Redação Pragmatismo
Mídia desonesta 03/Set/2019 às 09:32 COMENTÁRIOS
Mídia desonesta

As lições que ficam da entrevista de Glenn Greenwald no Roda Viva

Publicado em 03 Set, 2019 às 09h32

Entrevista de Glenn Greenwald foi considerada uma aula sobre liberdade de expressão e jornalismo e alcançou o primeiro lugar nos trending topics do Twitter. Momento mais tragicômico foi protagonizado pela jornalista Lilian Tahan

Glenn Greenwald roda viva

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o jornalista Glenn Greenwald não se deixou intimidar pela bancada da atração, que insistiu a todo momento sobre se seria ético usar dados que foram obtidos de forma ilegal nas reportagens da ‘Vaza Jato’.

Glenn é editor do The Intercept, site responsável pela série de matérias que mostram a atuação em conluio entre o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato para dirigir de forma ilegal as investigações.

“A autenticidade das informações da Vaza Jato não é mais uma dúvida, esse jogo cínico do Moro e Dallagnol acabou. Todos sabem que as mensagens são autênticas. Temos um ministro da Justiça e um coordenador da Lava Jato que usavam métodos corruptos não em casos isolados, mas o tempo todo”, defendeu.

Indagado também se o material da Vaza Jato não beneficiaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o jornalista respondeu que obviamente existe muito material ligado ao ex-presidente, “porque ele era um dos personagens mais importantes da Lava Jato para construir a fama de Moro e dos procuradores; e também publicamos materiais que não têm nada a ver com Lula”, disse ainda, lembrando da reportagem que mostrou a fixação dos procuradores com o ódio que emergiu na população desde a crise que se instalou no país.

A questão em torno das fontes dos documentos da vaza jato esteve presente desde o início da entrevista quando a apresentadora Daniela Lima levantou o assunto. Glenn disse que o conteúdo é mais importante do que a questão da fonte.

“Se você olha o jornalismo do mundo democrático, em boa parte das vezes é baseado em fontes que adquiriram informações de maneira ilícita. O caso do Pentagon Papers foi um exemplo disso, que mostrou que o governo dos EUA estava mentindo sobre a Guerra do Vietnã. Esses documentos foram mandados pela fonte para o The New York Times e hoje ele é um herói. Quando do caso Snowden, ninguém nesse país questionou o fato de que as informações foram adquiridas de maneira ilícita”, disparou Glenn.

A entrevista foi considerada uma aula sobre liberdade de expressão e teve grande repercussão nas redes sociais, com destaque nos trending topics, do Twitter, onde ocupava o primeiro lugar por volta de meia-noite.

Glenn defendeu que o trabalho jornalístico que tem sido feito pela vaza jato é “extraordinário”, sobretudo por conta do compartilhamento com os veículos e os jornalistas, chegando inclusive à revista Veja, que construiu a imagem de Sergio Moro como um herói. Glenn lembrou que a revista reconheceu em editorial que o que o ministro Moro fez enquanto o juiz era corrupto e ilegal.

Na entrevista, Glenn também falou sobre os métodos para confirmar autenticidade de informações, as consultas a peritos e especialistas em tecnologia que proporcionam a confiança para publicação desses materiais. O jornalista ainda citou que as conversas passaram por análises de outros veículos como a Folha de S. Paulo, o El País, a Agência Pública e o BuzzFeed.

“O jornalismo mais importante muitas vezes vem de fonte que cometeu crime para obter a informação”, disse Glenn, mas ressalvou que o interesse público impõe ao jornalista a obrigação de publicar.

O momento mais constrangedor da entrevista foi protagonizado pela jornalista Lilian Tahan, que é editora do portal Metrópoles. Ela soltou a seguinte pérola: “Não é melhor demitir repórteres e contratar hackers?”

Assista a entrevista na íntegra e tire as suas próprias conclusões:

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