Redação Pragmatismo
Corrupção 06/Ago/2019 às 12:53 COMENTÁRIOS
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Grupo ligado a Bolsonaro se beneficiaria da venda de energia em Itaipu

Publicado em 06 Ago, 2019 às 12h53

Crise no Paraguai envolve grupo ligado a Bolsonaro que se beneficiaria de venda de energia de Itaipu. Impeachment do presidente Abdo Benítez ganha força após divulgação de conversas que mostram assessor pressionando para atender interesses da empresa brasileira Leros, ligada ao partido do presidente brasileiro

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Bolsonaro e Mario Abdo (Foto: Marcos Corrêa/PR)

RBA — Deputados paraguaios do Partido Pátria Querida (PPQ) protocolaram nesta segunda-feira (5) pedido de julgamento político do vice-presidente do país, Hugo Velázquez, sob acusação de tentar beneficiar uma empresa brasileira num acordo entre os dois países envolvendo a venda de excedente de energia da hidrelétrica Itaipu Binacional.

Nesta terça (6), o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) deve apresentar pedido de impeachment do presidente Mario Abdo Benítez, envolvendo o vice e o ministro da Fazenda, Benigno López. O caso, que está sendo tratado como escândalo, foi denunciado pelo portal ABC Color .

Na semana passada, os partidos de oposição haviam ameaçado entrar com pedido de impeachment de Abdo Benítez, mas a ação perdeu força após o governo paraguaio anular o acordo que favorecia o Brasil. A proposta voltou a ganhar força após a divulgação mensagens trocadas entre o advogado José Rodríguez, que dizia falar em nome do vice-presidente, e o então presidente da Administración Nacional de Electricidad (Ande), estatal elétrica paraguaia.

Nessas conversas, Rodríguez tentava intermediar uma reunião entre o presidente da estatal e representantes da empresa brasileira Leros, interessada na compra de energia paraguaia. Atuaria em nome da Leros o empresário Alexandre Luiz Giordano, que é suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), e, segundo Rodríguez, falaria em nome da “família presidencial do país vizinho”, em referência ao presidente Jair Bolsonaro.

Pelo acordo, firmado em 24 de maio pelos dois países, e cancelado pelo Paraguai na semana passada, o país vizinho pagaria US$ 50 milhões adicionais por ano, até 2023, pela energia produzida em Itaipu. Outro ponto de discórdia foi a retirada do texto do acordo de critérios para a venda do excedente de energia produzida pelo Paraguai a empresas brasileiras interessadas. Em vez de realizarem uma concorrência internacional, uma cota de 300 Megawatts seria repassada com exclusividade à Leros, que faria a venda ao mercado brasileiro.

Para o jornalista e analista político Amauri Chamorro, trata-se de uma “trama complicadíssima”, “de extrema gravidade”, pois, caso os fatos se confirmem, revelaria que o vice-presidente estaria atuando, por meio do advogado Rodríguez, contra a própria soberania do seu país. Ele também cobra que as autoridades brasileiras e a imprensa nacional investiguem os interesses da Leros na negociação do acordo.

“O vice-presidente estaria se subordinando absolutamente aos interesses de uma empresa privada brasileira, que por sua vez tem ligações com o PSL, a partir de um intermediador que se apresenta como representante da família Bolsonaro. Tudo isso tem que ser verificado pelo MP do Brasil para identificar como ocorreu esse processo de pressão e negociação com o vice-presidente paraguaio, burlando a parte técnica do acordo”, afirmou Chamorro em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, para o Jornal Brasil Atual.

Resistente em beneficiar a empresa brasileira, o presidente da Ande pediu demissão. O suposto advogado José Rodríguez prestou depoimento à Procuradoria do Paraguai confirmando ter atuado em benefício da Leros, porém, alegou ter mentido ao dizer que falava em nome do vice-presidente, assumindo toda a culpa pelo ocorrido, na tentativa de blindar o político.

Segundo Chamorro, a primeira tentativa de afastamento Abdo Benítez não prosperou porque o Partido Colorado, ao qual ele é filiado, manteve o apoio ao presidente. Mas as ações dos partidos de oposição, somadas às mobilizações de movimentos sociais que pedem a saída das altas autoridades por traição à pátria, podem fazer inclusive o Partido Colorado rever o seu apoio.

Trecho de reportagem do portal ABC Color que denuncia acordo lesivo ao povo paraguaio, com participação do governo brasileiro

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