Redação Pragmatismo
Lula 31/Jan/2019 às 00:06 COMENTÁRIOS

O desabafo da filha de Vavá, sobrinha de Lula

"A palavra da família é 'revolta' [...] meu pai não merecia isso". Emocionada, filha de Vavá comenta o circo montado pela Justiça para proibir Lula de enterrar o irmão

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“A palavra da família é ‘revolta’. Essas pessoas que estão fazendo isso, têm pai, mãe, filhos. Eu rezo para que eles não passem pelo que a gente está passando. Meu pai não merecia isso […]”.

O desabafo acima foi proferido por Andrea Marin da Silva, filha de Vavá e sobrinha do ex-presidente Lula (vídeo abaixo).

Nesta quarta-feira (30), Lula foi impedido de enterrar o irmão. A decisão chocou juristas, jornalistas, personalidades e familiares.

“Meu tio é um preso político. Ele não merece isso. Todo ser humano tem direito de enterrar os seus”, afirma Andrea.

A fala da filha de Vavá é sustentada pelo artigo 20 da Lei de Execuções Penais: “Os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semi-aberto poderão obter permissão para sair do estabelecimento quando ocorrer: falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão”.

Apenas em 2015, mais de 175 mil presos deixaram suas celas para sepultar parentes. Ou seja, sonegou-se a Lula um direito, não um privilégio.

Edison Inácio, 55 anos, filho mais velho de Vavá, também demonstrou indignação e tristeza. “Não tem explicação, não tem lógica”, disse, ao comentar a proibição a Lula de se despedir do irmão.

Diante do circo judicial que se criou desde a morte de Vavá, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, autorizou a saída de Lula para encontrar “exclusivamente” familiares, em uma unidade militar, para a qual o corpo de Vavá poderia ser levado.

A decisão foi dada no momento em que o corpo de Vavá estava sendo enterrado. Por esta razão, o próprio Lula decidiu não sair da prisão.

Embaixador e ex-secretário geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães disse que a decisão judicial protagonizada por Carolina Lebbos, com o aval de Moro e Dallagnol é algo extraordinário.

“A forma como o ex-presidente Lula está sendo tratado pelo Judiciário, pela polícia e por todos é absolutamente medieval. Fica cada vez mais patente que ele é vitima de uma perseguição política”, afirmou.

Vavá

Genival Inácio da Silva, o Vavá, morava na Pauliceia em um sobrado e tinha expectativa de visitar Lula no começo do ano, mas seu estado de saúde não permitia deslocamentos. Anos atrás, teve de amputar a perna esquerda.

Amigos contam que, mesmo doente, se mantinha animado, uma característica sua, o que vários testemunhos confirmam. Tinha 79 anos. Lula completará 74 em outubro. Uma coisa os separava: o time de futebol. Enquanto o ex-presidente é corintiano, seu irmão era são-paulino.

Edison, o filho mais velho, precisa de apenas uma palavra para definir o pai, a lembrança mais forte: coração. “Ele nunca deixou de ajudar quem precisasse. Quem conheceu meu pai sabe que ele ajudava quem passava no portão”.

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Comentários

  1. Roberto Pedroso Postado em 06/Jul/2019 às 00:32

    Uma pessoa ferida em seu direito e em sua dignidade! o que esperar desse pais?com uma sucia desumana alocada nas mais diversas esferas de poder???em um cenário onde claramente cometem desrespeito flagrante ao principio da dignidade da pessoa humana! em qual situação chegamos afinal: ''Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?''

  2. Candy o Profeta Postado em 06/Jul/2019 às 00:32

    quem sabe se o tio não tivesse armado aquele show de horrores antes da prisão, teria conseguido o direito de participar do comí... digo, velório!