Redação Pragmatismo
Mulheres violadas 02/May/2019 às 20:12 COMENTÁRIOS

Advogada com "roupa inadequada" é barrada em Tribunal de Justiça

Jovem advogada é acusada de usar "roupa inadequada" e impedida de entrar em prédio de Tribunal de Justiça. Situação abusiva e constrangedora foi testemunhada por dezenas de pessoas

advogada barrada TJ
A advogada Eduarda Meyka Ramires com a roupa que usava quando foi constrangida (imagem: reprodução/Eduarda)

A advogada Eduarda Meyka Ramires foi barrada por funcionários do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) na última sexta-feira (26) por estar vestindo, segundo eles, uma “roupa inadequada”.

O caso só passou a ser levado a sério após repercutir nas redes sociais. A partir disso, o Poder Judiciário em Rondônia determinou a apuração do episódio.

Nesta semana, comissões da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifestaram-se contrárias ao tratamento dado a Eduarda, de 26 anos.

A OAB-Rondônia confirmou que servidores do TJ-RO tentaram impedir a entrada da advogada nas dependências do Tribunal em razão da roupa. A ação causou constrangimento público à advogada.

Eduarda foi barrada no início do expediente, com o local cheio de pessoas que presenciaram o “imenso desconforto à advogada”, assinala a OAB. O órgão afirma, ainda, que a ação gerou “olhares maldosos e comentários”, constrangendo a profissional.

A OAB ressaltou que “a vestimenta profissional da advocacia feminina não tem por padrão o uso de terno e gravata nem nada similar, cabendo somente a OAB esta normativa”.

Em nota, o órgão afirma que qualquer outra imposição normativa configura “violação da independência funcional do advogado”. A OAB cita que a Instrução n. 14/2017, que trata do controle de acesso às unidades do Poder Judiciário em Rondônia, não pode ser usada como justificativa para a atitude dos profissionais.

Eduarda Meyka

Eduarda Meyka Ramires confirma ter se sentido constrangida no episódio. “Eles não tiveram nenhuma sensibilidade, falaram alto e em meio a todos que estavam no saguão de entrada do TJ. Os dois funcionários perguntaram se eu estava indo a algum gabinete. Nesse momento eu previ, pela abordagem e olhares, que iriam me recriminar por algo”, relata.

“Respondi que estava indo assistir a uma sessão — na qual eu tinha dois processos a serem julgados. Foi então que um deles questionou se eu teria uma blusa. Contestei ironicamente falando que sim e que, inclusive, eu estava usando. A abordagem foi abrupta”, continua Eduarda.

“O segurança perguntou se eu tinha uma blusa para me cobrir. Respondi que não. Foi quando ele falou que eu estava ‘com tudo pra fora’. Ele repetiu isso umas três vezes. Todo mundo olhou, pois do jeito que foi falado, parecia que eu estava desnuda”, acrescenta a advogada.

“Eu não tive reação. Por mais que eu seja mulher e tenha passado por vários tipos de constrangimentos, isso que aconteceu foi inédito. Publiquei o caso nas redes sociais e foi quando comecei a receber todo o apoio. Recebi o relato de uma mulher que só conseguiu entrar no TJ para falar com o presidente usando um blazer emprestado por um dos seguranças. Isso é humilhante. Sei o quanto é difícil denunciar, pois, às vezes, a advogada é contratada, é servidora, é mãe que tem medo de perder o emprego”, finaliza Eduarda.

Eduarda fez um novo post para rebater críticos:

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Comentários

  1. Carlos Augusto Normann Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    e qual é o problema com a roupa da moça??? Se a doutora se sentia bem, não vejo nenhuma agressão nas roupas dela, estilo despojado, de boas... Esses caras estão enxergando cabelo em ovo que é uma beleza!

  2. Felipe Oliveira Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    Para cada situação existe uma vestimenta adequada. Excesso de liberdade gera a libertinagem. Daqui a pouco vou entrar de cuecas na missa que tal? ou talvez de roupão de banho no tribunal. Não acho correta a ação dos agentes expulsando a menina, tem que agir para não constranger a pessoa. Respeito e educação pela instituição e pelas pessoas de ambas as partes já resolveria o problema.

  3. Adriano Garcez Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    É necessário ver qual é o código de vestimentas para o TJ em questão, pois, onde moro, homem nenhum entra de bermuda, por exemplo. Não vejo nada de mais nas roupas da advogada, mas deve haver algum problema com o código em questão. A abordagem, pelo relatado, foi abusiva, e isso sim deve ser combatido.

  4. Leandro Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    Nossa que delicia, pode entrar na minha vida sem problema algum!

  5. Ricardo Grigoli Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    A maldade está nos olhos de quem vê!!!! Certamente o último curral da direita fascista e hipócrita dentro da máquina do estado está no judiciário. Judiciário aliás que é o clarão de privilegiados da previdência que não sofrerão nada com essa reforma que está por vir. O traje não revela nada... as norma não é proibitiva e sim apenas uma orientação. O TJ de SP havia liberado os advogados de usarem terno e gravata, por exemplo, e poderiam entrar no fórum usando calça jeans e camisa polo. Então isso aí é falta do que se preocupar. Aliás para muita coisa a justiça está fazendo vista grossa.

  6. Eduardo Ribeiro Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    A direita moralista branca retrograda ignorante católica eleitora de Aécios e Bolsonaros simplesmente NÃO GOSTA DE MULHER. Tem nojinho, lavam as mãos depois de cumprimentar alguma.. Mulher competente e independente....aí já é outro nível: o nojinho vira medo visceral, horror, pavor...aí eles sempre que possivel podam...atacam das formas mais vis e canalhas, especialmente no que tange a feminilidade, pra "cortar as asinhas"...mulher competente e independente é o pior e o mais assombroso monstro pra essa escória...

  7. Márcio Araújo Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    É, a geração Nutella cresceu e se formou.

  8. El Junguiano Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    Cumpre apresentar-se com vestes recatadas.

    • Katia Carvalho Postado em 06/Jul/2019 às 00:44

      Quem disse isso? Vc , né? Porque a OAB local não obriga uma advogada se vestir de terno e gravata. Veste recatada ? Vcs matam uma mulher de vergonha , eu hein !

    • Felipe Oliveira Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

      Nisso eu concordo, para cada situação existe uma vestimenta adequada. Excesso de liberdade gera a libertinagem. Daqui a pouco vou entrar de cuecas na missa que tal? ou talvez de roupão de banho no tribunal. Não acho correta a ação dos agentes expulsando a menina, tem que agir para não constranger a pessoa. Respeito e educação de ambas as partes já resolveria o problema.

  9. Ruth Muniz Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    Não era Mais facil estar vestida de acordo com o ambiente? Mas se no causar para aparecer nas redes sociais não fica feliz.

    • Katia Carvalho Postado em 06/Jul/2019 às 00:44

      Ler isso vindo de uma mulher é de entristecer mesmo ! o que é "Mais facil estar vestida de acordo com o ambiente"? Então, ela deveria estar de terno e gravata ou de saia abaixo dos joelhos,/? O que tem demais com a roupa da menina? Esta usando uma calça flare preta de cós alto, boca larga, super na moda e blusa ou body preto? O que está de fora? Ah, já sei.... o preconceito e o costume de julgar os outros ! Se liga !

  10. Wilson Hugo Cavalcante Freire Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    Esses bozonautas veem sexo até em roupa alheia. Que lunaticos. Minha solidariedade a advogada.

  11. chichano goncalvez Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    Temos que acabar de uma vez por todas com essa intolerancia, racismo, homofobia que explodiu no pais desde quer assumiu o chefe de quadrilha, passando uma falsa moral da qual ele não tem nenhuma . Acho que tem gente nesse tribunal que não gosta de mulher. Mulher é a coisa mais bela, e quanto menos vestida melhor, isso não determina que se pense só em sexo, a beleza tambem tem que ser vista e admirada, muitas vezes a beleza está do lado de dentro da pessoa.Como será um advogado iraniano, eles não usam gravata, e ai ?