Redação Pragmatismo
Jair Bolsonaro 13/Aug/2019 às 09:28 COMENTÁRIOS

Youtuber que criticou Bolsonaro sente medo e diz estar arrependido

Youtuber revela que está arrependido por ter criticado e ameaçado Jair Bolsonaro. Com medo, ele justifica que fez o vídeo polêmico após passar um dia exaustivo no trabalho e depois chegar em casa e ouvir a piada do presidente sobre o desaparecimento do pai de Felipe Santa Cruz

youtuber Bolsonaro Vina Guerreiro
Bolsonaro e Vina Guerreiro

Vina Guerreiro, youtuber de 37 anos, disse que está com medo e arrependido de ter ameaçado Jair Bolsonaro. O rapaz contou que fez o vídeo com ataques ao presidente porque havia passado um dia tenso e exaustivo e, mais tarde, já em casa, ouviu “a piada que o presidente fez do desaparecimento do pai do Felipe Santa Cruz” – mandatário da OAB Nacional, cujo pai sumiu durante a ditadura.

Vina Guerreiro disse. “Não tem mais condição de aceitar um b… como Bolsonaro no poder. Ele tem que ser assassinado, ele e a família.” O vídeo foi anexado por Sergio Moro à ordem que deu à Polícia Federal para abrir inquérito contra Vina Guerreiro, que poderá ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional. As informações são da Agência Estado.

“Foi um acesso que eu tive, um arroubo, eu cometi muito exagero ali”, admite o youtuber. “Eu não tenho nenhuma vontade disso, nem essa ideia de assassinar o presidente. Aquilo foi um grito mesmo de ‘chega’. Eu não tenho vontade de fazer uma violência dessas.”

Nascido em São Carlos, interior paulista, pai de um menino de 12 anos, Vina Guerreiro disse que se deixou contaminar pela ‘intolerância raivosa’.

Ao se declarar arrependido da ameaça ao presidente, Vina Guerreiro ganhou um aliado de peso, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira.

Com 50 anos de advocacia, Mariz resolveu assumir o caso do youtuber. “Na medida em que ele disse ter se arrependido concordei em assumir o caso. Eu não iria defender quem quer assassinar alguém.”

Confira trechos da entrevista de Vina Guerreiro para a AE:

Eu andava muito indignado, ainda ando. Alguns problemas ocorreram na minha vida pessoal de duas semanas para cá. Naquele dia, 30 de julho, era uma terça feira, eu tinha acabado de fazer um trabalho de base numa comunidade, um trabalho voluntário, e ali eu vi muita pobreza. Foi na comunidade Anchieta no Grajaú, são favelas de madeirite, não tem quase alvenaria lá. Eu vi esgoto a céu aberto, as crianças, muita coisa ruim, muita coisa pesada mesmo de se ver. Eu passei lá desde o fim da manhã até quase a noite.

Aí voltei para casa com fotos, registros do local. A gente ia fazer uma grande ação com pessoal que consegui organizar para ajudar a comunidade com cursos, uma série de coisas, edificação e também agricultura urbana, horta comunitária. Eu estava muito imbuído de fazer isso. Foi quando liguei o computador. Eu estava bem cansado, pensei, vou fazer o vídeo antes de dormir, aí eu vi alguns comentários e li a matéria sobre o Bolsonaro, o presidente falando em relação ao Santa Cruz, assim, fazendo piada da morte do pai dele, dizendo que explicaria o desaparecimento. Aquilo me deixou muito indignado.

Eu já estava meio cansado, quando eu me deparei com a pobreza e ouvi essa fala do presidente, fiquei muito indignado. Todo dia é uma fala nesse sentido, o presidente ofendendo alguém, ofendendo a memória de alguém, ofendendo a história, eu realmente perdi a linha. Ali acabou prá mim. Foi um acesso, um arroubo, eu cometi muito exagero ali.

Eu não tenho nenhuma vontade de fazer o que disse no vídeo. Aquilo foi um grito mesmo de ‘chega’. Eu não tenho vontade de fazer uma violência dessas.

Eu me desesperei quando soube que Moro mandou abrir inquérito. Não imaginava uma repercussão desse tamanho. O meu canal tem 6 mil inscritos, gera em torno de 500 visualizações, é pequeno, não é um canal de muita visibilidade. Eu não imaginava que isso fosse crescer assim. Eu caí na realidade. Se isso chegou no Moro deve ter chegado ao presidente! Nossa, todo mundo está sabendo. Então eu pensei e liguei para um amigo. ‘Preciso de ajuda’.

Eu já estava sofrendo ameaças. Da semana passada para cá as ameaças foram muito grandes, muitas no celular, pelas redes sociais também. Por isso fechei as redes. Minha esposa foi ameaçada, a loja da minha cunhada também recebeu ameaças, até do meu filho chegaram a falar alguma coisa. Eu já tinha fechado, já tinha tirado esse vídeo do ar, quando começaram as ameças à minha esposa. Tirei tudo do ar, falaram que eu tinha fugido.

No início do vídeo eu falo assim: Bolsonaro, o que seus filhos iriam pensar se você sumisse, se você fosse um desaparecido, como se sentiriam? Então, eu achei uma coisa tão agressiva cara, que eu falei não é possível. Ele não para. Um dia chama metade do povo de ‘paraíba’ Ele ofende um país, a gente perde mercado comprador, outro dia ele xinga um desaparecido político, outro dia ele homenageia um torturador. Não tem fim. Todo dia uma coisa nesse nível. Não é possível. Parece um pesadelo que não acaba.

informações de Fausto Macedo, Agência Estado

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