Redação Pragmatismo
Europa 16/Oct/2018 às 14:19 COMENTÁRIOS

Na Europa, dois governos propõem soluções antagônicas para os sem-teto

O inverno europeu se aproxima, e dois governos propõem soluções opostas para os moradores de rua. Prefeitura socialista de Paris abre espaços públicos a sem-teto, enquanto governo húngaro de extrema-direita manda prendê-los

Europa inverno governos soluções sem-teto morador de rua pobreza

O inverno europeu se aproxima, e dois governos propõem soluções opostas para os sem-teto. A prefeita socialista de Paris, Anne Hidalgo, anuncia 1.500 vagas em prédios públicos, sendo que até cem delas na própria sede da prefeitura, o emblemático Hotel de Ville. Já o premiê de extrema direita da Hungria, Viktor Orbán, tem, a partir de hoje, instrumentos garantidos pela Constituição para punir com prisão quem dorme na rua.

A solidariedade e a tolerância impõem os limites de cada proposta. Em ambos os casos, contudo, a conta não fecha: as vagas oferecidas não cobrem a demanda de pessoas que perambulam nas ruas, seja em Paris ou Budapeste.

Na capital parisiense, o primeiro e único censo revelou que o número de desabrigados é pelo menos o dobro. E na Hungria ocorre o mesmo, no que diz respeito à proporção entre sem-teto e abrigos estatais. A diferença é que, a partir de hoje, quem dorme em espaços públicos, e não tem para onde ir, poderá ser trancafiado por um ano numa prisão.

O premiê Orbán foi o primeiro líder europeu a fechar suas fronteiras aos refugiados da Síria e de países africanos, erguendo muros e barrando a entrada de quem apenas queria seguir em direção à Alemanha. O segundo passo foi mudar a Constituição para criminalizar quem já se encontra no país e não tem onde morar.

Saiba mais:
Como diferenciar a direita da esquerda?
O racismo na direita e na esquerda
Ariano Suassuna: Esquerda e Direita
Sobre ser de ‘direita’ ou de ‘esquerda’, no Brasil e no mundo…
Três razões para nunca dizer “nem esquerda, nem direita”
O esquerdista fanático e o direitista visceral: dois perfeitos idiotas

Aprovada em junho, a nova legislação húngara foi chamada de cruel e incompatível com a lei internacional de direitos humanos por Leilani Farha, especialista em habitação da ONU. “Que crime estas pessoas cometeram? Estão apenas tentando sobreviver”, escreveu em carta ao governo.

O Parlamento Europeu, por sua vez, aprovou uma ação legal contra Budapeste pelo tratamento aos moradores de rua, sob a alegação de ser “um claro risco de violação grave aos valores da União Europeia”.

Na França, o apelo de Anne Hidalgo para que outras prefeituras do país e a iniciativa privada sigam seu exemplo e ocupem instalações ociosas com sem-teto também encontra resistência nos bairros parisienses liderados por partidos de direita.

Um deles é o Quinto Arrondissement, a área turística que engloba o famoso Quartier Latin. Ali, a decisão da prefeita de abrir dois salões do suntuoso Hotel de Ville para hospedar mulheres desabrigadas durante o frio é classificada de demagoga. Mas faz muita diferença tanto para quem enfrenta o rigoroso frio europeu quanto para quem não tolera ver, a cada inverno, o aumento do número de mortos por hipotermia.

Leia também:
Fundadora do Femen é encontrada morta na França
As cidades que odeiam seres humanos
Nova York já tem 60 mil moradores de rua; 25 mil são crianças
Bairro rico de Londres instala dispositivo “antimendigo”
Bradesco ocupa calçada com pedras pontiagudas para evitar mendigos
Sonho americano? Conheça 10 fatos chocantes sobre os EUA
Estudante brasileira relata Cuba através de experiências próprias e derruba mitos
Conheça os 40 mandamentos do reacionário perfeito

Sandra Cohen, G1

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Comentários