Redação Pragmatismo
Eleições 2018 11/Sep/2018 às 09:53 COMENTÁRIOS

Miriam Leitão protagoniza momento mais constrangedor do jornalismo recente

Diante do general Hamilton Mourão, vice de Jair Bolsonaro, Miriam Leitão protagoniza um dos momentos mais constrangedores do jornalismo recente

General Mourão Miriam Leitão GloboNews
General Mourão, vice de Bolsonaro, foi entrevistado na GloboNews

Marcos Sacramento, DCM

Num dos momentos mais constrangedores do jornalismo recente, o candidato a vice-presidente de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, confirmou que considera seu herói o torturador da ditadora militar Carlos Alberto Brilhante Ustra.

“Heróis matam”, afirmou, diante dos questionamentos da jornalista Miriam Leitão. Ela própria vítima das torturas praticada pela ditadura venerada por Mourão.

A réplica de Miriam foi um silêncio desconfortante e a guinada para uma pergunta sobre a reforma da previdência.

Só a jornalista pode responder por que silenciou diante da defesa explícita a um torturador por parte de um postulante à vice-presidência da República. O mistério fica ainda maior porque o general abriu um flanco para ser atacado quando afirmou que seus “heróis não morreram de overdose”.

Bastaria ela lembrar do delegado Sérgio Fernando Paranhos Fleury, que embora não tenha morrido de overdose colaborou com o tráfico de drogas.

Caçador de opositores ao regime e torturador do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), foi condecorado com a Medalha do Pacificador, honraria dada pelo Exército brasileiro em retribuição aos serviços prestados à instituição.

Tinha um pé na criminalidade legitimada pelos generais e outro fincado na delinquência ordinária. Com o mesmo empenho dedicado nas caçadas a “comunistas”, oferecia proteção a traficantes de entorpecentes.

Fleury lucrava com os tóxicos e gostava de dar umas cafungadas, segundo o ex-delegado Cláudio Guerra, integrante do DOPS no Espírito Santo.

“Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar. Não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria. (…) Nessa época, o hábito de cheirar cocaína também já fazia parte de sua vida. Cansei de ver”, afirma Guerra, cuja colaboração com a ditadura é detalhada no livro “Memórias de uma guerra suja”, de Marcelo Netto (a propósito, ex-marido de Miriam Leitão) e Rogério Medeiros.

Outro “herói” da ditadura foi o capitão Aílton Guimarães Jorge, descrito por um superior como “espontâneo e dedicado”, que comanda diligências “como um verdadeiro e exemplar militar combatente.”

Como o colega Fleury, recebeu a Medalha do Pacificador e tinha apreço pelo dinheiro ilícito. Mancomunou-se no contrabando e saiu da caserna direto para o jogo do bicho no Rio de Janeiro, no qual cresceu na hierarquia e tornou-se um dos cabeças.

As façanhas desses dois “heróis” não estão escondidas nos porões da História. Longe disso, estão disponíveis para quem quiser ler na obra “A Ditadura Escancarada”, de Elio Gaspari. Impossível acreditar que os jornalistas da sabatina da Globo News não tivessem essas informações para disparar contra Mourão.

Resta saber por que foram tão complacentes com o general que defende o indefensável.

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Recomendações

Comentários

  1. Justiceiro Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    Em todas atividades humanas existe os bons e os que se desviam. Um demônio que pratica bondades é o desvio da profissão. Jornalistas e defensores patriotas do país tem os excelentes e os maus. Ao Cel. Ustra toda honra. Aos desviados a Lei!

  2. Marcello Schimmit Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    Independente de serem milhares ou civis,heróis matam sim .

  3. Nil Obermüller Schaupp Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    Salve ustra, Mourão, Bolsonaro. Chega de dar a outra face, Deus clama amor mas também clama para a guerra quando necessário.

  4. Wandekko Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    O Regime Militar não foi tão bom assim, pois se assim fosse, Dilma, Lula, Miriam leitão, José Dirceu, Palloci, Fernando Henrique entre outros, não estariam vivos.

  5. Edson Gonçalves Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    Esse pessoal da globo deveria parar com essas entrevistas pois tá ficando cada vez mais feio pra eles tentarem ditar o ordem das coisas da forma que eles querem. Chega de passar vergonha.

  6. Sergio Rubinstein Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    Com toda certeza o ilustre General se referiu ao queridinho assassino de mulheres, negros e criancas de no 'che' que os bossais intelectualoides tanto veneram. Vindo de uma assaltante de bancos, achei ate que ela chegou longe demais. Hoje esta na 'goebelks news'. Nao eh o maximo...?!

  7. Paulo Robson Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    Bolsonaro 17 🇧🇷 🇧🇷 🇧🇷 É melhor Jair se acostumando

  8. Alex Maciel Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    Bolsonaro 2018!

  9. Joao Viana Brito Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    #Bolsonaropresidente

  10. Shirley Costa Pereira Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    0 17 vence no primeiro turno!!! Acabou a mamata.

  11. José Silva Albuquerque Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    Eu vivi na época do regime militar e nunca fui perseguido, preso ou torturado. Jamais tive minha casa invadida ou parentes presos por suas ideologias. Assim, acredito que a Miriam Leitão não socorreu-se dos autores citados no texto, porque seus textos refletem apenas suas visões da época. Se perguntar-mos hoje para o Fernandinho Beira Mas, o que ele acha do sistema judiciário acredito que ele também dirá que é atroz e repressivo . Ora, tudo o que temos de melhor em termos administrativos, foi feito na época militar e tudo que temos de pior aconteceu quando os desordeiros da época, assumiram o poder. Essa é a verdade!

  12. juarez rezende araujo Postado em 06/Jul/2019 às 13:51

    Ja ta mais que provado que os jornalistas da globo vivem refém dos editores que usam o fone de ouvido para pensar e falar por eles.E depois a rede globo é fruto do regime militar e nao tem interesse emdenunciar torturadores.E a jornalista Leitão sabe disso quando entrou ali.

  13. regis botelho Postado em 06/Jul/2019 às 13:59

    Resta saber se esses dois foram heróis do Mourão.