Redação Pragmatismo
Eleições 2018 20/Jul/2018 às 12:55 COMENTÁRIOS

Por que o Centrão desistiu de Ciro e Bolsonaro para apoiar Alckmin?

De repente, em poucas horas, o chão de Ciro Gomes (PDT) e de Jair Bolsonaro (PSL) parece ter ruído. Geraldo Alckmin (PSDB) será oficializado como candidato único do establishment

Centrão desistiu de Ciro e Bolsonaro para apoiar Alckmin

Andrei Meireles, Os Divergentes

Pela ordem natural das coisas, a debacle do PT, com o impeachment de Dilma Rousseff e a prisão de Lula por corrupção, levaria os tucanos de volta ao poder. As cenas explícitas de corrupção envolvendo Aécio Neves, e denúncias contra José Serra e outros caciques nivelaram o jogo. Desde a volta da democracia, após o vexame com Fernando Collor, PSDB e PT se revezaram no poder. O fiasco de ambos gerou a expectativa de que algo diferente, velho ou novo, os sucedessem.

Nessa embolada sucessão presidencial o que despontou como novidade – Luciano Huck e Joaquim Barbosa, por exemplo – mostrou-se efêmero. Sobrou um deserto. Foi por aí que alguns se aventuraram. Jair Bolsonaro tenta fincar uma estaca nessa seara. Se apresenta como candidato a protagonista no jogo em que há tempos é figurante, mas acaba de ser barrado como coadjuvante no final da preliminar.

Depois de flertar com todo tipo de incoerência – de aulinhas de neoliberalismo com o professor Paulo Guedes a fisiologismo explícito com o catedrático Valdemar Costa Neto -, Bolsonaro continua no mesmo lugar.

E não sabe como avançar. Até tentou um verniz de raiz, a tal chapa verde oliva com o general da reserva Augusto Heleno como vice. Uma escolha que agradaria a turma que prega a volta dos militares ao poder. A ironia é que esbarrou no PRP, um dos apêndices do PT na Bahia.

Após a queda de tucanos e petistas, Ciro Gomes sentiu o vácuo e também resolveu voar alto. Seus balões tomaram os céus nesse inverno, subiram tanto que ficou ao alcance da mão o que parecia impossível.Até essa quinta-feira (19),ele parecia a um passo de uma coligação que unisse em torno dele a sopa de letras da direita, batizada de Centrão ( DEM, PP,PRB,PR,SDD…) a siglas de esquerda como o seu PDT, PSB e PC do B.

Com uma aliança nessas proporções, se não ocorresse um cataclisma, Ciro já entraria no páreo como praticamente imbatível.

De repente, em poucas horas, o chão dele e de Bolsonaro parecem ter ruído. O de Bolsonaro, apesar de seu sucesso nas pesquisas, era carta cantada.

A rasteira em Ciro, mesmo com todo seu polêmico histórico, surpreendeu.

Ciro cantava em verso e prosa que tinha muito amor para dar. Seus desaforos, beligerância, seriam coisas do passado. Sua pregação por um cavalo de pau na política econômica apenas figura de retórica. E por aí tentou surfar, mesmo com tropeços e recaídas. Parece que não deu certo.

Ciro e Bolsonaro, apesar do empenho, não conseguiram se mostrar confiáveis às elites que deles desconfiavam.
Abriram espaço para Geraldo Alckmin. Quem antes desdenhava o tucano, agora troca penduricalhos por declarações de apoio.

Os partidos de centro-direita antes flertavam com todos. Atraíram a cobiça geral,mas são pragmáticos na hora da decisão. Seguem o establishment político e eleitoral que resolveu apostar em Geraldo Alckmin nessa largada da corrida presidencial.

A conferir.

Leia também:
Ciro Gomes fica em cima do muro sobre embate jurídico envolvendo Lula
FHC faz apelo e pede união contra Bolsonaro, Ciro e Lula
O trâmite “diferenciado” dos inquéritos envolvendo tucanos
A saga pelo voto dos evangélicos em 2018
Rodrigo Maia visita Aécio Neves em 1º ato como presidente da Câmara
Cientista político explica a vitória de Rodrigo Maia
‘Centrão’ -PP, PR, PSB e PTB- cobram Michel Temer por apoio dado em votação
A história do surgimento e da ascensão da bancada evangélica na política

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendações

Comentários

  1. Rodrigo de Albuquerque Postado em 06/Jul/2019 às 13:25

    O pior de tudo isso é ver o PT jogando sujo nos bastidores para atrapalhar a candidatura de Ciro Gomes e insistir para que todos da esquerda apoiem a candidatura impossível, impugnada e liquidada do presidiário Lula - que não sai mais da cadeia em 2018. Se a direita vencer essa eleição presidencial de 2018, a culpa vai ser única e exclusiva da intransigência e egocentrismo de um partideco que atende por PT.

  2. Roberto Pedroso Postado em 06/Jul/2019 às 13:25

    Em tempo este tipo de articulação prova que o tempo de televisão ainda é muto precioso e que as coligações partidárias espúrias ainda continuam sendo feitas por conta desta estrutura do processo politico do presidencialismo de coalizão,o que levanta certas questões......em tempo ao contrario do que os ''neoconservadorezinhos'' dizem a TV ainda é sem duvida a ponta de lança de qualquer campanha eleitoral nacional e as redes sociais ainda não representam o ''fiel da balança'' em uma disputa eleitoral de grandes proporções,o tempo de TV no horário eleitoral gratuito é valiosa moeda de troca e é responsáveis pelo inicio das negociações,digo.... discussões a respeito da venda e compra de apoio politico no parlamento que será responsável pela base aliada que garantirá a governabilidade do futuro presidente.......ou seja nada mudou,tudo permanece como antes e nesta eleição ainda termos os velhos vícios usos e costumes desta forma asquerosa de se fazer/pensar a politica.