Redação Pragmatismo
Educação 27/Feb/2019 às 16:09 COMENTÁRIOS

USP repudia professor que chamou gays de "aberração"

Eduardo Gualazzi disse que pobres “se recusam a trabalhar”, chamou LGBTs de “aberração”, enalteceu a “raiz europeia da nação brasileira” e criticou a miscigenação de raças. O professor ainda fez questão de revelar em quem votou nas eleições de 2018

professor da USP Eduardo Lobo Botelho Gualazzi
Eduardo Lobo Botelho Gualazzi (reprodução)

Em aula inaugural do curso de Direito na USP na última segunda-feira (25), o professor Eduardo Lobo Botelho Gualazzi distribuiu um texto aos alunos elogiando a ditadura militar e afirmando, entre outras coisas, que pobres são “minoria do submundo que se recusam a trabalhar” e LGBTS, “aberração”, além de “tarados e taradas”.

Nesta quarta-feira (27), a Faculdade de Direito da USP decidiu reprovar publicamente as declarações do docente. Celso Fernandes Campilongo, diretor em exercício da Faculdade, afirma que a USP “zela pela liberdade de cátedra e expressão” mas repudia “manifestações de discriminação, preconceito, incitação ao ódio e afronta aos Direitos Humanos”.

“A USP mantém a tradição “da promoção dos valores da igualdade e da cidadania. É dever dos docentes, em consonância com a ordem constitucional, enfrentar estereótipos de gênero, raça, cor, etnia, religião, origem, idade, situação econômica e cultural, orientação sexual e identidade de gênero (LGBT), dentre outras, jamais incentivá-los”, afirma Celso Fernandes Campilongo.

“A liberdade de cátedra e expressão não pode se traduzir em abuso e desrespeito à diversidade. O respeito a todos, maiorias ou minorias, é valor inegociável. Vozes que, eventualmente, fujam dessas diretrizes não representam o pensamento prevalecente na Faculdade de Direito e merecem veemente desaprovação”, conclui o diretor.

Eduardo Lobo Botelho Gualazzi é professor do curso de “Direito Administrativo Interdisciplinar”. Até agora, ele não se manifestou sobre a polêmica.

Além de elogiar a ditadura no texto distribuído em sala de aula, Gualazzi fez questão de informar a seus alunos em que votou em Jair Bolsonaro para presidente da República, Major Olympio para senador, Luiz Philippe de Orléans e Bragança para deputado federal e Paulo Skaf para governador de SP no primeiro turno — e João Doria no segundo.

No texto, o professor da USP também louva a “raiz europeia da nação brasileira” e critica a miscigenação de raças.

2014

Essa não é a primeira vez que Gualazzi desenvolve materiais de aula como esse. Em 2014, ele ministrou a aula “Continência a 1964”, na qual fez um discurso pró-ditadura militar.

“Mais uma vez, afirmo, reafirmo, e reitero o inteiro teor de minha aula Continência a 1964, de 31 de março de 2014”, diz o texto distribuído na segunda (25).

Relembre:

Eduardo Gualazzi

Fiel às gravatas borboletas e ao aristocratismo, que ele elenca como a primeira das características a definir sua personalidade, Eduardo Gualazzi, 70, é professor de direito administrativo da USP desde 1986. Ele é descrito dentro da instituição como um homem fechado, extremamente conservador e temperamental.

Gualazzi redige seus textos em uma máquina de escrever e sempre os registra em cartório. Não usa e-mail nem celular. O professor chegou a trabalhar como advogado na Procuradoria do Estado de São Paulo era próximo ao ex-presidente Jânio Quadros.

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