Redação Pragmatismo
Governo 29/Nov/2018 às 14:09 COMENTÁRIOS

Família Bolsonaro acredita em um mundo bipolar

Família Bolsonaro aposta em mundo bipolar e escolhe lado americano. Gesto não é prudente considerando que a China é a maior parceira comercial do Brasil

Família Bolsonaro mundo bipolar eua china Israel Jerusalém
Eduardo e Jair Bolsonaro (reprodução)

Kennedy Alencar, Blog do Kennedy

Em viagem a Washington, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) atropelou o futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. O deputado federal disse que a Embaixada Brasileira de Tel Aviv será transferida para Jerusalém e que faltava apenas o novo governo decidir quando implementará tal mudança.

Tal afirmação contraria ritos das relações internacionais e faz sombra sobre o Itamaraty. O filho do presidente eleito se comporta como um chanceler do B. Obviamente, uma declaração desse tipo pode criar mais ruídos com países árabes, que criticam o lobby de Israel para tornar Jerusalém a sua capital.

Eduardo Bolsonaro faz gesto de agrado à administração Donald Trump, que mudou a Embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém. É mais um passo na política de alinhamento automático com Washington que, aliás, irá além de questões comerciais.

Saiba mais: O que o Brasil perde se Bolsonaro mudar a embaixada em Israel

Há toda uma agenda de defesa e segurança pública do governo Bolsonaro que deverá atrair empresas americanas e israelenses para fazer negócios no Brasil. Contatos bem posicionados no mercado internacional prestam atenção a essa guinada na política externa brasileira.

O então presidente Lula projetou o Brasil no cenário internacional. Elevou o país nessa arena apostando num mundo multipolar. A avaliação é simples e correta: o Brasil tem peso geopolítico para ser um ator global.

Possui uma base industrial que está entre as 10 maiores do planeta. Tinha escala, por exemplo, para exportar serviços de engenharia até as empresas serem quebradas após a implementação da Lava Jato.

O Brasil tem peso ambiental num mundo em que essa questão ganha cada vez mais importância. Possui mais de 200 milhões de habitantes, o que poderia fazer do país, caso a desigualdade diminuísse, um mercado consumidor relevante e um centro de produção de conhecimento ainda mais importante do que hoje.

Enfim, não faltam motivos para o Brasil não se alinhar automaticamente aos EUA ou à China, as duas superpotências planetárias do século 21.

Pelo que se depreende das intenções internacionais do governo Bolsonaro, a aposta será num mundo bipolar. E o futuro presidente escolheu o lado americano. Isso não parece prudente levando em conta que a China é a nossa maior parceira comercial.

É fundamental manter relações com China e EUA, nosso segundo parceiro comercial. Mas o ideal seria se posicionar com altivez no mundo, apostando na capacidade de o Brasil superar a desigualdade social e a corrupção endêmica, ambas com raízes centenárias no país.

Mas o presidente eleito tem outra visão. E um de seus três influentes filhos, Eduardo Bolsonaro, deu mais uma vez um recado que mostra o rumo da futura política externa.

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Comentários