Redação Pragmatismo
Racismo não 30/Oct/2018 às 15:07 COMENTÁRIOS

“Não leiam livros de história do Brasil”, disse mãe que fantasiou o filho de escravo

Eleitora de Bolsonaro que fantasiou o próprio filho de escravo pediu para que as pessoas “não leiam livros de história do Brasil”. Antes da repercussão negativa, seguidores da mulher elogiaram a fantasia. Agora, ela sumiu das redes sociais

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Mãe fantasiou filho de escravo, tentou se justificar mas depois pediu desculpas

“Ñ leiam livros d História do Brasil. Eles dizem q existiu escravidão d negros no país, mas isso é mentira. Ñ discuta com essa afirmação, pois vc estará sendo racista, A PIOR PESSOA, um lixo Só ñ entendi ainda se o problema foi a fantasia ou o ’17’ na foto”.

A frase acima, sem tirar nem por, foi publicada por Sabrina Flor — a mulher que fantasiou o próprio filho de escravo para uma festa de Halloween em uma tradicional escola particular de Natal (RN).

Ela mesma publicou fotos do garoto nas redes sociais, durante a tarde desta segunda-feira (29), e as imagens causaram grande impacto. A mulher se declara fã de Jair Bolsonaro, presidente eleito no último domingo (28).

Além de pintar o garoto, a mulher maquiou ele com “marcas” de chicotadas e o cobriu com roupas brancas e correntes. “Quando seu filho absorve o personagem! Vamos abrasileirar esse negócio! #Escravo”, escreveu ela no Instagram.

“Vai acabar sendo convidada pro PSL. As bestas´feras estão soltas! Senhor, tende piedade!”, escreveu uma internauta.

“Pobre criança! É imprescindível que o Juizado de Menores tire essa criancinha da influencia dessa louca! Sinceramente, acho que esse país não tem salvação”, publicou outra.

“Moça, eu acredito que a senhora não tenha dimensão do que está fazendo. Mas isso não é uma brincadeira, é um desrespeito enorme com a história e com aqueles que morreram e deixam um legado de dor aos seus descendentes que batalham todo dia para fechar essas feridas”, disse mais uma internauta.

Antes da repercussão negativa, a mulher havia recebido comentários elogiosos de algumas amigas. Depois que o caso tomou proporção nacional, ela apagou a suas contas das redes sociais.

O colégio onde aconteceu a festa de Halloween emitiu uma nota e afirmou que a instituição não compactua com expressões de racismo ou preconceito.

“Lamentavelmente, a escolha do traje para a participação do Halloween, feita pela família do aluno, tocou numa ferida histórica do nosso país. Amargamos as sequelas desse triste período até os dias de hoje. Não incentivamos nem compactuamos com qualquer tipo de expressão de racismo ou preconceito, tendo os princípios da inclusão e convivência com a diversidade como norte da nossa prática pedagógica”, diz a nota.

Após a repercussão, a mãe postou um pedido de desculpas nas redes sociais. “Queria somente pedir desculpas pelo fato! Jamais foi minha intenção ofender alguém, estou extremamente arrependida por tudo que aconteceu e me sentindo MUITO mal com os xingamentos e as ameaças horríveis que estão me mandando. Desculpa a todos, do fundo do meu coração! #paz”.

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