Redação Pragmatismo
Eleições 2018 07/Nov/2018 às 12:32 COMENTÁRIOS

"Se acham que vão me intimidar, não viram nada. Não fiz 1% do que sou capaz..."

Membro da equipe de transição de Bolsonaro se irrita após ter sua ficha corrida exposta e passa a ameaçar a imprensa. Julian Lemos (PSL) já foi condenado por estelionato, preso e alvo três vezes da Lei Maria da Penha por bater em mulher

Julian Lemos

O deputado eleito Julian Lemos (PSL) passou a atacar veículos de comunicação que noticiaram toda a sujeira que consta em sua biografia.

O futuro parlamentar usou um tom ameaçador e sugeriu que quem o enfrenta não sabe do que ele é capaz.

“Quem não deve não teme, o meu couro é grosso e ao medo eu não fui apresentado, sou um homem determinado e com ausência de medo, se acham que vão me intimidar, não viram nada, não fiz 1% do que sou capaz”, esbravejou Julian nas redes sociais. Alguns veículos de imprensa foram citados nominalmente por ele.

Julian estaria furioso porque vieram à tona as informações de que ele foi condenado por estelionato, preso e alvo três vezes da Lei Maria da Penha por agredir mulheres (saiba mais aqui).

A postura agressiva de Julian contra a imprensa é a mesma utilizada por outros membros do futuro governo Bolsonaro. O assessor de imprensa do presidente eleito chamou os jornalistas brasileiros de “lixo” pelo WhatsApp ao comemorar a vitória do chefe no domingo da eleição.

Diversos veículos de comunicação tiveram as suas entradas barradas na primeira entrevista coletiva de Bolsonaro em sua residência. Entre os quais Folha, Estadão, CBN, Valor Econômico e Reuters.

Coordenador de Bolsonaro

Julian Lemos foi apresentado pelo então candidato Jair Bolsonaro como seu “homem forte na Paraíba e “amigo de primeira hora”.

Em 2011 ele foi condenado a um ano de prisão em primeira instância, em regime aberto, por estelionato. Mas o caso prescreveu antes de ser analisado pela segunda instância.

Julian se envolveu no caso pelo uso de uma certidão falsa fornecida pela empresa GAT Segurança e Vigilância, da qual era sócio, na assinatura de um contrato para prestação de serviços à Secretaria de Educação e Cultura da Paraíba, em 2004. O crime acabou prescrevendo devido à demora do Judiciário em concluir o julgamento.

Agredindo mulheres

Dos três inquéritos de que o deputado eleito virou alvo com base na Lei Maria da Penha, dois foram arquivados após a ex-esposa dele decidir repentinamente remover as queixas.

Um terceiro, movido por sua irmã Kamila Lemos, continua ativo. Ele teria agredido as mulheres entre 2013 e 2016.

Kamila contou em depoimento à polícia que foi ofendida e agredida fisicamente pelo irmão, com murros e empurrões, ao tentar “apaziguar” uma briga entre ele e a ex-esposa.

Laudo do Instituto Médico Legal confirmou que ela apresentava escoriações no pescoço, no ombro e no braço. Um ano depois a defesa do deputado eleito apresentou uma carta com retratação da irmã, alegando que os dois já haviam se entendido. O processo, no entanto, continua tramitando.

Julian Lemos

“Não vai fazer parte do governo”

O futuro vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou nesta terça-feira (6) que Julian Lemos (PSL), integrante da equipe de transição que já respondeu a três processos por violência doméstica , “não vai ter cargo no governo”.

Mourão disse que as acusações não causam constrangimento ao novo governo, mas que Julian Lemos foi eleito deputado federal e participará apenas da transição – ele é vice-presidente nacional do partido e presidente do diretório paraibano da legenda.

“O Julian foi deputado. Já passou, essa história já é conhecida. Isso é fato antigo, conhecido. Não sei até porque que só saiu agora. Aí a imprensa como um todo já sabia disso. Ele é da equipe de transição, mas não vai ter cargo no governo. Só faz parte da equipe”, afirmou Mourão.

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