Redação Pragmatismo
Racismo não 14/Nov/2019 às 13:05 COMENTÁRIOS
Racismo não

"Preciso de cuidadoras, mas não podem ser negras nem gordas"

Publicado em 14 Nov, 2019 às 13h05

Oferta de emprego racista e gordofóbica vira caso de polícia em Belo Horizonte (MG). "Fiquei estarrecida, em estado de choque", diz cuidadora que denunciou o anúncio e registrou Boletim de Ocorrência

oferta de emprego racista
Oferta de emprego racista foi enviada por WhatsApp (reprodução)

Um anúncio de emprego racista e gordofóbico virou caso de polícia em Belo Horizonte (MG). A denúncia é de Eliangela Carlos Lopes, de 41 anos e que trabalha como cuidadora de idosos há 7 anos.

A mulher procurou a Polícia Militar para registrar um boletim de ocorrência no início deste mês após receber uma mensagem oferecendo emprego e vetando negras e gordas no processo de seleção.

“Únicas exigências: Não podem ser negras, gordas e precisam de pelo menos 3 meses de experiência”, dizia o texto.

A oferta de emprego era da Home Angels BH Centro-Sul, que trabalha com serviço de cuidadoras, e foi enviada à empresa de treinamento Leveza do Afeto, que a repassou por meio de uma linha de transmissão do WhatsApp.

“Eu não preencheria a vaga por causa do meu tom de pele. Eu fiquei estarrecida, em estado de choque, com o meu coração dilacerado. Eu sou negra, de cabelo ruim, moradora de Ribeirão das Neves e estou com 41 anos. Que chance eu teria?”, questionou Eliangela.

Depois de procurar a Polícia Militar e registrar um boletim de ocorrência, há ainda muito a ser feito por Eliangela. Segundo ela, para dar andamento no processo judicial, vai ter que ir a um cartório para fazer uma escritura que custa em torno de R$ 250.

“Agora imagine as pessoas que estão desempregadas? É por isso que as coisas não vão para frente, as pessoas desistem”, disse Eliangela se referindo ao alto custo do documento.

Fernanda

A responsável pela Leveza do Afeto, Fernanda Spadinger, disse que apenas encaminhou a mensagem racista e não é a autora do texto. “A minha intenção foi empregar. Eu copiei e colei para atender a demanda”.

“Eu repudio qualquer tipo de preconceito. Não é uma postura minha e nem da minha empresa. Eu deveria ter filtrado ou dito que eu não trabalho com esse tipo de empresa, mas na pressa eu envie para a lista de transmissão das cuidadoras criadas por mim”, se defendeu Fernanda.

Em nota, a Home Angels Centro-Sul informou que “inexiste qualquer requisito para contratação de seus funcionários e/ou prestadores de serviços, salvo a avaliação quanto a aptidão técnica”. Já a Franqueadora Home Angels, de São Paulo, disse que repudia veementemente o que ocorreu e destacou a igualdade de tratamento entre as pessoas.

Fernanda Spadinger disse que disparou mensagem para lista de transmissão sem ler — Foto: Fernanda Spadinger/Arquivo pessoal

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