Redação Pragmatismo
Educação 25/Sep/2018 às 10:15 COMENTÁRIOS

Professor aparece fantasiado de nazista em aula de História

“Paulo Freire é um câncer, servidores públicos são inúteis”. Funcionário de um dos colégios particulares mais requisitados do ES, professor de História vira notícia após aparecer fantasiado de oficial nazista

professor nazista ES

Marcos Sacramento, DCM

O professor Gabriel Tebaldi, que virou notícia após aparecer fantasiado de oficial nazista durante uma aula de História, é mais uma das crias do jornalismo de guerra operado pela grande mídia contra o pensamento esquerdista.

Funcionário de um dos colégios particulares mais requisitados de Vitória, Tebaldi, 25 anos, atua também como colunista do jornal A Gazeta. Aos 17 anos ganhou o espaço no jornal mais tradicional do Espírito Santo e junto veio a aura de garoto prodígio.

As palavras que ele deixou no jornal, contudo, são as melhores provas de que ele está lá mais pela aversão à esquerda que pelos talentos na escrita. Se fosse possível analisar o código genético de uma pessoa a partir dos seus textos, o de Tebaldi indicaria algo parecido com o cruzamento de Joice Hasselmann com Diogo Mainardi.

Para Tebaldi, o funcionalismo público é “uma casta de privilegiados, financeiramente imunes a crises”, conforme escreveu no texto em que atribui o incêndio no Museu Nacional ao “aparelhamento do Estado”. Em outro artigo, faz uma cantilena contra os servidores federais. Sem mencionar os privilégios do Judiciário, chama a classe compreendida por profissionais como médicos, policiais, professores, técnicos administrativos, assistentes sociais, entre outros quadros essenciais para o funcionamento da sociedade, de “elite de inúteis”.

O pensamento de Paulo Freire, que aqui dispensa apresentação, para o rapaz é um “câncer”.

“O desserviço prestado por Paulo Freire à nação poderia ser aqui abordado em centenas de artigos, mas um recorte faço: a visão de Freire sobre o trabalho, ‘símbolo de exploração’, ‘ato de dominação’, ‘opressão a ser rompida pela liberdade’. Urge desconstruir tal aberração em nossa juventude!”.

Sim, ele usa ponto de exclamação e se refere aos jovens como se fosse um senhor na casa dos 80 anos.

Mas o uso duvidoso da pontuação e o estilo senhoril são detalhes inofensivos da prosa do rapaz. Por outro lado, o texto publicado apenas dois dias após o assassinato da vereadora Marielle Franco oferece uma pequena porém eloquente amostra do seu caráter.

No artigo, ele criticou a comoção provocada pelo crime, comparada ao suposto silêncio em relação à morte de um empresário por latrocínio na mesma época ou diante das mortes de policiais.

“Se a dor pela morte de Marielle é humanitária, por que o silêncio diário? Se a preocupação é pelos direitos humanos, por que Cláudio ou os PMs não são motivos de protesto? A resposta é simples, as lágrimas aqui são seletivas, ideias valem mais que vidas e a nata intelectual só reage quando lhe dói o calo”, escreveu, com uma linha de pensamento digna do “tiozão do pavê” viciado em Whatsapp.

Se a leitora ou leitor percebeu traços de misoginia na opinião de Tebaldi sobre a morte de Marielle, espere para ler o que ele escreveu a respeito do habeas corpus coletivo concedido em fevereiro pela 2ª Turma do STF. A decisão transformava em prisão domiciliar a pena de prisão preventiva de mulheres grávidas ou com filhos de até 12 anos.

“Com essa decisão, o Supremo acaba de instituir a mais nova mão de obra qualificada da criminalidade: mulheres mães. Tal como o crime organizado alicia menores de idade para se beneficiarem da brechas e condolências da lei. Parir será o novo passe livre da cadeia”.

Talvez esse texto explique por que o rapaz parece tão à vontade fantasiado de nazista.

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