justiça pelo que fez, para que aprenda a ter a humildade que a vida nos exige, e sobretudo, a fim de que não manche os nomes de seus honrados país, Domingos Brochado Adjuto e Walderez Lepesqueur Adjuto, pessoas boníssimas, honestas, generosas, solidárias, amáveis, trabalhadeiras, e que deram uma excelente e esmerada educação ao seu filho, pois eu sou prova disso.

Se ele não assimilou, não é por culpa deles, que também, de onde estiverem, pois já foram chamados para a vida eterna, devem estar extremamente envergonhados.

com informações da Folha de S.Paulo

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