Redação Pragmatismo
Tragédia 11/Fev/2019 às 22:05 COMENTÁRIOS
Tragédia

Testemunha diz que Ricardo Boechat "pulou do helicóptero"

Publicado em 11 Fev, 2019 às 22h05

Mulher que estava em uma moto ao lado do caminhão que se chocou contra o helicóptero disse que viu Ricardo Boechat pular da aeronave: "Eu tinha que ter tirado ele de lá [...] Eu acho que poderia ter feito mais alguma coisa e não me deixaram"

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Imagem: Vendedora tenta salvar motorista do caminhão que colidiu com helicóptero que levava Boechat

A vendedora Leilaine da Silva, de 29 anos, é uma das principais testemunhas da tragédia que matou Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattrucci nesta segunda-feira (11).

Leilaine estava em uma moto ao lado do caminhão que se chocou contra o helicóptero e disse que viu o passageiro pular da aeronave.

“Uma pessoa pulou do helicóptero. O piloto ficou dentro do helicóptero. A pessoa que caiu na pista era o que tinha pulado. Ele pulou na pista, caiu no chão, e o helicóptero caiu em cima dele. Mas eu queria salvar ele. Porque o piloto não pulou, ficou dentro do helicóptero”, disse a vendedora em depoimento à polícia.

O único passageiro do helicóptero era Ricardo Boechat. O piloto também morreu no acidente.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram Leilaine ajudando a retirar o motorista do caminhão das ferragens. O homem sobreviveu ao acidente.

A vendedora estava em uma moto pilotada pelo marido. O casal passava ao lado do caminhão atingido pelo helicóptero. Ela afirmou que quebrou o vidro do caminhão com um capacete para retirar o motorista.

Saiba mais sobre o acidente que matou Ricardo Boechat AQUI.

“Eu acho que poderia ter feito mais alguma coisa e não me deixaram. Eu devia ter corrido lá e puxado ele. Só que agora que eu estou aqui, tenho a noção de que não tinha mais como tirar ele de lá, porque explodiu novamente. Eu vejo que eu podia ter morrido junto com ele”, revelou.

“Mas a minha intenção ali na hora era tirar ele [Boechat] de lá. Eu tinha que ter tirado ele de lá. Tinha que ter puxado para o meio da pista. O outro moço [piloto] já tinha morrido.”

Leilaine contou que quase foi atingida pela aeronave: “O helicóptero estava muito baixo, perto do viaduto. Se o helicóptero não tivesse caído em cima dele, ele tinha sobrevivido. Não tinha o que fazer, mas ele estava vivo”.

Ela disse que teve de se afastar porque notou vazamento de combustível do caminhão. Em seguida, segundo a vendedora, o helicóptero pegou fogo.

Taxi aéreo

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que o helicóptero que levava Ricardo Boechat não podia fazer táxi aéreo, mas sim prestar serviços de reportagem aérea. Ainda segundo a Anac, a empresa foi multada, em 2011, por atividade irregular.

“A empresa RQ Serviços Aéreos Ltda foi autuada, em 2011, por veicular propaganda oferecendo o serviço de voos panorâmicos em aeronave e por meio de empresa não certificada para a atividade. Essa atividade só pode ser executada por empresas e aeronaves certificadas na modalidade táxi aéreo. A autuação foi definida em R$ 20 mil reais e foi paga pela empresa”, diz nota.

A agência abriu procedimento administrativo para apurar o tipo de transporte que estava sendo feito.

“A aeronave de matrícula PT-HPG, acidentada hoje, em São Paulo, era operada e pertencia à empresa RQ Serviços Aéreos Especializados LTDA. A empresa possui autorização da ANAC para prestar Serviços Aéreos Especializados (SAE), que incluem aerofotografia, aeroreportagem, aerofilmagem, entre outros do mesmo ramo. A aeronave acidentada também estava certificada na categoria SAE. Qualquer outra atividade remunerada fora das mencionadas não poderia ser prestada. Tendo em vista essas informações, a ANAC abriu procedimento administrativo para apurar o tipo de transporte que estava sendo realizado no momento do acidente”, diz texto.

Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Aeronáutica, também abriram investigação sobre a queda.

O acidente

Depois de apresentar jornal na Band News FM, na capital paulista, Boechat seguiu para um evento organizado para uma indústria farmacêutica, em um hotel em Campinas, no interior de São Paulo.

O helicóptero saiu de Campinas às 11h45, no interior do estado, onde Boechat participou nesta manhã de um evento, e seguia em direção à sede do Grupo Bandeirantes, no Morumbi, Zona Sul .

A queda ocorreu na rodovia Anhanguera, próximo ao Rodoanel: a aeronave bateu na parte dianteira de um caminhão que transitava pela via. Segundo testemunhas, o piloto tentava fazer um pouso de emergência.

Saiba mais sobre o acidente que matou Ricardo Boechat AQUI.

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