Redação Pragmatismo
América Latina 22/Feb/2019 às 15:18 COMENTÁRIOS

Por que Nicolás Maduro rejeita a "ajuda humanitária" dos EUA?

Não faz tanto tempo assim, foi em 1991, que Augusto Pinochet, à época ex-presidente do Chile, enviou para a Croácia, sob o pretexto de “ajuda humanitária”, 11 toneladas de armas, dentre fuzis, granadas, munições e coletes antitanque

Nicolás Maduro rejeita ajuda humanitária EUA
Imagem: Luisa Gonzalez | Reuters

Marcelo Uchôa, Jornal GGN

Curiosa a indignação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro por haver determinado o fechamento das fronteiras do país, negando-se a receber ajuda humanitária internacional mobilizada pela oposição liderada por Juan Guaidó, com o apoio explícito de Estados Unidos e Colômbia.

Não faz tanto tempo assim, foi em 1991, que Augusto Pinochet, à época ex-presidente do Chile (então chefe do exército chileno), enviou para a Croácia, sob o pretexto de “ajuda humanitária”, 11 toneladas de armas, dentre fuzis, granadas, munições e coletes antitanque.

Quem conhece a geopolítica da América Latina sabe bem que era desse modo, em aviões carregados de “ajuda humanitária”, que os Estados Unidos de Ronald Reagan alimentavam os contras da Nicarágua. Na época, o secretário de Estado adjunto norte-americano, Elliott Abrams, foi acusado de mediar o contrabando. Nada de chamar atenção se Abrams não fosse, hoje, a mesma pessoa que coordena, pelo lado do governo de Donald Trump, a suposta “ajuda humanitária” à Venezuela.

Será que os exemplos históricos e a tensão do momento não são suficientes para que se abra uma reflexão no sentido de procurar compreender os porquês de Estados Unidos e Colômbia (que, desde a era Chávez, vêm boicotando a Venezuela) estarem tão interessados em prestar solidariedade? Não seria muito amor ao próximo, de uma hora pra outra, a ponto de aguçar a curiosidade?

O que deveria provocar interrogação mais do que a recusa venezuelana à “ajuda humanitária” são os fatos da Cruz Vermelha haver se negado a participar das operações de auxílio por desconfiança, e da ONU insistir na despolitização das medidas.

Por isso, age bem o presidente Nicolás Maduro ao fechar as fronteiras nacionais nestes tempos híbridos em que ameaças e promessas de filantropia andam de mãos dadas, para desespero dos seguidores do sem voto Juan Guaidó, que já contavam, com facas entre os dentes, pelo “suporte solidário”. Precaução e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

*Marcelo Uchôa é advogado e professor de Direito Internacional

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Comentários

  1. Roberto Pedroso Postado em 06/Jul/2019 às 00:35

    Quem acredita no conto da carochinha da ''ajuda humanitária'' leia e pesquise sobre o caso Irã-Contras,no mais os EUA estão se lixando para a população civil venezuelana,e a Casa Branca se de fato se importasse mesmo com a vida das pessoas naquele pais não teria imposto tantas sanções econômicas e embargos sistemático com o intuito justamente de levar a economia daquele pais a uma condição falimentar visando gerar conturbação social com vistas a derrubar o governo,os Estados Unidos querem apenas o petróleo,mesmo Maduro não sendo um exemplo de estadista é importante ressaltar que Guaidó também está longe de representar a esperança real para o povo venezuelano,a saida deveria ser pela diplomacia e mediação pacifica em uma mesa de negociação mas a America latina assistiu a economia venezuelana ser deteriorada e destruída muito em função das pressões externas dos países do norte ocidental capitalista e ''civilizado''capitaneados pelo governo de Trump e agora o roteiro que se se apresenta é tétrico com Maduro acuado e sofrendo ainda mais pressão internacional que proporcionará o agravamento do isolamento econômico levando a Venezuela a uma condição de deterioração econômica nunca antes visto,como resposta Maduro(como todo líder populista em situação semelhante) fatalmente irá endurecer ainda mais o seu regime gerando mais violência, tudo isso com a aquiescência dos atuais lideres sul americanos de direita que preferem estar aliados de maneira covarde aos interesses e pautas estadunidenses do que optarem pelo dialogo e por uma proposta de solução pacifica negociada sob os termos da boa diplomacia; as cadelas servis de Trump que ocupam as cadeiras de presidentes em algumas republiquetas de bananas ao sul do Equador contribuem inequivocamente para o agravamento da situação de conflito declarado em solo venezuelano e com sua subsequente escalada vertiginosa de violência tanto naquele pais quanto na região de fronteira com o mesmo.