Redação Pragmatismo
Mulheres violadas 20/Sep/2018 às 09:25 COMENTÁRIOS

Enfermeira leva tapa no rosto de PM após tentar impedir entrada em sala restrita

Enfermeira leva tapa no rosto de PM após informar que o policial não poderia entrar em uma sala exclusiva para funcionários. A mulher ainda recebeu uma gravata e um pisão na panturrilha. Funcionários do local se rebelaram e policial fugiu do local

enfermeira agredida pm rio verde

Um crime que aconteceu no último dia 10 de setembro não obteve muita repercussão na imprensa brasileira, mas causou revolta na comunidade local.

Na ocasião, uma enfermeira da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade de Rio Verde (GO) foi agredida após barrar a entrada de um policial militar em uma sala exclusiva para funcionários e pacientes.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que a a mulher levou uma “gravata” no pescoço e um “pisão” na panturrilha após tentar impedir o policial de entrar em uma sala.

O local restrito é identificado como sala vermelha, dedicado para pacientes que necessitam de cuidados e vigilância intensivos enquanto aguardam a definição do diagnóstico.

“A entrada no espaço é expressamente proibida para qualquer pessoa que não faça parte do quadro de colaboradores”, afirmou a Secretaria de Saúde. No momento do ocorrido, enfermeiras e médicos da UPA advertiram os policiais a não entrarem no local.

Ainda não se sabe por qual motivo os PMs queriam entrar na sala da UPA.

“Eu jamais esperaria [ser agredida], acho que ninguém ali esperaria uma atitude dessas. Na verdade, eles estão aqui para proteger a gente. No que eu disse olha, não pode, já senti o policial atrás me dando uma gravata. Eu senti uma dor na perna, mas eu não entendi, eu não sei se eu perdi os sentidos. Só vi a hora que a doutora já estava falando que isso não poderia ter acontecido”, relatou a enfermeira.

Em um vídeo, gravado por funcionários da UPA, é possível ver algumas médicas e enfermeiras do local discutindo com o PM depois da agressão. Nas imagens, uma médica repudia a atitude do policial.

“Ele desceu o tapa nela, na nossa cara. O serviço que vocês prestam aqui é de envergonhar a corporação de vocês. É esse tipo de gente que socorre os outros, que não tem preparo psicológico e bate em mulher? Não é a primeira vez que acontece, é uma vergonha”, desabafa uma médica.

Logo após a confusão, vários colaboradores da UPA tentaram impedir a fuga do policial, mas o PM teria tomado o controle do guarda para abrir o portão. Este outro vídeo registrou o momento em que os PMs tentam sair do estacionamento da unidade:

Afastamento

A Polícia Militar afirmou ter determinado o afastamento do policial e a abertura de sindicância para apuração da conduta do agente. Além disso, a força revela repudiar “qualquer ação que macule a boa imagem da corporação com as demais instituições”.⠀Leia a íntegra da nota da PM:

A assessoria de Comunicação do 2º Batalhão de Polícia Militar, traz a público esclarecimentos acerca do fato ocorrido na Unidade de Pronto Atendimento-UPA da cidade de Rio Verde.

A Polícia Militar (PM) informa que diante da veiculação do incidente envolvendo profissional de segurança pública, tão logo tomou conhecimento da ação policial promovida naquela unidade de saúde, determinou preliminarmente, o afastamento do serviço operacional do policial ora envolvido nos fatos, bem como a abertura de sindicância para apuração da conduta do policial militar.

Em virtude das informações veiculadas em redes sociais sobre o fatídico, fez o comando do 2ºBPM, vir a público externar repúdio a qualquer ação que macule a boa imagem da corporação policial militar com as demais instituições.

Conselho Estadual de Saúde de Goiás

O Conselho Estadual de Saúde de Goiás (CES-GO) também se pronunciou sobre a agressão à enfermeira. Em uma moção de repúdio, o Conselho diz esperar que o Ministério Público faça o controle externo da Polícia Militar e proteja trabalhadores e usuários dos Sistema Único de Saúde de Goiás contra o abuso de autoridade da polícia, além de afirmar que é o SUS que acolhe os goianos contra a violência que se espalhou no Estado de Goiás. Leia a nota:

O presidente do Conselho Estadual de Saúde de Goiás – CES-GO, no uso de suas atribuições regimentais e Ad Referendum do Plenário do CES-GO, vem de público manifestar o repúdio à invasão da Polícia Militar na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na cidade de Rio Verde (Goiás), no dia 10 de setembro de 2018. Repudiamos também o crime cometido por um dos PMs que desferiu um tapa no rosto de uma trabalhadora de Saúde na UPA.

Esperamos que o Ministério Público Estadual faça o controle externo da Polícia Militar e proteja trabalhadores/as e usuários/as dos Sistema Único de Saúde de Goiás contra o abuso de autoridade da polícia. A PM e a Guarda Municipal devem respeitar os trabalhadores/a e gestores/as das unidades de saúde e só agirem na defesa da segurança e sob orientação de gestores e profissionais de saúde nas unidades de saúde.

O SUS é um dos poucos locais públicos onde a população goiana tem encontrado acolhimento contra a violência que se espalhou nas ruas e espaços públicos das cidades. É o SUS que cuida diariamente dos goianos e goianas que são vítimas de agressão, espancamento, estupro e tentativa de homicídio, por absoluta falta de segurança pública no nosso estado.

Colocamos o Conselho Estadual de Saúde a disposição dos comandantes das Polícias Militares e Guardas Municipais para ministrarmos palestras sobre os direitos de saúde de usuários/as e trabalhadores/as no SUS de Goiás e o papel da Segurança no respeito às leis, aos direitos humanos e a saúde da população.

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