Redação Pragmatismo
Governo 05/Jan/2019 às 10:56 COMENTÁRIOS

Ministros de Bolsonaro são de famílias de políticos ou militares

Apesar do discurso de renovação, levantamento mostra que maioria dos 22 novos auxiliares diretos de Jair Bolsonaro procede de famílias tradicionais de políticos, juristas ou militares

ministros de Bolsonaro
Foto oficial dos ministros de Bolsonaro (REUTERS/Ueslei Marcelino)

Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostra que pelo menos metade dos 22 novos auxiliares diretos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) procedem de famílias de políticos ou militares.

Apesar do discurso de renovação, o peso da tradição familiar fala mais alto na composição ministerial de Bolsonaro.

“O antigo e o arcaico prosseguem no Brasil quando se deveria aparentemente renovar. É a continuidade do antigo regime. São famílias que já estavam no poder há 50 ou mais de 100 anos, tanto no meio empresarial, no agroindustrial, na burocracia, na elite política, militar ou da magistratura”, observa o cientista político e social Ricardo Costa Oliveira, professor da UFPR responsável pela pesquisa e principal referência no estudo sobre a genealogia do poder no país. “A política é um negócio de família no Brasil”, resume.

FAMÍLIA BOLSONARO

O modelo continua se reproduzindo. Filho de uma dona de casa e de um dentista prático, o novo presidente inaugurou o seu próprio clã político, com os filhos Carlos, vereador no Rio, Flávio, deputado estadual e senador eleito, e Eduardo, reeleito deputado federal com a maior votação da história da Câmara.

Aos 20 anos, o quarto filho, Renan, também tem demonstrado gosto pela política. “Tá no sangue dele”, disse à Folha de S.Paulo Ana Cristina Valle, mãe do estudante de Direito e segunda esposa de Bolsonaro. Primeira esposa do presidente e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, Rogéria Nantes foi vereadora no Rio. Mesmo separada há anos de Bolsonaro, Ana Cristina usou o sobrenome do ex-marido na eleição para deputada federal em 2018. Não se elegeu.

GENERAL MOURÃO

Pelas veias do general Mourão corre sangue verde oliva. Ele é filho do também general de divisão Antonio Hamilton Mourão, que foi adido militar do Brasil nos Estados Unidos. Por causa dos deslocamentos do pai amazonense, o vice-presidente nasceu em Porto Alegre, onde viveu parte da juventude. Também chamado Antonio Hamilton Mourão, o avô dele presidiu o Tribunal de Justiça do Amazonas. A família – ressalte-se – não tem parentesco com outro famoso general, Olimpio Mourão Filho, um dos articuladores do golpe militar de 1964.

AUGUSTO HELENO

Um dos principais conselheiros de Bolsonaro, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) é filho de Ary de Oliveira Pereira, promovido de tenente-coronel para o coronel do Exército pelo então presidente Emílio Garrastazu Médici em 1972. Ary também era professor do Exército e morreu ainda na década de 70.

BENTO COSTA LIMA

Ministro de Minas e Energia, o almirante da Marinha é filho do ex-tenente do Exército e ex-promotor militar Bento Costa Lima Leite de Albuquerque. O pai do ministro entrou para o Ministério Público Militar depois de retornar da Itália, onde combateu na Segunda Guerra Mundial. Foi procurador-geral da Justiça Militar em 1955 e faleceu em 1960, quando o almirante ainda era criança. O ministro é neto do desembargador Francisco Leite de Albuquerque, que presidiu o Tribunal de Justiça do Ceará.

CARLOS ALBERTO DOS SANTOS CRUZ

O ministro da Secretaria de Governo é filho de Júlio Alcino dos Santos Cruz, oficial da Brigada Militar (o equivalente à Polícia Militar) do Rio Grande do Sul. Outros integrantes da família também ocuparam cargos militares na fronteira do Rio Grande do Sul com países vizinhos.

FERNANDO AZEVEDO SILVA

General do Exército, o ministro da Defesa é filho do coronel Gilberto Antonio Azevedo Silva, também do Exército. O pai dele organizou o primeiro curso de forças especiais no Brasil após fazer um estágio nos Estados Unidos em 1957.

ONYX LORENZONI

Um dos nomes mais fortes do atual governo, o ministro da Casa Civil tem a mesma profissão do pai e do filho, médico veterinário. A família possui um dos principais hospitais veterinários de Porto Alegre. O avô materno, Major Sátiro Dornelles de Oliveira Filho, foi prefeito de Vacaria, entre 1938 e 1945. Proprietário rural, foi dono do 6º Tabelionato de Notas de Porto Alegre e era casado com Gabriela Duarte, outra família fincada na política de Vacaria. Genealogistas gaúchos apontam parentesco distante entre Onyx e o ex-presidente Getúlio Vargas. Ambos têm Dornelles como sobrenome do meio. O ministro prepara um herdeiro para a política: seu filho Rodrigo Lorenzoni foi candidato a deputado estadual em 2018, mas não se elegeu. Rodrigo presidiu o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul, posto já ocupado pelo pai.

TEREZA CRISTINA

Como deputada, a atual ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento presidiu em 2018 a Frente Parlamentar do Agronegócio, a chamada bancada ruralista. A família da engenheira agrônoma tem forte tradição no agronegócio e na política. É neta e bisneta de dois ex-governadores de Mato Grosso, antes do desmembramento de Mato Grosso do Sul: Fernando Corrêa da Costa e Pedro Celestino. Militar, Celestino foi presidente do estado por dois mandatos: de 1908 a 1911 e de 1922 a 1924. Fernando Corrêa governou entre 1947 e 1951. Também foi prefeito de Campo Grande e senador.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA

Deputado licenciado, o ministro da Saúde tem ramificações com a principal família política de Mato Grosso do Sul. É sobrinho de Terezinha Mandetta, que foi casada com o ex-deputado Nelson Trad, já falecido. É primo do senador eleito Nelsinho Trad, do prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, do deputado reeleito Fábio Trad e do vereador da capital sul-mato-grossense Otávio Trad.

OSMAR TERRA

O ministro da Cidadania é deputado licenciado pelo MDB do Rio Grande do Sul e médico. Descende de duas famílias gaúchas tradicionais: Terra e Paim. É bisneto do coronel da Guarda Nacional Avelino Paim de Souza e sobrinho-neto do ex-senador Paim Filho.

MARCELO ÁLVARO ANTÔNIO

Deputado mais votado por Minas Gerais em 2018, o ministro do Turismo é batizado, na verdade, como Marcelo Henrique Teixeira Dias. Mas, ao ingressar na política, aproveitou-se da popularidade do pai – o ex-deputado da Arena e do MDB Álvaro Antônio Teixeira Dias – e misturou os dois nomes. A família tem como principal reduto eleitoral a região do Barreiro, em Belo Horizonte. O ministro é da igreja evangélica Maranata.

SERGIO MORO

O ministro da Justiça e Segurança Pública, que se tornou conhecido nacionalmente ao conduzir os processos da Operação Lava Jato em Curitiba, é primo do desembargador Hildebrando Moro. Os lanços familiares com a política vêm de sua esposa, a advogada Rosângela Wolff, descendente de duas tradicionais famílias paranaenses (Wolff e Macedo). Com vários parentes no Judiciário, Rosângela é prima distante do prefeito de Curitiba, Rafael Grecca, e do ex-governador Beto Richa.

GUSTAVO BEBIANNO

Ministro da Secretaria Geral da Presidência, advogado, ex-presidente do PSL e amigo de Bolsonaro, Bebianno vem de uma família com forte presença no meio empresarial do Rio de Janeiro. É neto de Ademar Alves Bebianno, que dá nome à estrada velha da Pavuna e que controlava o grupo América Fabril, considerada uma das maiores indústrias do Rio no século passado. Seu bisavô era parente próximo do 1º Visconde de Castanheira de Pera Antonio Alves Bebianno, considerado um dos homens mais ricos de Portugal no século 19.

ERNESTO ARAÚJO

O ministro das Relações Exteriores é filho do ex-procurador-geral da República Henrique Fonseca de Araújo, que ocupou o cargo no final dos anos 70. Henrique também foi deputado estadual no Rio Grande do Sul. O ministro tem o mesmo nome de um tio que foi almirante da Marinha e diretor da Escola Superior de Guerra. Os laços familiares de Ernesto também se estendem pelo Itamaraty: é casado com a também diplomata Maria Eduardo de Seixas Corrêa e genro do embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa, ex-secretário-geral do Ministério das Relações Exterior.

ROBERTO CAMPOS NETO

Indicado para presidir o Banco Central pelo presidente Jair Bolsonaro, o economista aguarda a aprovação de seu nome pelo Senado, o que deve ocorrer em fevereiro, para assumir o cargo. O avô, Roberto Campos, é considerado um dos maiores pensadores da direita brasileira. O currículo de Roberto Campos é extenso: diplomata, foi assessor econômico de Getúlio Vargas, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do governo Juscelino Kubitschek e ministro do Planejamento no governo militar de Castelo Branco. Depois de deixar o Executivo, Roberto Campos foi deputado federal e senador. Imortal da Academia Brasileira de Letras, morreu em 2001.

informações de Congresso em Foco

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