Redação Pragmatismo
Curiosidades 22/Nov/2018 às 18:32 COMENTÁRIOS
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A história por trás da morte do americano na ilha mais isolada do mundo

Publicado em 22 Nov, 2018 às 18h32

Americano tinha sonho de evangelizar povo mais isolado do mundo desde que era estudante do ensino médio. Um dia antes de morrer, John conseguiu um primeiro contato físico com a tribo. Atual dilema das autoridades é encontrar maneira de recuperar seu corpo

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John Chau (esq); Sentineleses (dir)

As autoridades da Índia ainda não sabem como recuperar o corpo de John Chau, o missionário americano morto a flechadas na última semana depois de desembarcar na ilha Sentinela do Norte, do arquipélago de Andaman e Nicobar.

A ilha é conhecida por abrigar o povo mais isolado do mundo moderno, os chamados Sentineleses. As informações iniciais dão conta de que o jovem americano de 27 anos tentaria evangelizar a população local.

A polícia acredita que o corpo de John foi enterrado na praia. Dependera Pathak, chefe de polícia nas Ilhas de Andaman e Nicobar, afirmou que as autoridades estão consultando antropólogos, especialistas tribais e acadêmicos para descobrir uma maneira de recuperar o corpo.

Testemunhas dizem que John chegou à região em 16 de outubro e ficou em um hotel enquanto se preparava para visitar a ilha proibida.

Traslado e contato

John Chau organizou sua visita à ilha Sentinela do Norte por meio de um amigo que contratou os serviços de sete pescadores pelo preço de US$ 325 (cerca de R$ 1200) para levá-lo a bordo de um barco, que também rebocava seu caiaque.

O americano desembarcou na ilha com seu caiaque no dia 15 de novembro, enquanto o barco com os pescadores retornou mar a dentro para evitar causar alarde entre os Sentineleses.

Segundo as investigações, John teria chegado a interagir com algumas pessoas da tribo, dando-lhes presentes como uma bola de futebol e peixe, mas por alguma razão os habitantes ficaram com raiva e o atacaram com uma flecha — que não o feriu e atingiu um livro que ele carregava.

Os tribais também danificaram o seu caiaque, e John decidiu ir embora a nado até o barco dos pescadores, que estava ancorado em um local previamente combinado.

A polícia informou que o americano passou a noite no barco dos pescadores e escreveu algumas experiências sobre o primeiro contato. Na manhã seguinte, John retornou à ilha para um segundo contato. Mais tarde, naquele 16 de novembro, os pescadores viram de longe seu corpo sendo arrastado por membros da tribo.

Evangelização

Ainda no período em que era um estudante do ensino médio, John Chau sonhava em viajar até Sentinela do Norte para compartilhar o cristianismo com a tribo isolada. O jovem já havia viajado para a região outras duas vezes, em 2015 e 2016.

Mat Staver, fundador do Covenant Journey, um programa que leva estudantes universitários a fazer visitas a Israel para afirmar sua fé cristã, afirma que John foi até a ilha com um propósito ‘evangelizador’.

“Ele não foi lá apenas por aventura. Eu não tenho dúvida de que ele foi levar o evangelho de Jesus Cristo para eles”, disse Staver.

John Chau estudou na Vancouver Christian High School (escola cristã de Vancouver) e se formou na Oral Roberts University, uma faculdade cristã em Oklahoma, em 2014.

Em um comunicado oficial, a família do jovem disse que ele “amava a Deus, a vida, ajudando os necessitados e não tinha nada além de amor pelo povo Sentinela”.

Doenças

As autoridades dizem que os membros da ilha Sentinela do Norte vivem isolados há milhares de anos e, portanto, não têm imunidade para doenças comuns, como gripe e sarampo.

A organização Survival International, que atua em defesa dos direitos humanos, afirmou que, ao entrar em contato com a comunidade, Chau pode ter transmitido agentes patogênicos (como bactérias, fungos e protozoários) que têm o “potencial de eliminar toda a tribo”, formada por cerca de 50 a 150 pessoas.

“Essa tragédia nunca deveria ter acontecido. As autoridades indianas deveriam proteger os Sentineleses e sua ilha para a segurança tanto da tribo quanto dos forasteiros. Os habitantes daquela tribo já mostraram repetidas vezes que querem ser deixados sozinhos, e seus desejos devem ser respeitados”, disse Stephen Corry, diretor da Survival International.

Saiba mais sobre a ilha Sentinela do Norte aqui.

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