Redação Pragmatismo
Notícias 22/Nov/2019 às 16:03 COMENTÁRIOS
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A repercussão da morte do rabino Henry Sobel

Publicado em 22 Nov, 2019 às 16h03

João Doria, Lula, Luciano Huck, Juca Kfouri e outras personalidades lamentaram a morte do rabino Henry Sobel. Manifestação mais tocante foi a de Ivo Herzog, filho de Vladimir Herzog

Henry Sobel
Henry Sobel (reprodução)

O rabino Henry Sobel, de 75 anos, morreu na manhã desta sexta-feira, 22, em Miami, nos Estados Unidos em decorrência de complicações causadas por um câncer de pulmão.

Rabino emérito da Congregação Israelita Paulista (CIP), Sobel destacou-se como uma “voz firme em defesa dos direitos humanos no Brasil”, como destaca nota divulgada pela família. O sepultamento será realizado no próximo domingo, 24, no Woodbridge Memorial Gardens, em Nova Jersey.

O rabino teve uma atuação notória após o assassinato do jornalista e diretor da TV Cultura, Vladimir Herzog, pelo governo militar.

Ao se recusar a enterrar Herzog na ala dos suicidas do cemitério israelita do Butantã, Sobel rejeitava a versão oficial apresentada pela ditadura.

Diversas figuras públicas lamentaram a morte do rabino. Confira abaixo a repercussão.

Ivo Herzog, do Instituto Vladimir Herzog:

“Henry Sobel foi a 1a pessoa, representando uma instituição, que denunciou o assassinato do meu pai, poucas horas depois do ocorrido. Junto com dom Paulo Evaristo Arns e James Wright, corajosamente, promoveu e esteve presente no ato ecumênico em memória de meu pai na Catedral da Sé. Quebrando protocolos do judaísmo, enfrentando resistência dentro da comunidade judaica, foi um dos protagonistas que abriram caminho para o fim da ditadura no Brasil. Se meu pai foi uma das vítimas daquele período, Henry Sobel foi um dos grandes heróis. Registro aqui minha homenagem e saudades desta pessoa que faz parte da minha vida.”

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente:

“Nesse momento de tristeza pela perda do Rabino Henry Sobel, me solidarizo com os seus familiares, amigos, seguidores e admiradores. A contribuição de Sobel para a redemocratização e o diálogo entre religiões no Brasil foi incomensurável. O nosso país é devedor da sua coragem ao recusar a farsa da versão oficial da ditadura de que a morte de Vladimir Herzog teria sido um suicídio. O seu trabalho junto com Dom Paulo Evaristo Arns e o reverendo James Wright em defesa dos direitos humanos trouxe luz a um período sombrio da nossa história. Sobel era um dos protagonistas e um exemplo dessa bela história de tolerância e diálogo inter-religioso. Tive a honra de participar com Sobel de várias cerimônias em memória das vítimas do Holocausto na Congregação Israelita Paulista. Nenhum de nós pode deixar que a memória do Holocausto seja apagada e que tais tragédias se repitam. E cabe também a todos nós, brasileiras e brasileiros, preservarmos a memória das ações de Sobel pela democracia e pela tolerância e liberdade religiosa.”

Luciano Huck:

Triste notícia. O rabino Henry Sobel esteve presente em momentos importantes da minha vida. Se foi uma voz firme e potente na defesa dos direitos humanos no Brasil. Um homem de diálogo, construtor de pontes religiosas e ideológicas.

João Doria (PSDB), governador de São Paulo:

“Lamento a morte do Rabino Henry Sobel, um grande defensor dos direitos humanos. À família, amigos e comunidade judaica, meus profundos sentimentos de pesar.”

Marcelo Semer, escritor:

“Morreu Henry Sobel. Pessoa comprometida com os direitos humanos e que soube dizer não a imposições da ditadura. Sua coragem deixa saudades, em um momento tão necessário.”

Dan Stubahl, ator:

“Rabino Sobel faleceu hoje. Tantas coisas fizemos juntos. Tanta coisa ele fez. Uma trajetória incomparável, um lugar de dialogo e representatividade tão importante e único. Porque ele era único. Eu o imitava, todos o imitavam, e ele me dizia “a cópia é melhor que o original”, e ríamos, com seu sotaque. “tem razão, vc me imita muito bem”, eu respondia, com o mesmo sotaque. Era meu personagem preferido, e mais, eu o admirava. Se relacionou com presidentes de todos os lugares e partidos, enfrentou a ditadura, sabia o nome de todos que o procuravam para um conselho e recebiam um forte abraço, foi humano e nunca perfeito. Um representante do diálogo, defensor da liberdade, um homem de grande inteligência e generosidade, judeu do seu tempo. Henry, meu amigo, sem mais palavras, eu choro aqui, descanse em paz.”

Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Congresso Nacional:

Foi com profunda tristeza que recebi a notícia do falecimento do rabino emérito da Congregação Israelita Paulista (CIP), Henry Isaac Sobel, na manhã desta sexta- feira (22). Nascido em Portugal, Sobel era radicado há mais de 40 anos no Brasil. Tenho certeza de que o conteúdo desta nota é insuficiente para traduzir a importância de Henry. Quando liderou a Congregação Israelita Paulista, Sobel foi um notável porta-voz de nossa comunidade judaica no Brasil e estabeleceu uma ponte entre as religiões cristãs e o judaísmo. Sua atuação, sem dúvida, o tornou uma das maiores referências para o judaísmo brasileiro e para a nossa sociedade na luta e defesa pelos direitos humanos. Nós, judeus, perdemos um grande líder espiritual. Seremos eternamente gratos a dedicação dele à nossa comunidade. Em nome do Parlamento brasileiro, transmito condolências aos familiares e amigos de Henry Sobel.

Juca Kfouri, jornalista esportivo, pelo Twitter:

“Rabino Henry Sobel, um herói do Brasil (1944-2019)”

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