Redação Pragmatismo
Meio Ambiente 13/Feb/2019 às 12:35 COMENTÁRIOS

Como a luta de Chico Mendes faz diferença até hoje

Chico Mendes: relembre a história do maior símbolo brasileiro da luta pela preservação da floresta Amazônica, assassinado em 1988, e como o seu legado faz diferença até hoje

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Francisco Alves Mendes Filho, presidente do Sindicato dos Seringueiros de Xapuri (Imagem: Xapuri socioambiental)

No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade”.

A frase, de autoria de Chico Mendes, resume a história do maior símbolo brasileiro da luta pela preservação da floresta Amazônica, assassinado em 1988 a mando de um fazendeiro.

Seu nome, conhecido por muitos no Brasil e no mundo, voltou à tona nesta terça-feira (12), depois que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou, em entrevista ao Roda Viva, que não tem conhecimento sobre o trabalho do ambientalista.

O fato é que é irrelevante. Que diferença faz quem é o Chico Mendes nesse momento?”, rebateu Salles ao ser questionado pelos entrevistadores do programa, que foi ao ar na noite de segunda-feira (11).

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Com a preocupação em torno da preservação da Floresta Amazônica, o legado de Chico Mendes é ainda considerado atual e necessário.

Filho de seringueiro, Francisco Alves Mendes Filho nasceu em Xapuri, interior do Acre, em 1944. Desde pequeno trabalhou na floresta e foi alfabetizado apenas com 19 anos.

Em 1975, aos 31 anos, Mendes deu início a sua atuação como sindicalista e ativista em defesa da Floresta Amazônica. Até sua morte, em 1988, essa foi sua missão.

Ele criou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri (AC), ajudou a fundar o PT na região e foi o organizador da União dos Povos da Floresta — aliança entre indígenas, seringueiros, castanheiros, pequenos pescadores e populações ribeirinhas que poderiam ser ameaçados pelo desmatamento da região.

A sua militância deixava os fazendeiros incomodados. Uma de suas ações para impedir o avanço de tratores sobre as florestas, por exemplo, era o chamado “empate”, quando famílias inteiras (mulheres e crianças à frente) se sentavam de forma organizada próximo das máquinas, inibindo o desmate.

Em “Chico Mendes, crime e castigo” (2003, Companhia das Letras), o jornalista Zuenir Ventura, que fez a cobertura do assassinato do sindicalista, descreve que ele desenvolveu táticas pacíficas de resistência para defender a floresta, que a partir da década de 70 sofrera um acelerado processo de desmatamento para dar lugar a grandes pastagens de gado.

Chico lutou contra a devastação e chamou a atenção do mundo para essa luta”, resume Ventura na obra.

De fato, sua luta foi reconhecida internacionalmente. Em 1987, Mendes falou na reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Miami (EUA), denunciando a destruição da floresta.

Na época, ele solicitou a suspensão do financiamento para a construção da BR – 364, que atravessaria o estado de Rondônia e chegaria ao Acre.

No ano seguinte, em 1988, ganhou o Global 500, prêmio da Organização das Nações Unidas, além da Medalha de Meio Ambiente da Better World Society.

Ao mesmo tempo em que era reconhecido internacionalmente, em Xapuri as ameaças de morte aumentavam a cada dia.

As promessas de regularização dos conflitos fundiários não se concretizavam. A ideia de criação de reservas extrativistas se arrastava na burocracia federal”, afirma o site do Memorial Chico Mendes, criado em 1996 pelo Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS).

A militância não conseguiu salvá-lo. Em 22 de dezembro de 1988, em uma emboscada nos fundos de sua casa, ele foi assassinado por Darcy Alves Ferreira a mando de seu pai, Darly Alves da Silva, grileiro de terras.

Os assassinos de Chico Mendes foram presos e condenados a 19 anos de prisão, graças ao depoimento de Genésio Ferreira da Silva, que tinha 13 anos na época e assistiu a toda a preparação da morte.

Para saber mais

Em 2018, o canal Amazônia Real lançou um documentário contando a história de Chico Mendes e de Genésio. Confira:

Além do livro de Zuenir Ventura e do documentário “Genésio — um pássaro sem rumo”, há ainda inúmeras outras produções para conhecer mais sobre o legado de Chico Mendes.

Em 2008, a TV Senado fez um programa para resgatar a história do líder seringueiro.

O Canal Curta produziu “Chico Mendes — Um povo da floresta”.

Há, ainda, a série “A Década da DestruiçãoChico Mendes: Eu Quero Viver, do documentarista inglês Adrian Cowell e do cinegrafista e repórter cinematográfico brasileiro Vicente Rios.

Clara Cerioni, Exame

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